Publicado por: José QUEIROZ | 25/05/2015

Hotéis de Salvador fecham as portas por falta de turistas

Hotéis de Salvador fecham as portas por falta de turistas
José Queiroz*

 

A indústria turística de Salvador vive o seu pior momento desde que foi iniciada, e olha que houve ocasião em que a sensação era de que não sobreviveria, como no período da Guerra do Golfo Pérsico, entre 1990 e 1991. O estado deplorável em que se encontrava o Centro Histórico, o surgimento de novos destinos no Nordeste, e a baixa visitação, não animava investidores, proprietários e profissionais.

Entretanto, a reviravolta foi espetacular, graças à compreensão do fenômeno que é o Turismo, ao desprendimento e ao arrojo do governo do estado no período entre 1991 e 2006. Aproveitou-se o título dado ao Pelourinho, de Patrimônio da Humanidade, e os recursos disponíveis para reformá-lo, para promover a mais ousada onda de investimentos e captação de negócios na história do turismo interno do Brasil. O turismo em Porto Seguro, Chapada Diamantina, Morro de São Paulo e Litoral Norte, é fruto desse momento, que repercutiu no Brasil e no mundo, atraindo não só turistas, mas operadoras renomadas, redes hoteleiras, companhias aéreas e outros negócios.

Porém, a mudança de governo do Brasil em 2003, para grupos com interesses diferentes, e a mal explicada oposição à reforma do Pelourinho, culminou com a mudança de governo na Bahia também, e a suspensão da reforma no início de 2007. Ainda hoje há políticos responsáveis por este retrocesso em atividade, e que continua criticando o governo da época e a reforma. Em nome de um socialismo que só prejudicou as supostas vítimas da ‘malvadeza’, já que a ruína física e social é visível, o que também já repercutiu nacional e internacionalmente.

A Secretaria de Turismo anunciada por ACM Neto não correspondeu, não ouviu o trade da cidade, ignora solenemente os profissionais, é tocada por políticos e seus cargos são criados para acomodar apadrinhados que pagam comissão aos partidos, como acontece na Secretaria de Turismo do estado. Ou ocupados por parentes e políticos sem voto! Atualmente os partidos importam e exportam ‘profissionais’ ao bel prazer, comportam-se como donos das cidades, das atividades e dos destinos. A Saltur existe apenas para organizar o Carnaval de Salvador, ocasião que movimenta uma montanha de dinheiro –a maior parte do contribuinte! – e passa o resto do ano sem fazer nada!

Salvador não está entre as principais opções das operadoras brasileiras e estrangeiras que vendiam a cidade, pois está suja, trânsito caótico, violenta, desmoronando, sem praias, e sem vida noturna autêntica! O Conselho Baiano de Turismo dos últimos anos ignorou os interesses de quem procura a cidade, não cuidou do patrimônio histórico e cultural, insistiu em ações para vender pacotes e hotéis de eventos, resorts e cruzeiros. Usa os símbolos culturais para isto, mas canaliza os recursos para seus negócios. Esvaziou a cidade, que virou dormitório de Praia do Forte e Morro de São Paulo. E quebrou os hotéis de turismo e a cadeia produtiva de Salvador!

Os hotéis precisam de turistas para manter-se, sem eles estão em estado lastimável, com oferta de serviços precários, ou fechando as portas. O charmoso e super bem localizado Hotel Jaguaribe Praia está sendo fechado por falta de clientes e segurança naquela área, onde já fecharam o Hostel Jaguaribe, o Hotel Lazer Piatã, a Pousada Baiona em Itapoan, o Corsário Hotel da Boca do Rio, e o antigo Solar Diana, também. Tem gente fechando no Rio Vermelho! Em Ondina, o Salvador Praia Hotel fechou há muito tempo, mas o escombro continua lá, servindo a um bloco e à Saltur no Carnaval, e o Atlantic Towers deixou de ser hotel. Na Barra já fecharam o Hotel San Marino, o Hotel Porto Farol e o tradicional Albergue do Porto! E no Pelourinho, Pousadas Hilmar e Red Fish!

Quem assume a responsabilidade por isto? Turismo não é brinquedo, senhores, não é passatempo, não é para qualquer um, como pensa a academia brasileira! É coisa de gente grande, culta e honesta, se quiser sobreviver entre os cultos, honestos e trabalhadores da indústria turística mundial! Dêem ‘régua e compasso’ para os profissionais da cidade e, seguramente, ela pode ser uma das melhores do mundo! Não falta turista interessado e dinheiro!

*José Queiroz é Guia de Turismo

Pelourinho cobra ações da Prefeitura contra Governo do estado e Federal

José Queiroz*

 

Dia 10 de maio é o dia do padroeiro de Salvador e do guia de turismo no Brasil, mas, neste ano, os guias da cidade comemoraram sua data no dia seguinte, 11 de maio, participando da tradicional missa de São Francisco Xavier, pedindo a proteção e a ajuda de Deus, e luz para as mentes e corações dos gestores públicos de Salvador, da Bahia e do Brasil, responsáveis pelo Pelourinho e pelo turismo da cidade. Mas fizeram mais: se juntaram com outras instituições do Centro Histórico e protestaram contra o abandono e a violência do lugar, que arruinaram a indústria turística do município!

Sindicato de Guias, Associação dos Comerciantes, Conselho de Segurança, Núcleo Hoteleiro da ABIH e Clube de Diretores Lojistas, foram algumas das instituições presentes no ato na Praça Municipal, que protestou contra a ruína física e social do centro da cidade, que afetou a cadeia produtiva do Turismo Receptivo e, obviamente, a economia do município. As ruínas, a indigência, o assédio de vendedores, a prostituição na Praça da Sé, os roubos, agressões e mortes, falta de estacionamento, limpeza, iluminação, etc. A lista é longa e urge fazer alguma coisa!

O objetivo do manifesto foi cobrar ações da Prefeitura, já que ela é responsável pelo solo, patrimônio, povo e economia do município, contra a ingerência e negligência do Governo do estado e Governo Federal, responsáveis pela guarda e manutenção do Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, os quais não têm cumprido com suas obrigações. Desde 2007 vários projetos foram apresentados e não concluídos, tornando desacreditados os pronunciamentos oficiais, como os que foram feitos nesta semana, pelo secretário da Sedur, Carlos Martins, que alega que recuperou 756 imóveis, e de Beatriz Lima, titular da Dircas, que já prometeu vários Pelourinhos novos, além de todos tentarem assumir a paternidade da obra do governo anterior ao PT. O IPHAN tem que ser cobrado por co-responsabilidade e omissão no processo de destruição do lugar!

Qualquer cidadão que transite pelo Centro de Salvador está vendo a ruína, a violência está nos jornais, mas a situação é ainda pior! O Pelourinho é o principal atrativo para operadoras, empresas de eventos, turistas individuais, etc. A falta dele têm afetado os negócios com os centros emissores de turistas para a cidade, causando o cancelamento de programas entre operadores e agências, suspensão de vôos, esvaziamento dos hotéis e falta de investimentos nesse setor, além do fechamento de agências, hotéis, lojas e restaurantes. E o conseqüente desemprego, inadimplência e delinqüência! É caos mesmo, encoberto pelas anúncios oficiais enganosos, veiculados há oito anos!

As suspeitíssimas ruína do centro de Convenções e obra do aeroporto que não termina nunca, e hotelaria sucateada, são outros fatores que fizeram Salvador sumir da lista das 10 cidades mais visitadas do Brasil há muito tempo! Os profissionais do Turismo Receptivo alegam que os interlocutores do Governo do estado não são os mais indicados para falar de turismo em Salvador, pois são operadores, empresários e sindicalistas que direcionam os recursos do setor para negócios de seus interesses, como vendas de resorts e cruzeiros, eventos, festas, etc. Muitos recursos dos contribuintes foram desviados para projetos estranhos ao turismo, como feiras livre, stock car e passeata gay!

O Pelourinho e o Turismo empregam muito mais pessoas do que se imagina, pois o conjunto do Turismo Receptivo é formado pelos trabalhadores das companhias aéreas, do aeroporto, agências, hotéis, transportes, turismólogos – estes já estão completamente esquecidos no Brasil! – guias de turismo, atrativos, lojas, restaurantes, etc. É um percentual expressivo da população de Salvador! E todo esse pessoal, simplesmente, não tem quem os represente e defenda, está à mercê de oportunistas disfarçados de ‘conselheiros’, gestores, profissionais, etc., que vem dando desculpas estapafúrdias para incompetência e desonestidade. Agora, é caso de briga mesmo, literalmente, pela sobrevivência física e profissional!

*José Queiroz é guia de turismo

Turismo de Salvador precisa apenas de acesso, limpeza, hotéis e segurança

*José Queiroz

A insatisfação dos empreendedores e profissionais de turismo com o baixo número de visitantes em Salvador é geral, e as causas são conhecidas, mas não solucionadas pelas instituições responsáveis: Ministério do Turismo, Ministério da Cultura, Ministério das Cidades, Governo da Bahia e Prefeitura de Salvador. E por um motivo muito simples: no Brasil, não há uma instituição voltada exclusivamente para o ‘desconhecido’ Turismo Receptivo. O turismo interno ainda não é reconhecido como uma atividade de peso econômico e constante, que fomenta outras, e é administrado por políticos leigos que apenas ocupam cargos, e defendem outros interesses de seus financiadores e partidos políticos.

Cabe ao Ministério do Turismo coordenar políticas públicas que envolvam a atividade, fiscalizar os investimentos e os resultados. O Ministério da Cultura é o responsável pelos patrimônios da humanidade, o Pelourinho também recebe dinheiro do Ministério das Cidades, e o governo da Bahia é o responsável local, principalmente pela sua manutenção e segurança. À Prefeitura cabe manter a acessibilidade, limpeza, a organização do comércio ambulante, etc. Em Salvador, a Secretaria de Turismo é a responsável pelo setor, que é parte da economia do município. Deveria pôr a Guarda Municipal para trabalhar no Centro Histórico e nas praias!

Na verdade, ninguém está trabalhando para recuperar o decadente turismo da cidade! Gestores públicos não conhecem a realidade do setor, pois são assessorados por operadores locais ou agentes de viagem do receptivo local que se tornaram operadores, e que ganham dinheiro vendendo os resorts do Litoral Norte, Morro de São Paulo e outros destinos. Ou ganham ocupando cargos públicos! Estes não são afetados pela baixíssima freqüência de turistas na capital, algo em torno de 50% nos feriados, e muito menos durante a semana, o que não sustenta a cadeia produtiva. Os grandes eventos que haviam sido captados para Salvador – até 2018! – estão sendo cancelados!

É claro que precisamos de aeroporto e centro de convenções, mas sem Pelourinho, hotéis e segurança, ninguém vem! Os organizadores de eventos precisam de um atrativo, e seguro! A desinformação geral sobre a importância do Centro Histórico para a cidade é vergonhosa, principalmente porque sua elite econômica, acadêmica, política e cultural, incluindo jornalistas, freqüentam cidades antigas ao redor do mundo. No entanto, se calam ante a destruição desse lugar e da atividade turística, outrora intensa e responsável pela geração de milhares de emprego, renda e crescimento cultural. Aliás, o Pelourinho, como está, reflete bem o nível político, cultural e técnico da gestão pública no Brasil!

O turismo da cidade precisa de mais trabalho de seus gestores e menos disputas políticas! Uma desgraça no país! O governo do PT suspendeu a obra que estava em andamento porque foi iniciativa do partido anterior, inventou uma nova reforma para beneficiar seus apadrinhados, mas nem isto fez! Abandonou o lugar que é o principal atrativo da região e condenou centenas de empreendedores e milhares de trabalhadores à ruína, com o afastamento de baianos e turistas. A gestão de João Henrique na prefeitura foi conivente e omissa, e a atual, de ACM Neto, não consegue trabalhar, assumir a responsabilidade e a manutenção do Patrimônio da Humanidade, prerrogativas do Governo da Bahia. Que não faz nem deixa fazer!

*José Queiroz é guia de turismo

Pelourinho e turismo em Salvador, também dependem do Governo da Bahia

José Queiroz*

O Pelourinho não é apenas parte do centro histórico de Salvador, ou um dos patrimônios da humanidade no Brasil. Ele é, também, um atrativo turístico, um centro turístico, como o Coliseu, de Roma, Machu Picchu, no Peru, Jerusalém, em Israel, etc. E não é apenas atrativo de Salvador, é um dos mais conhecidos do Brasil, estratégico para atrair turistas para a cidade e outros lugares do país. Ou não! Ele faz parte da indústria turística, um dos segmentos da economia do município e do estado. É um dos recursos econômicos de ambos, precisa ser administrado corretamente, e ali deveriam ser gerados empregos e renda para outras necessidades da sociedade.

Porém, a responsabilidade do Pelourinho – gestão, casarões, ocupação, segurança, etc. – é do Governo Federal, através do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – e do Governo do estado, através do IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia. Ambas as instituições estão ligadas ao Ministério da Cultura, mas há leis e programas de apoio e responsabilidades dos Ministérios das Cidades e do Turismo. São várias instituições, mas nenhum responsável direto pela atuação delas em conjunto, em benefício da Cultura, do Turismo, da economia, da sociedade.

Culturalmente, o Brasil já perdeu vários monumentos ali, e outros estão irrecuperáveis! O governador que assumiu em 2007 suspendeu a obra que estava em andamento e, em 2009, 111 casarões foram condenados pela Codesal – Defesa Civil de Salvador – que não tem o poder de polícia do Estado para desocupá-los. No dia 15 de junho de 2011, o juiz Paulo Pimenta – ação civil pública 0019255-84.2011.4.01.3300 – concedeu liminar determinando a desocupação e interdição dos mesmos. Mas, nada foi feito! Atualmente, estes e outros casarões que se deterioraram desde então – muitos já desmoronaram ou incendiaram! – estão invadidos por indigentes, doentes, traficantes, viciados e ladrões que transitam no coração do Centro Histórico de Salvador, tirando a tranqüilidade e a segurança de baianos e turistas.

O IPAC é o responsável pelo processo de desocupação desses casarões e, junto com o IPHAN, responsável pelo processo de privatização de muitos deles que, entretanto, não se concretiza, e a atividade cultural e turística do município está seriamente comprometida pela intranqüilidade – pedintes, assédio, comércio ambulante desordenado, hostilidades, etc. – e insegurança e roubo, com muitas instituições e estabelecimentos fechando as portas, pois as fontes de origem do turista da cidade não querem expor seus clientes aos mesmos riscos que afastaram o baiano do lugar. O Governo da Bahia, junto com as instituições federais, pode desocupar estes imóveis e usar programas sociais para acomodar e atender a esta população, mas, contraditoriamente, diminuiu o efetivo da Polícia Militar no Centro Histórico, não consegue controlar a venda e epidemia de consumo de crack, e não há nenhuma câmera de segurança funcionando.

Falta de dinheiro não é! Mais de 40 milhões foram gastos na elaboração do projeto de reforma do governo Jaques Wagner, http://www.centroantigo.ba.gov.br/PlanoReabilitaCAS1.pdf que, no entanto, está engavetado. Em 14 de junho de 2011 foi aprovado o projeto de lei 12. 219 para contratação de empréstimo junto ao BID http://exame.abril.com.br/economia/noticias/bid-concede-us-50-milhoes-para-setor-de-turismo-na-bahia. Nada resultou em soluções práticas para manter nem recuperar o turismo do município, e causa estranheza a insistência em ‘investimentos’ em festas sucessivas, como neste anúncio http://www.bahiaja.com.br/cultura/noticia/2015/02/09/governo-anuncia-investimentos-e-atracoes-para-carnaval-em-todo-estado,79237,0.html#.VTET6_D-Fkg, além do São João no Pelourinho, que não atrai nenhuma operadora ou turista independente.

A Prefeitura de Salvador é responsável por parte da economia do município, e precisa interferir com mais firmeza e objetividade nesta questão, afinal, há leis para isto, e não só para aumentar taxas e impostos cobrados ali – que não são poucos nem baratos! – O comércio ambulante desordenado, praticado até por marginais, que segue os visitantes pelas ruas, incomoda, explora, hostiliza – xinga mesmo! – é comentado em todos os pólos emissores de turismo do Brasil e do mundo. Mulheres vestidas de baiana incomodam os turistas, agarram sem permissão, cobram caro por uma foto! A Prefeitura precisa garantir o acesso limpo e iluminado, pois estacionar se tornou caso de polícia, ninguém quer enfrentar os flanelinhas maus encarados nem a precariedade e exploração dos estacionamentos. Os estacionamentos cobram R$ 30,00 à noite! Ninguém vai!

Isto tem que ser discutido por todas as esferas de governo em conjunto, e resolvido, para o turismo ter continuidade em Salvador, para o empreendedor conseguir pagar os impostos que são cobrados ali, para gerarem empregos e crescimento cultural para os baianos. O turismo de Salvador não pode depender de eventos em Costa de Sauípe e Praia do Forte, nem de festas! O Pelourinho precisa ser municipalizado, precisa ter administradores técnicos divididos entre a Cultura e o Turismo, precisa ser tratado como uma possibilidade privilegiada, real e viável para melhorar os índices sociais da cidade. Sem Pelourinho e sem Cultura, não há Turismo!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

Prefeitura pode melhorar Carnaval e mobilidade para turistas em Salvador

*José Queiroz

 

O Carnaval na região Barra/Ondina completou 20 anos e, desde o início, empreendedores, gestores públicos e imprensa à serviço do evento, falam de milhares de turistas, empregos e dinheiro gerados pela festa. Os tais turistas não passam de foliões e não beneficiam toda a cadeia produtiva da atividade, muito menos os atrativos do entorno de Salvador, como o turismo regular. Os empregos de seis dias só servem para sobreviver outros seis, e o tal dinheiro beneficia apenas o seleto grupo de empresários de bandas, blocos e camarotes que ganham dinheiro em seis dias para o resto do ano!

O evento é tratado como o principal atrativo da cidade no verão, porém, além de afetar o turismo regular, já que muitas operadoras não vendem a cidade nesse período, o Turismo não tem tido o mesmo tratamento privilegiado de artistas e convidados, com trânsito livre e escolta policial. Este ano a Prefeitura simplesmente negou a autorização de trânsito livre para condutores autônomos do turismo, que poderiam ligar os hotéis dos outros bairros ao circuito, e deixou os turistas entregues à imprudência de moto taxis e à ganância dos taxistas que – nas barbas da fiscalização! – recusam corridas curtas e andam em alta velocidade. O acesso e mobilidade em todo o circuito de carnaval de Salvador tem se tornado cada vez mais penoso, perigoso e desanimador!

Há muito tempo o espaço público foi restringido e privatizado no Carnaval para usufruto de instituições privadas que não fazem nenhum benefício à sociedade, ao contrário, utilizam largamente dinheiro público através dos patrocínios diretos e indiretos, que são deduzidos de impostos que serviriam para a saúde, educação, segurança e geração de empregos. E ainda interferem nos negócios e no direito de ir e vir, principalmente para quem mora ou trabalha entre Rio Vermelho e Pelourinho, como o pessoal envolvido com o turismo da cidade. E baianos e turistas ainda são obrigados a beber o que os ‘donos da festa’ decidem. Falta pouco para eles decidirem o que comer!

O excesso e a qualidade das parcerias público/privado ainda estão provocando a descaracterização e o esvaziamento da festa – pelos próprios baianos! – que estão fugindo para praias ou criando carnaval em outros lugares, como no Nordeste de Amaralina, afinal, a qualidade das atrações e os valores exorbitantes de blocos e camarotes inviabilizam a festa para nativos e visitantes. E o pior: a imposição de ritmos, cantores e bandas completamente desconectados do espírito carnavalesco da Bahia está desviando muita gente para o Rio de Janeiro, Recife e até São Paulo, onde o carnaval de rua está crescendo! E o turista de lazer que viaja nessa época procura destinos mais baratos, já que companhias aéreas e hotéis usam e abusam da fama de Salvador.

Há profissionais de ponta que defendem a ‘reformatação’ do carnaval da cidade, um lugar que substitua o circuito Barra/Ondina, o retorno às origens, com prioridade e incentivo – aí, sim! – à música local, como fazem Rio de Janeiro e Recife. Afinal, Salvador e o Recôncavo Baiano têm muitos talentos e manifestações que tem sido substituídos por outros – locais e forasteiros! – que não estão agradando. Eles não representam a história, a memória e as tradições do povo baiano, muito mais abrangente, narrativa, educativa, poética e dançante. Não é com gritos de “sai do chão”, “levanta a mão”, ou “sou barril”, que o Carnaval agradará ao baiano e ao Brasil!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Atrativos, monumentos e obras de arte em ruína prejudicam turismo em Salvador
José Queiroz*

 

O Pelourinho é o principal atrativo da cidade e vinha sendo recuperado desde o início da década de 1990, mas a obra foi interrompida em 2007 e não há como esconder dos turistas a ruína física e social do lugar. A decadência visível vem sendo mantida com promessas, anúncios de projetos aleatórios, a maioria não concluídos, ou esdrúxulos, como Palco Móvel, e falsas informações, como a cidade ‘lotada’ de turistas, o que só acontece em dia de navios de cruzeiros, e apenas no verão. O governo de Jaques Wagner suspendeu a obra iniciada no governo anterior, gastou milhões em novo projeto que está engavetado, mas o governo atual promete ‘novidades’, entre elas, a iniciativa privada, que não tem responsabilidade cultural nem social com a cidade e o povo.

Lá se vão oito anos de interrupção da obra que estava dando certo para o turismo baiano, trazendo investidores, estudiosos e turistas, e fomentando o consumo da cultura e a economia local. Nesse meio tempo, o centro histórico de Salvador já perdeu vários casarões, outros se tornaram irrecuperáveis, e monumentos preciosos estão caminhando para o mesmo fim. O Convento de São Francisco de Assis precisa da mesma caridade que os gestores baianos oferecem diariamente ao pessoal da música, afinal, não se vive só de pão e circo. Salvador está perdendo um dos mais belos e preciosos conjuntos de painéis de azulejos do mundo!

IPHAN, Governo do estado e Prefeitura não se entendem sobre a necessidade de desocupar os casarões, limpar o Centro Histórico, iluminar, facilitar o acesso, e garantir a segurança, mas a cada dia criam mais festas, gastam como se elas fossem o principal atrativo da cidade. E não é! Carnaval fora de época? Afródromo? Quem ganha com isto? Não é o povo, a Cultura nem o Turismo! Enquanto isto, baianos e turistas que entram no Pelourinho, não são direcionados para o lugar onde viveram o Antonio Vieira, o Rui Barbosa ou o Castro Alves. Belíssimas obras como a pintura barroca na Igreja da Misericórdia ou os entalhes de Caribé, no Museu Afro-Brasileiro, estão escondidas por falta da sinalização que já consumiu tanto dinheiro público. A Casa da Música deveria estar no Pelourinho, o primeiro trio elétrico, etc.! O maravilhoso painel de Caribé, na Praça Castro Alves, precisa de cuidados, assim como a fachada da Ordem Terceira de São Francisco.

O candomblé tem seus símbolos explorados por gestores e músicos, inspira tanta gente, mas não tem apoio institucional, nem de nenhum artista, para a visitação e para usufruir dos benefícios do turismo. Nenhuma agência da cidade oferece qualquer programa regular envolvendo religião! Nem candomblé, nem Irmã Dulce, nem Mansão do Caminho! Poucos baianos e turistas conheceram o maravilhoso Museu de Arte Sacra, a missa com canto gregoriano, dos beneditinos, ou os concertos de música barroca, de órgão, na Catedral Basílica. A feira de São Joaquim, que consumiu tanto dinheiro do Turismo, envergonha a cidade. As obras do Mario Cravo, no Parque de Pituaçú estão abandonadas! E os gestores do turismo se comportam como se a cidade estivesse uma maravilha, precisando de mais festas. Mas o pessoal do turismo não tem nada para festejar, a não ser os ‘amigos do rei’, como a agência que monopoliza Costa de Sauípe e outra que recebe os cruzeiros!

Falta cultura, conhecimentos técnicos e dedicação exclusiva nos gestores do turismo de Salvador! A cidade poderia receber muito mais turistas diariamente, como os grandes centros turísticos do mundo, e melhorar seus índices econômicos e sociais. Mas é preciso que o próprio povo a conheça, respeite e preserve sua história, memória e tradições. Não é por causa de praia ou festa que Salvador recebe turistas, e sim por Jorge Amado e o Pelourinho, conhecidos mundialmente! Mas é preciso ter hotéis, cobrar a responsabilidade cultural de quem se propõe a ter agência de turismo receptivo – nenhuma agência está oferecendo a visita à casa do escritor, que está belíssima! – profissionalizar o atendimento de guias de turismo, principalmente no Centro Histórico, e reconhecer, estimular e proteger o transporte de turismo qualificado. A prefeitura oferece tanta festa, mas negou aos condutores autônomos o trânsito livre para conduzir turistas no Carnaval!

O Brasil está acompanhando estarrecido o desenrolar do escândalo da Petrobras, efeito da ingerência do Estado na economia, e, como já se sabe, em vários outros setores. No Turismo também! O governo e seus parceiros controlam com mão de ferro a atividade. Desde 2007, vários empréstimos foram tomados em nome do Pelourinho e da Baía de Todos os Santos, mas o turismo náutico é caótico, não há infra-estrutura turística em nenhuma praia da baía, nenhuma praia para oferecer em Salvador, e o turismo só diminui na cidade, em conseqüência da ruína e dos riscos dos seus principais atrativos, conhecido nos principais pólos emissores. Enquanto isto não for encarado com seriedade por gestores, empreendedores e profissionais do setor, a cidade continuará perdendo seu patrimônio, competitividade e turistas. O baiano pode ser enganado, a indústria turística, não!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Governo da Bahia não garante segurança de turistas no Pelourinho
José Queiroz*

 

O policiamento do Centro Histórico de Salvador foi drasticamente reduzido nos últimos oito anos, ao contrário da indigência e delinqüência que cresce a cada dia, contra baianos, turistas e o patrimônio cultural. E que escapa do controle da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, com seus efetivos diminuídos, falta de recursos, e falta de apoio concreto do estado e prefeitura para a proteção do lugar. Há muita propaganda oficial de segurança e pouca informação sobre a realidade local!

Aliás, infelizmente, a informação existe, e é passada boca a boca, como seria previsível num lugar como este, e ela têm afastado o morador da cidade e tirado o interesse das operadoras de turismo que venderiam o destino e incrementariam a economia do município, assim como de muitas pessoas que viajam por conta própria e tem vontade de conhecer a primeira capital do Brasil, a cidade do Jorge Amado e de outros grandes personagens conhecidos nacional e internacionalmente, além de seu povo e suas manifestações culturais. A violência é real, a droga está lá, e o roubo é diário!

Apesar do brilhante trabalho realizado pela Polícia Militar na Lavagem do Bonfim, ao prender uma quadrilha no Pelourinho, da presença constante e corajosa dos poucos policiais que garantem alguma segurança para quem trabalha e visita o lugar, e da inovadora interação do comandante atual do 18º Batalhão, Ten Cel Valter Menezes, com a comunidade – sem esquecer-se da presença e atuação da Polícia Civil e da própria Guarda Municipal – a situação é crítica e exige esforços de uma força tarefa para proteger um dos patrimônios da humanidade, confiado ao governo do estado da Bahia!

Há vários casos de ocorrências graves e fatais conhecidos da população, mas delitos como arrancar câmeras fotográficas, celulares e bolsas, não raro com agressões e ferimentos, são corriqueiros, difíceis de prever e combater diante do quadro social atual, e leva baianos de todo lado a desaconselhar a visita ao lugar. É triste admitir, mas o Pelourinho teve seu casario, suas instituições, seu acervo cultural e artístico, e sua segurança e tranqüilidade, seriamente comprometidos pela incompetência total dos últimos gestores da Cultura e do Turismo baiano, além das inúmeras instituições federais, estaduais e municipais com alguma responsabilidade sobre o lugar.

Por falta de efetivo e recursos, como as câmeras de segurança que estão quebradas e a falta do reforço da Operação Verão deste ano, corajosamente, o Cel Menezes pede aos profissionais de turismo e comerciantes que os turistas sejam alertados sobre o risco de abrir carteira, portar jóias, ou manusear celulares e câmeras no centro histórico de Salvador. É compreensível, mas é inadmissível que a segurança tenha chegado a esta situação! E a culpa não é da Polícia Militar ou Civil, ou da Guarda Municipal, e sim dos responsáveis por elas que gastam rios de dinheiro em campanhas eleitorais, negociatas e corrupção, excesso de cargos e altos salários, publicidade enganosa e festas, e negligenciam as obrigações com a sociedade. Não garantem nem a segurança dos contribuintes!

Há anos que partidos como o PT, PSB e PC do B exploram a ruína e a miséria do lugar! Há dezenas de ong’s montadas ou cooptadas para isto, e que sobrevivem graças à cooptação de instituições de defesa da sociedade. Há prédios condenados pela Justiça que já deveriam ter sido esvaziados e desocupados, e, se não recuperados, demolidos. Estão invadidos por indigentes e delinqüentes e o IPHAN sabe disto, os ministérios da Cultura, Cidades e Turismo também, as procuradorias de governo, tribunais, etc. E todos autorizam colocar mais dinheiro ali, ou ficam calados! Estão destruindo o lugar!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Quem fiscaliza equipamentos, logística e serviços de turismo em Salvador?
José Queiroz*

 

A gestão e fiscalização do turismo de Salvador estão completamente desconectadas da realidade e das necessidades do setor, apesar do bom trabalho que a prefeitura vem realizando na cidade. E a razão principal são as várias instituições responsáveis apenas por partes dessa atividade nas cidades do Brasil, sem um comando central, que seriam as secretarias de turismo de cada lugar, com apoio das secretarias estaduais e do Ministério do Turismo, e fiscalização de todos. E com a agravante de gestores leigos!

Qualquer soteropolitano sabe que o Turismo é importante para o município, milhares de pessoas ainda dependem dele, e muitos mais poderiam estar trabalhando, diminuindo o desemprego e a violência. Qualquer pessoa ligada à atividade sabe o que interessa ao turista, mas a gestão pública anda na contra mão desses interesses. O prefeito ACM Neto chegou a proibir o estacionamento no Mercado Modelo nos dias de show do réveillon mais longo do Brasil! Centenas de veículos de turismo que normalmente tem dificuldade para estacionar nos equipamentos e atrativos turísticos, e no centro da cidade, improvisaram suas paradas, e, não raro, em lugares nada seguros.

O Ministério do Turismo pertence a um partido, o governo do estado a outro, e a prefeitura a um terceiro! O aeroporto é do governo federal, o Pelourinho e o centro de convenções são do governo do estado, e o trânsito do município. Todos caóticos, e não há um responsável direto por eles. O único entendimento entre os governos é sobre as festas, que encontram parceiros, recursos e know how fácil. Porém, falta a manutenção dos atrativos, monumentos e obras de arte – como o Parque de Pituaçu – a instalação de banheiros civilizados, o controle dos vendedores ambulantes que agridem verbalmente baianos e turistas, a assistência social e segurança. Isto, sim, é o que o Turismo precisa!

O aeroporto da cidade está um caos! Obra inacabada, sem telefone nem balcão de informação, embarque e desembarque vergonhoso, e a Infraero cobra aluguéis escorchantes, encarecendo todos os serviços, principalmente o vexatório atendimento ao turista, feito por taxis que pagam e cobram caro, e proibido aos guias de turismo profissionais da cidade. No porto de Salvador há uma empresa que vende passeios sem guia de turismo, e a mesma cooperativa de taxi do aeroporto opera no porto e vende city tour, o que não é sua função. Mas as secretarias e o Ministério do Turismo não atuam para garantir profissionalismo, satisfação e o retorno do turista!

Há gente e dinheiro farto para explorar as festas, mas há anos não se constrói um hotel de lazer em Salvador, nem há fiscalização dos serviços que a maioria oferece, o que tem comprometido a viagem de muitas pessoas, o turismo e a imagem da cidade. Operadoras brasileiras forçaram uma brecha na lei que obriga a presença de guias nas excursões e agências de turismo atuam livremente nos aeroportos, portos, resorts e hotéis, improvisando ‘informantes’ e dificultando o contato do turista com os guias profissionais. Isto acontece porque os valores que as operadoras pagam às agências locais não cobrem seus custos e as empurram para o improviso, inclusive trabalhista e fiscal.

Transporte de turismo em Salvador não tem sindicato, regulamentação adequada, reconhecimento, apoio para renovação da frota, nem lugares para parar. Lobbies gananciosos de empresas de ônibus, cooperativas de taxis e algumas agências que pagam para explorar alguns equipamentos, impedem a atuação de guias de turismo motorizados e vans que atendam famílias e pequenos grupos. Sem fiscalização e sem regulamentação, se vende qualquer tipo de transporte na cidade, já que ônibus, taxis e agências não conseguem atender todas as demandas.

Há pessoas em contato direto com turistas que comprometem seriamente o trabalho dos próprios operadores e agentes de viagem locais, além de comprometerem os parcos investimentos públicos e os benefícios para a sociedade. É preciso urgentemente identificar e cobrar procedimentos dessas pessoas, fazer o trabalho de qualificação que não foi feito, definir o papel de cada um no turismo, e valorizar e respeitar os profissionais que efetivamente mantém e multiplicam o fluxo de visitantes.

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

Turismo da Bahia precisa de gestão técnica para auto sustentar-se

José Queiroz*

 

A sociedade brasileira já se deu conta da ineficiência e dos riscos da intervenção do Estado em setores e negócios da economia, geridos com mais interesse político e financeiro de partidos políticos e grupos econômicos, que com o interesse geral, principalmente social e cultural do país. As promissoras parcerias público/privado se revelaram nocivas em muitos casos, e as licitações, quando existem, são manipuladas acintosamente. No Turismo não é diferente, pois os recursos são utilizados de maneira aleatória, equivocada, sem fiscalização, sem controle de tribunais.

O país assistiu indignado ao assalto aos cofres públicos durante os preparativos para a Copa do Mundo, exatamente em nome do Turismo, que não mudou nada, ao contrário, poucos aeroportos do país, por exemplo, foram concluídos. O de Salvador está um caos! Nem serviço de informação tem, pois a empresa que explorava o serviço não renovou contrato com a caríssima Infraero que inviabiliza negócios pelo país afora. Embarque, desembarque e serviços turísticos em vários aeroportos refletem a falta de profissionalismo institucional. O desembarque internacional é arcaico, lento e desestimulador de novas visitas.

Os prometidos hotéis para o evento não foram construídos, e a mesma Salvador está com sua rede hoteleira inteiramente sucateada, com raras exceções, por falta de gestão e apoio institucional adequado, sendo esta uma das principais queixas de operadoras que vendem a cidade e o Brasil. Foram construídos hotéis, sim, para os cobiçados e manipulados eventos, em áreas que não interessam aos turistas de lazer, nem atendem aos seus interesses em matéria de comodidade e serviços. Algumas recepções se tornaram negócios exclusivos de gerentes, agências e cooperativas de taxis, à revelia de seus proprietários, indiferentes às necessidades da atividade e da sociedade.

A segurança é, sim, um dos maiores entraves para a recuperação do turismo em todos os centros turísticos da Bahia e do Brasil. Já não há dados e matérias oficiais que convençam alguém da segurança em passear no Brasil, e quem conhece os atrativos do país sabem como eles estão. Gestores públicos e seus parceiros privados se manifestam a esse respeito como se eles fossem sempre seguros como durante seus eventos! Salvador, Porto Seguro, Morro de São Paulo e outros atrativos, precisam de gestores competentes nesta área. A própria insegurança jurídica no Brasil atrapalha o Turismo, como no caso dos cruzeiros que estão se afastando do litoral brasileiro!

O secretário de Turismo indicado para administrar a atividade na Bahia, Nelson Pelegrino, PT, acaba de fazer um pronunciamento emblemático: ‘….prioridade é recuperar o Centro de Convenções….porque fixa… o turista…’. Não é verdade! Salvador não se inseriu na indústria turística nacional e mundial como praça de eventos, ao contrário, as empresas e operadoras direcionaram eventos para a cidade em função da sua história, atrativos, infra-estrutura e logística. Salvador é destino cultural e de lazer, e esse turista, sim, fica uma semana e fomenta outros negócios. A Chapada Diamantina, Península de Maraú, Mangue Seco, e outros, não vivem de eventos, precisam ter o acesso a eles facilitado, precisam de infra-estrutura, segurança e mão de obra. Há muito que fazer nestes lugares, e gestores indicados por partidos políticos, desconhecedores da atividade, não sabem, ou protegem outros interesses, através de falsos informes e ações.

Prioridade do Governo do estado em Salvador são, também, o aeroporto, hotéis, segurança e Centro de Convenções, nesta ordem, mas, primeiramente, o Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, a âncora do turismo da Bahia, que foi seriamente afetado pelo descaso da gestão atual, comprometendo o título, o Turismo e a economia do município, impunemente. O que não mais será aceitável, sob pena de Salvador perder o patrimônio e o potencial cultural e turístico, infelizmente, desconhecido do seu próprio povo, por ineficácia e omissão de gestores protegidos pela elite econômica, política, acadêmica, cultural e jornalística, com interesses imediatos e mesquinhos.

*José Queiroz, guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 06/12/2014

Boas notícias para o turismo de Salvador!

Boas notícias para o turismo de Salvador!

José Queiroz*

Turismo deixou de ser uma atividade ‘de época’, uma ocupação de férias para ‘grã finos’, um hobby, há muito tempo. E deixou de ser amador! Hoje é uma das principais atividades do homem, diretamente relacionada com a Cultura, e que necessita do apoio – ou seja, fomenta! – mais de 50 outros setores da economia. Em Salvador o turismo é impulsionado pela história e memória da cidade, formação do povo, religiosidade, cultura popular e clima, e, desde a criação do Pólo Petroquímico, ele se tornou vital para a sobrevivência de milhares de famílias, inclusive de outras cidades do seu entorno.

A pioneira tentativa de recuperar o Centro Histórico na década de 1990, que resultaria na adequação de toda a cidade para o Turismo, com infra-estrutura apropriada e profissionalização da mão de obra, estava no caminho certo, atraindo redes hoteleiras, operadoras, companhias aéreas, gerando outros negócios e trazendo profissionais que fatalmente tornariam Salvador um dos principais destinos turísticos do mundo. Potencial não falta! Afinal, esta é a cidade de Jorge Amado, o escritor que, infelizmente, não é tão conhecido aqui como no exterior, assim como outros baianos, como Teixeira de Freitas, Milton Santos e Juliano Moreira.

Esta cidade foi criada como ‘escala’ na Carreira da Índia, a rota comercial mais longa e duradoura da Idade Moderna, seguiu assim através da Idade Contemporânea, até a abertura do Canal de Suez, no Egito, em 1869, e se tornou o principal estaleiro, fornecedor de alimentos e água, e entreposto de comércio do Atlântico Sul, em função do escravo que chegava aqui, ficava, ou saía para outras regiões, do açúcar que seguia para a Europa, e do fumo que ia para a África. Ou seja, já nasceu ‘turística’! A fama do poderio econômico, da beleza natural, e da ‘gente misturada’ que vivia aqui, predominante negra, logo se espalhou, atraindo gente de todo tipo até os dias atuais.

Mas a obra foi interrompida em 2007 e o resultado é bem conhecido dos empreendedores e profissionais do setor: suspensão dos investimentos, fuga de turistas, ruína física, econômica, social e cultural do Pelourinho e do turismo receptivo de Salvador. Os gestores envolvidos com o governo atual priorizaram eventos e business hotéis, canalizando e desviando recursos que serviriam para fomentar o turismo de lazer e cultural na capital, concentrando-os em ações de captação de eventos para hotéis de negócios e resorts, como Costa de Sauípe, onde a Arena Sauípe recebe as grandes convenções que o sucateado Centro de Convenções da cidade não tem condições de receber. Ocorre que empresas, participantes de eventos e operadoras querem Salvador!

Por isto os hoteleiros e outros empreendedores da cidade se organizaram e criaram o Salvador Destination, e o entregaram ao comando de Paulo Gaudenzi, um dos maiores profissionais de turismo do Brasil. A associação já está trabalhando para resgatar não só os eventos, mas o interesse na cidade, os investimentos necessários, e o turista que, não raro, sai para outras localidades, como a própria Praia do Forte, Morro de São Paulo e Recôncavo Baiano, além de prestigiar as instituições culturais conhecidas mundialmente, gerando emprego, renda e benefícios culturais para toda a sociedade. Seguramente, já haverá eventos novos a partir de 2015, dentro das possibilidades, pois não há hotéis, equipamentos e serviços adequados para vôos maiores de imediato.

Por outro lado, o Governo do estado anuncia a chegada de vôos diários da Argentina a partir de janeiro de 2015, principal pólo emissor de turistas estrangeiros para a Bahia, que tem sido negligenciado nos últimos anos, assim como Chile e Portugal. Espera-se que a iniciativa tenha continuidade, para isto é preciso melhorar a rede hoteleira da cidade, a mão de obra – não há falantes de espanhol suficientes nas recepções de Salvador, tem que ser lei municipal! – e ainda transportes, principalmente serviço de taxis, e segurança. O horário ainda não é o adequado, diante da importância econômica que tem este mercado para Salvador e região: chegada aqui 1h40 e embarque 2h40, o que sacrifica demasiadamente crianças e famílias que circulariam nesse trecho. Mas, o vôo será, literalmente, ‘bien venido’!

Enquanto isto o Sindicato de Guias de Turismo da Bahia – Singtur Ba – movimenta-se para conseguir efetivar a fiscalização do serviço de guia, completamente desprestigiado pelas instâncias do turismo, que proíbem a presença dos profissionais no aeroporto, porto e hotéis da cidade, substituindo-os por agências e cooperativas de taxis que não atendem à todas as demandas, improvisam serviços, cobram caro, e são protegidos por gerentes e diretores que ganham dessas agências e cooperativas e ameaçam demitir recepcionistas que não concordam com estes procedimentos. O caso do aeroporto é emblemático! Turistas que descem em Salvador não têm a opção de contratar guias de turismo, pois estes são proibidos pela Secretaria de Turismo do estado! Por isto, o esvaziamento de lugares como o Recôncavo Baiano, e as instituições culturais, religiosas e artísticas. A Casa do Rio Vermelho já nasceu ameaçada por esta situação!

Salvador pode, e deve, aprimorar sua indústria turística, profissionalizá-la, para isto tem potencial, recursos e profissionais. E pode ajudar muito mais o seu entorno, se cuidar da sua principal âncora: o Pelourinho. Formação, informação e Cultura é o destino de qualquer Centro Histórico. A elite da cidade, dividida entre os herdeiros da colônia e os migrantes pós Pólo de Camaçarí, precisam saber ‘o que é que a Bahia tem’, precisam saber o que é que o turista vem fazer aqui – pergunta comum do povo baiano – e descobrir as benesses econômicas e culturais da atividade. Esta cidade não deve nada a nenhum dos principais centros turísticos do mundo, basta conhecê-la, gostar e cuidar!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

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