Publicado por: José QUEIROZ | 19/04/2017

O efeito da corrupção no turismo da Bahia

O efeito da corrupção no turismo da Bahia

José Queiroz, guia de turismo

 

Antes que a desinformação e o preconceito influenciem no julgamento deste texto, é preciso ter em mente que o turismo é uma das atividades econômicas que mais crescem e empregam pessoas no mundo, distribui riquezas de maneira mais abrangente que muitas das atividades tradicionais, e está diretamente relacionado com a cultura. A atividade não é supérflua, e o Brasil, a Bahia e Salvador, são partes dessa indústria.

O número de viajantes só cresce desde 2009, 1,2 bilhão de pessoas viajaram pelo mundo em 2016, houve um aumento de 4% na América do Sul, e o Brasil recebeu apenas 6,5 milhões. A Ásia e a África registraram participação expressiva, portanto, o intercambio cultural entre os povos tem sido cada vez mais acentuado.

Um guia de turismo profissional precisa estar bem informado, principalmente sobre seu país, incluindo sua economia e seus gestores. No caso do Brasil, a corrupção, além de influenciar negativamente no desenvolvimento do setor e captação de turistas, é assunto constante entre os visitantes. O Turismo é uma fonte original e veículo de informações.

Incompetência e corrupção é a única explicação para a ruína física e social do centro de Salvador. Sim, corrupção, pois muita verba foi tomada de empréstimos em bancos do Brasil e do mundo, aprovados pela Assembleia Legislativa em nome do Pelourinho, Patrimônio da Humanidade e, ou foram devolvidas por falta de projetos, ou foram desviadas de suas finalidades por falta de fiscalização dos responsáveis. E o IPAC, da Bahia, e IPHAN, do Governo Federal, foram omissos por subordinação ou cooptação.

Não ficou claro o motivo pelo qual o governo do PT na Bahia suspendeu a obra que estava em andamento em 2007, com empréstimos contraídos, e as indenizações que foram feitas. E o pior, mais gastos foram feitos para novo projeto que nunca saiu do papel! Duas obras precisam ser investigadas: Vila Nova Esperança e Palco Móvel. Entretanto, o mesmo governo continua gastando dinheiro – assim como a Prefeitura! – para anunciar obras no centro histórico, irrelevantes para o turismo da cidade.

Estatísticas manipuladas e falsa propaganda é outra face perversa e onerosa da corrupção! O governo da Bahia gasta insistentemente para divulgar construção de estradas que não existem em muitas e estratégicas regiões do estado. Ali, do outro lado da Baía de Todos os Santos, o acesso a Saubara, Bom Jesus, etc., é penoso, assim como a ligação de Maragogipe com São Roque ou Salinas. Aliás, lá estão os estaleiros, da Petrobras, abandonado e sucateado, e o Enseada, da Odebrecht.

A bela região entre Valença e Camamu – acesso a Morro de São Paulo e Boipeba – tem estrada precária, e o acesso a Barra Grande é por estrada de chão, 45 km. Passear pela Chapada Diamantina é realmente uma aventura, não há estrada ligando os famosos poços Encantado e Azul, e o acesso ao Capão também é carroçável. Mangue Seco não tem acesso asfaltado para quem sai de Salvador, e o prefeito anterior, que fez o sucessor, proibiu a parceria entre empresas de turismo e comerciantes locais. Não há acesso asfaltado a várias cidades do oeste, noroeste e norte da Bahia!

A Bahia parou de crescer em 2007, os investimentos em infraestrutura não avançaram. A Fiol, Ferrovia de Integração Oeste Leste, e o Porto Sul de Ilhéus não funcionam por falta de estradas também, além do custo já ter aumentado em mais de R$ 2 bilhões. E o pior! Tudo é ‘concessionado’! Tanto os produtos a serem transportados, como o minério de ferro de Caetité, como a infraestrutura. No ano passado, a economia do estado encolheu 5%!

Entretanto, o governador da Bahia, Rui Costa, PT, aparece toda hora na televisão mostrando uma Bahia que não sai do papel, tentando desesperadamente salvar sua carreira competindo com o prefeito de Salvador em obras na capital. O vice-governador, João Leão, PP, também citado na roubalheira do Estado brasileiro, resolveu adotar a desnecessária construção da ponte Salvador/Itaparica, principalmente nesse momento de escassez de dinheiro público, e gasta outra fortuna com publicidade dessa suposta intenção. A única novidade é a discutível obra do trem na cidade, chamado de metrô!

O Governo da Bahia, responsável pelo aeroporto e centro de convenções de Salvador, não foi capaz de manter os equipamentos. O aeroporto já foi considerado o pior do país, e o centro de convenções desabou. Aliás, o centro já vinha sendo abandonado por gestão fraudulenta que desviava as convenções da capital para Praia do Forte, principalmente depois de construída a Arena Sauípe. Porém, mais grave é o abandono do Pelourinho, principal atrativo, que resultou em diminuição drástica do turismo de Salvador.

A Prefeitura também tem grande parcela de culpa nesse desmonte, foi omissa na questão do centro de convenções, que é importante para equilibrar o fluxo de turistas, gerar empregos e rendas, e não cumpre suas obrigações institucionais no Centro da cidade, onde a miséria, a indigência e a delinquência afastam operadoras e turistas. Insiste em festas como atrativo turístico, mesmo contra a vontade de quem efetivamente trabalha pelo turismo da cidade. E, claro, só eles tem o que comemorar!

Festas em vias públicas comprometem segurança e mobilidade de turistas

*José Queiroz

 

 

O prefeito ACM Neto tem feito um excelente trabalho de recuperação da cidade, e o soteropolitano espera que ele faça muito mais nos próximos quatro anos. Porém, é preciso incrementar ou recuperar a economia do município, investir nas necessidades e prioridades básicas para isto, e gerar emprego e renda que diminuam a violência.

Se for perguntado ao cidadão de Salvador qual é a principal atividade econômica da cidade, a maioria dirá que é o Turismo. Porém, nos últimos anos, esse mesmo cidadão tem sentido a ausência do turista nos pontos turísticos da cidade, e, em muitos casos, está desempregado por causa disto. Milhares de pessoas estão desempregadas com o desaquecimento da atividade, com esse turismo de festas esporádicas. Os maiores centros turísticos do mundo não vivem de festas! Há muita desinformação – e até preconceito! – sobre o Turismo Receptivo, que é o segmento da atividade especializado em receber o turista, com logística, informações, idiomas, etc.

O cidadão baiano que compra um pacote de viagem para qualquer destino se torna um turista, e espera ser recebido com profissionalismo, qualidade e segurança. E os turistas que compram pacotes em diferentes lugares do Brasil ou do mundo para vir a Salvador, esperam o mesmo. Mas, muitas operadoras do país ou do exterior deixaram de vender a cidade – perguntem a seus parentes ou amigos que vivem fora! – ou desestimulam a compra, alegando sujeira, ruína, assédio, roubo, trânsito etc. Arrocha? O que é isso?

Brasileiros e estrangeiros querem vir a Salvador, sim, mas, para isto, ela tem que ser preparada, limpa, iluminada, segura, ser agradável. Não basta ser bonita ou famosa, nem são as bandas que se veem em qualquer lugar do Brasil, desconhecidas no exterior, que irão incrementar o turismo da cidade. Nem a cadeia produtiva se sustenta com cinco dias de réveillon ou seis dias de carnaval! Só os parceiros da Prefeitura, produtores culturais, artistas e donos de camarotes conseguem passar o resto do ano sem trabalhar com o que ganham em festas! Definitivamente, o turismo não precisa de festas!

Para piorar, além dos seis dias perdidos com o Carnaval que inviabiliza o transito numa região imensa do seu entorno e impede a venda de passeios, agora o Turismo tem mais cinco dias de transtornos com o réveillon mais longo do país. No dia 30 de dezembro, por volta das 19 horas, um guia de turismo que acompanhava uma família de franceses, viveu momentos tensos no trecho entre o Moinho Salvador e o acesso ao Túnel Américo Simas. Havia um engarrafamento gigantesco, e não se sabia quem era flanelinha e quem era bandido, já que não havia identificação em todos, nem havia iluminação adequada e policiamento no lugar. Afinal, arrastão tá na moda! Os turistas não iam para a festa, não se metem nesses ambientes, nenhum profissional de turismo oferece festas em vias públicas de Salvador!

Tem causado constrangimento aos turistas que passam pelo Comércio nessa época o contraste entre a suntuosidade do palco e camarotes, e as ruínas dos prédios, os indigentes e dependentes químicos, e os catadores de lata. É justamente o centro de Salvador que passa a impressão de cidade suja, desagradável pelo assédio e hostilidades de vendedores e pedintes, e perigosa, sim! As ocorrências são muitas, diárias e encobertas pelo Governo do estado, Prefeitura e imprensa. A constatação de abandono pelos poderes público é imediata, e os comentários circulam no Brasil e no mundo. Um grupo de pouco mais de 120 portugueses veio passar o réveillon na Praia do Forte, e apenas 30 quiseram fazer um passeio pela cidade. Festa, nem pensar!

A mobilidade de turistas – e baianos! – em Salvador também chegou a um ponto insuportável, questionável, digno de atenção do Ministério Público. A Prefeitura privatizou todos os espaços públicos, entregou-os a pessoas que deveriam trabalhar em outras atividades, não há parada regulamentada para carros de turismo em todos os atrativos, e o policiamento ostensivo da Transalvador, muitas vezes grosseiro, já chamou a atenção dos turistas. Há um exército de cata multas no Aeroporto que tratam motoristas com muita falta de educação! Além disso, a Prefeitura corta o transito onde e quando quer, sem dar satisfação a outras pessoas que precisam circular, trabalhar, ir a hospitais, ou simplesmente acessar suas casas. Ou passear!

O mesmo guia de turismo citado acima se sentiu achacado pela Prefeitura ao ser multado por alguns minutos a mais na Zona Azul, no porto da cidade. Tem que haver outra maneira de administrar isto, cobrar o excedente, não multar simplesmente, R$ 200,00, e ainda por cima considerar ‘falta grave’. O transporte de turismo da cidade foi regulamentado, foi uma boa iniciativa para a profissionalização, os carros estão identificados, mas não há vagas para automóvel de turismo no Aeroporto, no Pelourinho, ou em outros lugares. A Transalvador tem sido um desagradável ator social!

Estas e outras ações simples e objetivas são o que o turismo receptivo da cidade precisa, não de festas. Há 10 anos Governo e Prefeitura mobilizam milhões para festas, trocam farpas, e fingem que a recuperação física e social do Pelourinho, centro de convenções e segurança, não são problemas deles. É notória a falta de profissionalismo institucional no Governo do estado e na Prefeitura, ambos responsáveis por partes do circuito turístico. Mas, também a malandragem de pseudos gestores do Turismo e patrocinadores de campanha que ganham com congressos, resorts, cruzeiros e festas, ou tem interesses imobiliários que ficam claro quando estoura escândalos como o recente. Com isto, a cidade vai perdendo parte da sua história, memória, encanto e turismo.

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 28/09/2016

27 de setembro de 2016 – dia triste para o turismo de Salvador

*José Queiroz

 

27 de setembro é o Dia Mundial do Turismo, e neste ano a cidade está a cinco dias da eleição para novos gestores, mas nenhum candidato apresentou um plano objetivo para a atividade. O Centro Histórico está desmoronando e perigoso, e para completar a ruína do setor, o Centro de Convenções desabou parcialmente e o Governo do estado anunciou nesta data sua demolição definitiva. Infelizmente, não há o que comemorar!

Não se sabe quando haverá outro, pelo menos enquanto Rui Costa, PT, for governador da Bahia e ACM Neto, DEM, for prefeito de Salvador. Os dois negligenciaram completamente a principal atividade econômica do município, viraram as costas para o Pelourinho, não dão importância para a segurança do circuito turístico, e travam uma guerra inútil de realizações populistas, acusações e publicidade.

Nenhum dos dois governos, ou seus partidos e aliados, têm conhecimento, programas ou responsabilidade institucional com a atividade que até pouco tempo sustentava centenas de milhares de pessoas na Bahia! Na capital, vitrine para ambos, eles estão à mercê dos empreendedores do setor, notadamente do segmento de turismo de eventos, que insistem na necessidade do centro de convenções. É compreensível, pois é possível ganhar muito dinheiro numa única convenção, como se ganha nos camarotes de carnaval. E turismo cultural ou náutico, e a cadeia produtiva, que se danem!

Há iniciativas, sim, porém pontuais e inúteis para recuperar o fluxo e as posições perdidas nos últimos anos. Os principais gargalos – aeroporto, Pelourinho, centro de convenções e segurança – realmente são responsabilidades do Governo do estado, entretanto, não só dele. Nem o retorno de Paulo Gaudenzi há 3 anos, com a criação do Salvador Destination, conseguiu reunir interesses, projetos e recursos para necessidades básicas de qualquer segmento de turismo. Há planos, mas para futuro incerto. Por enquanto, a primeira capital do Brasil, terra de gigantes da cultura nacional, tenta atrair turistas com as maiores expressões da cultural local atual: cantores de axé!

Acontece que a cidade vem perdendo operadores, turistas, postos de trabalho e renda desde 2007, quando Jaques Wagner suspendeu a recuperação do Centro Histórico e o Centro de Convenções ainda funcionava, mas o Convention Bureau e agências locais desviaram eventos para o Litoral Norte, principalmente Costa do Sauípe, onde foi construída a Arena Sauípe. Funciona, mas não é o ideal! Simplesmente porque as empresas e pessoas querem visitar os atrativos onde realizam ou participam de eventos, e o Pelourinho está longe daquele lugar e abandonado! Salvador poderia ter o melhor centro de convenções do mundo, mas as seguradoras de viagens não querem expor seus clientes à indigência e delinquência do seu centro histórico.

É desculpa, desinformação ou ingenuidade culpar apenas o Governo do estado, pois este já se sabia que não trabalha pelo turismo na capital nem no estado. E a Prefeitura tem responsabilidades, sim, com o turismo da cidade, com as praias, com o Pelourinho, com os eventos! Se mobilizasse metade dos recursos que mobiliza para festas já teria retirado muitos indigentes daquela área, e se pusesse metade da Guarda Municipal para trabalhar nos atrativos, daria mais segurança a todos. Uma das principais reclamações do turista em Salvador são o assédio, agressão verbal e outras hostilidades de vendedores de rua, mas a Prefeitura não tem conhecimento ou não consegue resolver isto.

Passaram-se quatro anos e o Prefeito, Vice-prefeita, vereadores – com honrosas exceções! – e secretários, querem votos, inclusive do pessoal do turismo da cidade, que não é pouco, pois ainda há milhares em hotéis, transportes, agências, lojas e restaurantes, e nos atrativos. Gestores que passaram quatro anos saltando sobre montes de merda no centro da cidade, ‘desviando dos sacizeiros’, dando esmolas, convivendo com o puteiro bizarro na Praça da Sé e com César, um louco que dá pedrada, tenta queimar a cara das pessoas com cigarro, e costuma mostrar sua genitália quando surta. Fizeram mil festas, mas não conseguiram pintar a lateral da Catedral Basílica nem fazer nada pelos azulejos do São Francisco! Mas querem votos para mais quatro anos!

O turista que ainda passa por aqui lamenta ver a bela fachada da encosta onde está o Elevador Lacerda, desfigurada. Há outra tragédia anunciada: o desmoronamento da Casa dos Azulejos na Praça Cairú, apesar da promessa de reforma. A irresponsabilidade do Governo da Bahia e Prefeitura de Salvador têm sido tão grande que resultou em denúncia na UNESCO, seção Brasil, mas ninguém consegue sensibilizar os organismos de defesa e gestores do patrimônio histórico cultural da região, muito menos os populistas e acomodados gestores políticos. Cultura não dá voto, miséria, sim!

É triste, mas é reversível, pois Salvador é um destino consagrado e querido! E destino cultural, não apenas de eventos. Ao contrário, os eventos precisam da cidade e seus atrativos, e de segurança. Essa geração de gestores públicos que está aí, políticos e civis, é responsável pela ruína de parte considerável do Patrimônio da Humanidade, do turismo e da economia da cidade, sendo responsáveis diretos pelo desemprego e violência! Portanto, senhores candidatos, ainda está em tempo de pensar e, pelo menos, mencionar intenções concretas, responsáveis e sustentáveis para o turismo de Salvador!

*José Queiroz é guia de turismo

Turismo de Salvador fora dos planos do Governo da Bahia e da Prefeitura

José Queiroz*

 

O Aeroporto, o Centro de Convenções, o Pelourinho e a segurança são responsabilidades do Governo da Bahia, mas, desde 2007, a falta de interesses no Turismo, investimentos e profissionalismo, agravados por políticas equivocadas e inúteis para o setor, tirou a cidade da rota de muitas operadoras nacionais e estrangeiras.

Some-se a ruína dos hotéis da cidade, causada pela falta de fluxo e manutenção dos últimos anos, e o completo descaso da Prefeitura pela situação social do centro da cidade, onde estão bairros históricos, monumentos e instituições que são âncoras do turismo da região entre Mangue Seco, Recôncavo, Salvador e Morro de São Paulo. Mas que não podem ser visitados tranquilamente por causa do assédio, hostilidades de vendedores, extorsão de falsas baianas, mendigos, drogados e ladrões.

E o Brasil e o mundo sabem disso! Mas, Rui Costa, PT, governador da Bahia, e ACM Neto, DEM, prefeito de Salvador, permanecem indiferentes, trabalhando de olho nas eleições, tapeando o setor, investidores e contribuintes com reuniões, ‘visitas técnicas’, promessas, anúncios de jornais e obras aleatórias, desconectadas, sem resultados práticos. E não tem adiantado os protestos recentes de instituições do setor, pois o Governo do estado não dá continuidade à recuperação do Centro Histórico, vital para o turismo cultural e para a economia do município, nem a prefeitura da cidade se esforça por aquela área. Talvez quando – e se! – o prefeito se tornar governador!

É lamentável o desprezo dos dois governos, de todos os partidos políticos, da Justiça e da imprensa pelo Pelourinho e pela cultura, turismo e economia da cidade, especialmente nesse momento de alta taxa de desemprego! E a falta de iniciativas e mecanismos que os protejam. E sabemos por quê! Agora está mais claro como as instituições têm sido manipuladas por ideologias, parcerias público/privado, financiamentos, mensalões, aparelhamentos e falsos defensores públicos!

O Governo da Bahia ganha fácil – ou ganhou! – das minas, do petróleo, das grandes obras e dos impostos, inclusive do turismo no estado. Mas o dinheiro vai para programas sociais incipientes, para o projeto de poder do seu partido, o PT, ou para o bolso de dirigentes partidários e para corruptos de empresas estatais e seus parceiros privados. E a prefeitura está satisfeita com o show business, que diz ser pelo turismo da cidade, e que gera ‘empregos temporários’, além da arrecadação de impostos e taxas cada vez mais altas. É criminoso o abandono do Pelourinho, patrimônio da humanidade!

Há um clamor pela recuperação do centro de convenções da cidade, obra simples se comparada com a restauração do Centro Histórico, suposta salvação do turismo local. Mas não é verdade! Salvador precisa das duas obras, mas o que traz o turista à cidade são sua história, seu povo e suas tradições. Se houvesse um centro de convenções novinho em folha e o mesmo assédio e número de assaltos no Centro, o turista deixaria de vir do mesmo jeito! As empresas e organizadoras de eventos precisam de motivo para trazer e incentivar seu público, como o Pelourinho, infraestrutura, como o hotel, e segurança! O resto é mais maracutaia de parceiros privados do Estado que pensam fazer montanhas de dinheiro numa convenção, como fazem os parceiros da prefeitura com as festas, e deixar a cadeia produtiva ao Deus Dará!

A incapacidade do Brasil em reconhecer as benesses do turismo interno é conhecida mundialmente, e é reflexo da falta de representação política profissional do setor. Por isto não se escuta um parlamentar municipal, estadual ou federal levantar a voz em defesa da atividade, um movimento local ou nacional questionando as políticas do setor, e Salvador e a Bahia não são diferentes. Em Salvador foi criada uma secretaria super abrangente, Turismo, Cultura e Desenvolvimento, mas a meritocracia não tem lugar nessa estrutura. Nelson Pelegrino, secretário de turismo da Bahia, é caso para estudo!

A conclusão óbvia é que os interessados, investidores e contribuintes que estiverem fora do círculo do Governo do estado e da Prefeitura aproveitem este momento de mudanças políticas no país e se mobilizem por uma representação autêntica e preparada para interagir com esta estrutura de Estado. E que coloque o Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, a Cultura e o Turismo como elementos vitais para a economia do município e sobrevivência física e cultural do povo baiano, e do Brasil, já que, além de tudo, o Pelourinho é um dos principais atrativos do país, âncora para atrair turistas que estendem suas visitas ao interior do estado e a outras cidades do Brasil.

*José Queiroz é guia de turismo

Carnaval pode ser bom para o Turismo, mas longe da Barra e de Ondina!

José Queiroz*

 

Desde que surgiu a opção de carnaval entre os bairros de Ondina e Barra, a alegação de que é bom para o turismo de Salvador tem se repetido, e é falsa. É bom, sim, para os mesmos hoteleiros que passam o resto do ano se queixando da falta de turistas por negligência do Governo do estado e da Prefeitura da cidade das necessidades básicas da atividade turística. O que levou alguns deles a fechar as portas, como o Salvador Praia e o Pestana.

Contraditoriamente, depois que requalificaram, profissionalizaram e comercializaram o carnaval da cidade, o Turismo só encolheu, não correspondendo aos números mirabolantes das estatísticas apresentadas para leigos. Não há turistas no Carnaval! Ao contrário, a festa se tornou um suplício para a cadeia do Turismo Receptivo, que são as agências, guias de turismo, transportadores, lojas especializadas, etc., já que, por duas semanas, os hotéis ficam mais caros e as operadoras não vendem pacotes regulares. Guias de turismo são obrigados a trabalhar – e barato! – para o Governo do estado, por falta de trabalho!

Obviamente, a festa serve para expor a cidade, muitos foliões se encantam e tendem a voltar. Neste último Carnaval a cidade estava mais bem cuidada, as obras realizadas pela Prefeitura repercutiram no país, foram vistas pelos visitantes e elogiadas. Algumas instituições e equipamentos continuam encantando, como os Filhos de Gandhy e os luxuosos camarotes. E os foliões gostariam de encontrar mais grupos ligados à cultura baiana, porém, muitos blocos estão descaracterizados e  causando polêmica nos últimos anos, no Brasil inteiro, já que músicos e músicas destoantes ou medíocres têm sido uma imposição crescente.

Mas, é a mobilidade e a segurança, principalmente no retorno para o hotel, que preocupam e tem levado muita gente a desistir da festa. O acesso a alguns camarotes é terrível, feito através da multidão, não raro enfrentando ladrões, ladronas, bêbados e vândalos que andam espancando as pessoas mais que nunca. O problema começa com o difícil deslocamento hotel/bloco/camarote/hotel! As pessoas precisam andar muito, ficam expostas à violência e a transportadores como taxistas, que precisam ser disciplinados e mais fiscalizados nos próximos carnavais, pois envergonham, estão entre os piores vilões do carnaval de Salvador!

Definitivamente, o Carnaval Barra/Ondina prejudica mais do que beneficia ao Turismo! Essa estrutura precisa ser deslocada para outro lugar, e o Carnaval ser apenas uma opção nessa época. Os mesmos transtornos que afetam aos moradores dos dois bairros, afeta ao turista desavisado, impossibilitado de andar tranquilamente pelas ruas, de visitar monumentos, ou de contratar uma excursão regular, já que elas não operam na região durante a festa. E ainda aos profissionais de turismo que, mesmo com acesso livre, não chegam nem perto dos hotéis. Imaginem entrar ou sair dos hotéis Othon ou Vila Galé durante o Carnaval! A localização da festa é arbitrária e inconstitucional.

O carnaval do Pelourinho serve muito mais aos interesses da indústria turística, e este ano houve bastante banda, faltou melhor coordenação das apresentações e desfiles para que não houvesse intervalos grandes entre um e outro. Tanto o Pelourinho como o Carnaval precisam urgentemente que o Governo do estado e a Prefeitura de Salvador superem suas divergências políticas, convençam seus parceiros econômicos, e trabalhem para recuperar um, e transferir o outro. Seguramente, o turismo de Salvador precisa dos dois, porém, muito mais do Pelourinho. Afinal, os milhões arrecadados pelos camarotes no Carnaval, não vão beneficiar ao Turismo, mas o dinheiro arrecadado com este tem servido para o Carnaval!

*José Queiroz é guia de turismo

Governo da Bahia e prefeitura de Salvador devem construir centro de convenções

José Queiroz*

 

O governador da Bahia, Rui Costa, PT, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, DEM, decidiram que festas é mais importante para Salvador do que um centro de convenções. O governador, que é responsável pelo atual centro de convenções completamente arruinado pela negligência do anterior, Jaques Wagner, não cumpre sua obrigação e sua palavra, como é comum no seu partido, e o prefeito finge que não é com ele, apesar da cidade arrecadar quando o equipamento funciona plenamente, através de gastos e notas em hotéis, restaurantes e lojas, entre outras receitas.

É público e notório o quanto estes dois entes se empenham em gastar com eventos e shows repetitivos e cada vez maiores, enquanto as economias do país, do estado e da cidade definham. Também é notório – e muito bem vindo! – o esforço de ACM Neto em recuperar a cidade, mas, seguramente, se ele tivesse o mesmo empenho para recuperar a economia do município, sobraria muito mais dinheiro para suas obras, e o cidadão não teria que paga-las com impostos elevados, taxas públicas abusivas, ou com a perseguição implacável aos condutores de veículos, que ainda são proibidos de circular no fim de semana em algumas áreas, como se todo cidadão tivesse o ritmo de trabalho dos servidores públicos. E a mobilidade do turismo que se dane!

Mas, o pior: quando Rui Costa, o governador que quer a CPMF e a taxação das fortunas, paga quase R$ 1 milhão para Ivete Sangalo e Bell Marques, e a Prefeitura paga R$ 300 mil para um tal Wesley Safadão cantar no Reveillon, entre outros patrocínios generosos durante cinco dias no final do ano e 10 dias de festas no período de Carnaval, a cidade e o cidadão perde alguma coisa. No mínimo, milhões da saúde, da educação, da segurança e da geração de empregos que, seguramente, é o que mais interessa. O que os dois entes gastam nestas festas, daria para construir um centro de convenções e recuperar o turismo, principal atividade da cidade. Também poderiam economizar na publicidade milionária que fazem do cumprimento de suas obrigações!

Ainda há muita desinformação sobre o Turismo, inclusive nos governos federal, estadual e municipal, e a falta de profissionais envolvidos com o conjunto da atividade – e não apenas com seus negócios e parcerias nefastas para a sociedade – a politicagem incompetente, e a manipulação de dados pela imprensa serviçal, são os responsáveis pela ruína do turismo em Salvador. Vender pacotes não é o que interessa para as cidades! Cruzeiros não sustentam a cadeia produtiva! Festa não traz turista! E tanto o Pelourinho, como um centro de convenções, são responsabilidades de todos os governantes. Profissionais do setor e cidadãos em geral precisam interferir nessa divisão de responsabilidades absurda que encolhe o Brasil, enquanto o patrimônio de gestores e de seus parceiros e negócios escolhidos, só fazem crescer!

Turismo é uma atividade muito mais abrangente do que muitas pessoas imaginam. Está diretamente relacionado com a história e a memória dos povos, e Salvador tem o Pelourinho e Jorge Amado, entre outros atrativos. A cidade perde milhões – ou bilhões! – por ano, por falta do serviço de praia e turismo náutico profissional. E a ausência do centro de convenções contribuiu com a redução do número de eventos de negócios e de visitantes, e a consequente falência de hotéis, agências, transportadores e outros negócios. O caso mais recente e emblemático é o fechamento do Hotel Pestana, equipamento grande, conhecido, e que gerou muita renda para os mesmos partidos que assumiram governo da Bahia e prefeitura de Salvador, que, porém, desviam as rendas geradas no setor para negócios amigos ou assistencialismo, que está na moda.

O Turismo é outra atividade vítima do Estado brasileiro atual, autoritário, incompetente e desonesto, onde a meritocracia foi substituída pelos cargos comissionados e compadrio, e a função de gerir os interesses básicos da sociedade deu lugar ao lucrativo negócio eleitoreiro do assistencialismo inútil para o conjunto do país. Em Salvador já foram gastos bilhões em festas desde 2007, enquanto o Pelourinho, principal atrativo, que já demonstrou entre 1991 e 2006 o quanto pode atrair de visitantes e incrementar a economia do município – e do estado! – desaba a olho nú. Estranhamente, o ‘excelente’ prefeito atual não usa as leis para fazer o que o governo do estado não faz na cidade, preferindo esperar a possível eleição para tal.

Enquanto isto…circo para o povo…e pão só para governantes e parceiros!

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 07/12/2015

As veias da Chapada Diamantina continuam abertas…e sangram!

As veias da Chapada Diamantina continuam abertas…e sangram!

José Queiroz*

 

 

Quase 50 anos depois da publicação do clássico As veias abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, 1970, poucas pessoas do continente conhecem o livro ou essas ‘veias’, duas delas na Bahia: Recôncavo Baiano e Chapada Diamantina. As veias abertas por espanhóis e portugueses para produção ou procura de riquezas, passaram para os grupos nacionais depois da independência, e estes continuam explorando estas regiões em parcerias com grupos econômicos de dentro e de fora como se fossem reservas suas. São os neo colonizadores, alheios ou indiferentes às necessidades locais.

O Recôncavo Baiano, que produziu açúcar e tabaco por 300 anos, segue produzindo petróleo e gás, e a Chapada Diamantina tem reservas ainda imensuráveis de minerais preciosos ou estratégicos – diamante, esmeralda, ouro, minério de ferro, urânio, cobre, barita, níquel, tálio, etc. – e produz riquezas desconhecidas de sua população. Os moradores de Maracás não sabem que produzem o melhor vanádio do mundo, para fabricação de ligas de alta resistência usadas em foguetes, materiais cirúrgicos, etc., com a geração de mais de R$ 300 milhões em receitas anuais. E o povo baiano não teve tempo de conhecer o escândio, mineral valiosíssimo descoberto recentemente na Bahia, e já explorado por russos. Para onde vai o lucro dessas produções?

Recôncavo Baiano e Chapada Diamantina são conjuntos de municípios, e duas das regiões mais pobres do Brasil, social e culturalmente! Cada uma tem cerca de 30 cidades e centenas de povoados pessimamente conectados, poucas escolas e faculdades distantes, não há investimentos para o turismo, faltam equipamentos e logística para cuidar do meio ambiente, a rede hospitalar é precária, há problemas de telefonia, desemprego e insegurança. No Recôncavo tem pessoas que trabalham em fazendas para comer e dormir, e na Chapada, para visitar no mesmo dia dois dos mais conhecidos atrativos naturais, Poço Encantado e Poço Azul, é preciso percorrer cerca de 100 km de estrada de chão. As famílias da região, além de perder suas riquezas, perdem seus filhos para os grandes centros, onde o Estado, a elite econômica e cultural, e a imprensa, refastelam-se com os tais lucros e ganham para fingir interesse pelo interior do país.

Andaraí, um dos maiores e mais ricos municípios da Chapada Diamantina, famoso pela produção colonial de diamantes no entorno de Igatu, teve permissão recentemente para o funcionamento de novos garimpos. E, por isto mesmo, corre o risco de cair nas garras de um conhecido forasteiro e aventureiro da Bahia, capitão de um dos partidos que lotearam as riquezas do país, e que tenta alavancar a candidatura da mulher à prefeitura local com as conhecidas festinhas e promessas que nunca cumpre. Entretanto, o município e sua linda e acolhedora sede, de gente simpática e trabalhadora, com altíssimo potencial turístico – história, memória e atrativos naturais – não recebe apoio e investimentos para o turismo pelo Governo do estado, do mesmo partido do tal aventureiro. O lugar é mais rico em atrativos que Lençóis!

O Recôncavo Baiano e a Chapada Diamantina são conhecidos mundialmente pela história e potencial turístico, e possuem diversos atrativos autênticos, da história à natureza, incluindo comidas e festas. São alegações constantes de gestores públicos e seus parceiros privados para contratação de empréstimos em bancos nacionais e estrangeiros, infelizmente, desperdiçados ou desviados de seus objetivos nos últimos anos, ou devolvidos pela incapacidade do governo atual do estado de apresentar projetos. Urge uma ligação mais rápida entre a Chapada Diamantina, Salvador e outros polos emissores de turistas, e investimentos em Andaraí, pela diversidade e proximidade de muitos dos famosos atrativos da região. Há uma quantidade surpreendente de cachoeiras, poços e rios ao redor, e segundo Dionia, uma simpática moradora do lugar, quem se banha ali, se apaixona!

Entretanto, o trade da capital e dessas regiões, e gestores públicos de turismo, leigos, limitam-se a seus clientes individuais ou a arrecadação de impostos, desconhecendo ou ignorando o conjunto da atividade e sua relação com a sociedade, exibindo conhecimentos, credenciais, e ‘saber’ e ‘ter’ inúteis. Ou pior, por desinformação, dependência ou covardia, não cobram as devidas ações do Estado, preferindo canibalizar os poucos turistas interessados através de acordos com operadoras e gestores públicos, associações, monopólio de hotéis, taxas, fiscalizações, etc. Há mais dinheiro circulando atualmente no turismo interno do Brasil para discutir e montar esses esquemas que com a preparação dos destinos e captação de turistas. Afinal, para o governo atual e seus parceiros privados, ‘é tudo deles e nada nosso’!

*José Queiroz é guia de turismo e diretor institucional da Astteba, Associação de Transportadores Turísticos do Estado da Bahia

 

Governo do PT não cumpre obrigações e promessas com praças do Pelourinho

José Queiroz*

 

O governo do PT na Bahia, mesmo com o apoio do governo federal, não deu continuidade a reforma do Centro Histórico de Salvador que estava em andamento em 2007, quando Jaques Wagner assumiu. Nem foi capaz de executar a reforma que o mesmo projetou, tendo executado obras aleatórias e inúteis para alcançar os objetivos culturais, turísticos e econômicos possíveis e viáveis no lugar. Ao contrário, devolveu muita verba por falta de continuidade dos projetos.

No próximo dia 15 de dezembro vence o prazo para utilização da verba de R$ 5 milhões para reforma da Praça do Reggae e instalação do palco móvel que, junto com a obra da Vila Nova Esperança, antiga Rocinha, no fundo da antiga Faculdade de Medicina, são os mais emblemáticos exemplos de improbidade administrativa, incompetência e má fé, na gestão do patrimônio histórico e do dinheiro público! Obras conhecidas, comentadas, prometidas, cobradas pelo cidadão contribuinte e instituições com interesses ali, não foram concluídas, permanecem isoladas para o acesso do público comum, e o governo atual também não demonstra interesse em realiza-las.

Nelson Pelegrino, atual secretário de Turismo da Bahia já estava envolvido com o centro histórico e o turismo da cidade no governo Wagner, sempre repetindo a cantilena de que governos passados eram responsáveis pelos ‘descalabros’ ali, apesar de toda a comunidade cultural e turística ter presenciado a obra e a melhoria promovidas por governos anteriores, e a decadência com o governo petista. O Patrimônio da Humanidade é responsabilidade do governo do estado, e quem deve cuidar daquilo é a secretaria de Cultura, mas o Turismo é a principal alegação para prometer, apresentar o primeiro projeto, captar verba, e fazer propaganda enganosa! Estranhamente, nem os promotores de justiça do município, nem tribunais de contas, nem a imprensa baiana, ‘sabem de nada’!

Outras praças estratégicas para as atividades culturais e turísticas no Pelourinho, como a Quincas Berro D’água, Tereza Batista e Pedro Archanjo, também receberam promessas e projetos de requalificação há muito tempo, que tampouco saíram do papel e envergonham a cidade, tal o estado precário. A Praça da Sé, portão de entrada do lugar, é emblemática: puteiro decadente, antro de ladrões, depravada, inútil para a sociedade, horrível! Praça Castro Alves, com monumentos preciosos no seu entorno, como a igreja da Barroquinha, Mosteiro de São Bento e Museu de Arte Sacra, é um lugar proibido para baianos e turistas, devido à alta delinquência do mesmo entorno.

Nove anos de governo do PT se passaram, a reforma parou, muitos casarões desmoronaram, outros estão irrecuperáveis, muitos invadidos por indigentes e bandidos, e os órgãos de defesa do patrimônio e da sociedade permanecem cegos, surdos e mudos, inclusive para a venda de parte do Patrimônio da Humanidade. Enquanto isto, o Governo da Bahia promove eventos e reuniões sucessivas para discutir o lugar – se ganha dinheiro com isto também! – faz promessas e gasta mais com propaganda que com obras, e com o aval de pseudos socialistas, técnicos e representantes de instituições aparelhadas para dizer amém para tudo.

 Tudo que o Centro Histórico precisa para sobreviver e auto sustentar-se, e trazer o turista de volta para Salvador, é a desocupação e recuperação dos casarões e segurança. Porém, a insistência de petistas e coligados no discurso socialista, inclusivo, paternalista – apesar do fracasso deles também! – é o maior problema do lugar! A ignorância cultural e subestimação das redes sociais não permitem a candidatos compreender a real dimensão dos problemas causados pela ganância e irresponsabilidade de partidos e de políticos, tampouco o tiro no pé que é desdenhar o Pelourinho!

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 26/10/2015

Salvador não está preparada para o aumento do fluxo de turistas

Salvador não está preparada para o aumento do fluxo de turistas

José Queiroz*

 

O turismo receptivo de Salvador mantém uma contradição emblemática: reclama da falta de turistas na maior parte do ano, mas não se prepara para os momentos de pico. O que desagrada operadoras e turistas individuais e diminui o número de visitantes ano após ano. Entenda-se por turismo receptivo de Salvador o conjunto Estado/Prefeitura/Trade, que, a bem da verdade, trabalhou bastante em 2015 para recuperar a cidade e o fluxo, mas os equipamentos e a logística necessária não estão prontos para atender a muitos turistas. Não basta ser bonita, famosa e divulgada.

Os problemas começam pela mobilidade, do desembarque no aeroporto – capítulo a parte – ao estacionamento no Pelourinho. Baianos e turistas andam espremidos e lentamente em Salvador no que sobrou de pista depois das faixas de ônibus e ciclovias. E sob o chicote da Transalvador, que não aceita o diálogo, mesmo com quem trabalha nas ruas e precisa parar nos atrativos e equipamentos turísticos. A mobilidade do turismo é completamente ignorada quando se trata de promover eventos em praça pública, agora agravada pela proibição do trânsito em algumas vias, como no Farol da Barra, inclusive inviabilizando alguns passeios turísticos. Principalmente no Carnaval, quando é impossível passear pelos famosos atrativos da cidade.

O Pelourinho gostaria de receber mais visitantes, baianos e turistas, mas estacionar é um dos maiores empecilhos! Nos momentos de pico do turismo, ou em grandes eventos, muitos visitantes alugam carros, e o Centro Histórico é o principal interesse. Porém, não há vagas ou segurança no acesso suficientes, não há material nos hotéis orientando como chegar e estacionar no lugar, a sinalização não é específica, e os espaços do Comércio, Santo Antônio e Baixa dos Sapateiros são subutilizados. O acesso principal, pela Rua Chile, é um dos mais vergonhosos dos atrativos do Brasil. Flanelinhas mal encarados e agressivos assustam e praticam extorsão escancarada, desestimulando qualquer cidadão de deixar seu carro ou voltar ali.

A temporada se aproxima e, justo agora, o Governo do estado começou uma obra entre o Mercado Modelo e o Terminal Turístico que, espera-se, seja concluída. Se não, o acesso a esses lugares será tão vergonhoso como na Rua Chile e Aeroporto, locais em que circulam milhares de turistas atentos e críticos que, entre outros canais, utilizam as redes sociais para enaltecer ou desaconselhar um destino. O caso do Terminal Turístico é crônico e emblemático, pois ali está o reflexo da falta de conexão entre os órgãos responsáveis pelo turismo da cidade. O mesmo vale para o Porto na temporada de cruzeiros, onde centenas de motoristas clandestinos e taxistas disputam no grito os clientes que, muitas vezes, preferem não sair.

Aliás, Salvador, cidade ensolarada, com mais de 50 quilômetros de praias, banhada em parte por uma das mais famosas baías do mundo, não leva a sério o turismo de praia ou náutico. Apesar da excelente reforma da Orla realizada pela prefeitura, o turista não terá onde desfrutar das praias da cidade nos fins de semana, pois Flamengo e Stela Mares ficam congestionadas, e Piatã não oferece segurança. A solução seria quiosques, duchas e a Guarda Municipal na Barra e em Jaguaribe. Ilha dos Frades ganhou Bandeira Azul – atenção Prefeito, o atracadouro de Frades não ficou pronto e isto está causando problemas! – mas o passeio de escuna precisa de apoio institucional para atualizar-se, e Itaparica ainda pode dar muito prazer aos turistas. Atenção com Itaparica, srs. gestores!

Há muitas outras coisas a fazer, como novos hotéis, mas os antigos e os restaurantes deveriam oferecer recepcionistas e cardápios para o grande e importante fluxo sul americano, de língua espanhola, captados e mal atendidos em Salvador e em outros atrativos da Bahia. É preciso fiscalizar os serviços que são oferecidos nos hotéis a este público. As agencias de receptivo também precisam atualizar seus roteiros, oferecer aquilo que o turista procura, como a Casa do Rio Vermelho, do Jorge Amado, turismo religioso – Candomblé, Irmã Dulce, Mansão do Caminho, etc. – a cidade de Cachoeira, os museus, etc. Mas, o lugar que precisa de intervenção urgente, de um mutirão para reorganizá-lo, de profissionais de fato, é o aeroporto de Salvador!

O caótico aeroporto da cidade, em fase de transição do público para o privado – desculpa para ninguém se entender sobre nada – precisa viabilizar urgente o embarque dos usuários em veículos, do contrário, esta deverá ser a pior temporada da história do equipamento, pois a pista de embarque está reduzidíssima em função da obra que se arrasta há anos. Ocorre que a Infraero vendeu muito espaço para as cooperativas de taxis Comtas e Cometas, que tomam metade do espaço disponível para isto, e agora colocou a Polícia Militar e a Transalvador para garantir a exclusividade delas, multando carros até no interior do estacionamento! Com a desculpa de combater clandestinos, estes órgãos expulsam ou multam qualquer um que se estender um pouco mais no embarque de passageiros e abordam motoristas ‘suspeitos’ no saguão de desembarque, enquanto os taxis dessas cooperativas infernizam a vida de quem circula por ali, baianos e turistas, que queiram taxis ou não.

Carros e motoristas de turismo têm um espaço exíguo reservado, longe do desembarque, mesmo assim proibido para automóveis, que atendem pessoas ou casais individuais, um serviço que é vendido largamente pelas operadoras do país e estrangeiras. Independente disto, contraditoriamente, o aeroporto de Salvador tem lugar para taxis de cooperativas, taxis comuns e locadoras, só não tem lugar para profissionais de turismo atender turistas, caso estes queiram um guia de turismo ou um passeio na cidade durante uma escala. Esta proteção aos taxis no aeroporto, hotéis e resorts da região está prejudicando outros atrativos, centros religiosos e culturais, e os próprios investimentos privados e públicos. Taxistas tomaram o lugar dos profissionais de turismo sem a menor condição de atender às expectativas e necessidades estudadas e conhecidas do trade do receptivo.

Salvador perdeu muito do seu fluxo nos últimos anos, é a sexta colocada hoje no ranking do país, e operadoras estrangeiras deixaram de vender a cidade. Mas, seu nome ainda tem peso na indústria turística, e as últimas iniciativas da Prefeitura e do trade já começaram a repercutir no Brasil e no mundo. Duas medidas recentes contribuíram para a boa imagem do receptivo da cidade: a regulamentação do exercício da profissão de guia de turismo e a regulamentação do transporte de turismo. Porém, é preciso que todas as instâncias do turismo da Bahia se juntem com a mesma determinação para corrigir as falhas, recuperar o turismo e seus negócios, e gerar os empregos, as rendas e o crescimento cultural que a cidade e o povo precisam. Afinal, o turismo depende deles!

*José Queiroz é guia de turismo

Pelourinho ‘fatiado’ entre Estado e ong’s que não resolvem seus problemas

José Queiroz*

 

 

A administração do Pelourinho, que está dentro do município de Salvador, é caso para estudo. Ali estão presentes, e têm obrigações, as três esferas de governo, porém, ninguém é responsável direto pelo seu funcionamento, necessidades e prioridades relacionadas com a cultura, o turismo, a cidade e o povo. Sem um responsável direto, cada esfera explora o título de patrimônio da humanidade, a fama, seus recursos e verbas como lhe convém. Principalmente para sustentar programas pretensamente sociais, gerar empregos para correligionários e captar votos!

O governo da Bahia não reconhece a necessidade de concluir efetivamente a reforma do Centro Histórico, que é sua obrigação, de desocupar os casarões arruinados e invadidos, de garantir o acesso e a permanência segura de quem depende do lugar, nem de apoiar as instituições responsáveis pela sobrevivência da cultura, do turismo, ou da economia. Ilude a todos os envolvidos reiteradamente com promessas, projetos estapafúrdios e dados forjados, mantendo a ruína e a miséria com o aval de centenas de ong’s que convenceram supostos moradores dessas ‘necessidades’, e que atrapalham qualquer tentativa de discussão e criação de uma representação efetiva do lugar. Essa gente explora a ignorância cultural de moradores, gestores e eleitores.

O Centro Histórico nunca foi apenas local de moradia, sempre foi zona comercial, de visitantes que, no início, vieram pelos negócios ou estudos, e depois comentaram a beleza da cidade pelo mundo, propaganda reforçada por Jorge Amado e uma legião de outras pessoas esquecidas. Os proprietários legítimos começaram a abandonar o lugar com a decadência econômica da região – causada pela mesma incompetência e preguiça da elite atual, que prefere vender os recursos que trabalhar para transformá-los! – e muitos casarões foram invadidos com a instalação do Polo Petroquímico de Camaçari. Claro que há moradores, herdeiros, proprietários, mas há muito invasor, oportunista, explorador do patrimônio histórico e das verbas públicas, manipulados por ong’s alimentadas com dinheiro público.

Há pobres vivendo ali como em toda a cidade e em todo o país. Também há pessoas necessitadas de apoio do governo, óbvio, mas este apoio tem que ser através da educação, da formação e da geração de trabalho, e não da atração e manutenção de todos os miseráveis da cidade naquele espaço, esta não é sua função. O Turismo é responsável por quase 30% do PIB de Salvador, o que equivale a mais de R$ 10 bilhões, e o Pelourinho é a âncora disso tudo, inclusive é um centro irradiador de turismo para outras cidades do estado e para o país. Mais isto tem sido reduzido drasticamente pela ruína física e social, por falta de gestão única, condizente e competente do lugar.

Há proprietários, moradores, comerciantes, artistas, religiosos, etc., com problemas relacionados com a reforma, mas muitos deles dispostos e engajados para encontrar a fórmula de manter e explorar o lugar pelo que ele é, centro histórico, cultural, turístico e comercial. Mas, a hostilidade de outros supostos moradores, “ongueiros’ ou dependentes, a todos que tentam fazer alguma coisa, ao Turismo, e até a ‘brancos’, já passou de todos os limites! Eles insistem nos ‘coitadinhos’ que, segundo eles, precisam viver ali, mesmo não sendo dali nem donos de nada, à custa do Estado. Segundo essa gente, o Estado teria que colocar todo o dinheiro necessário para a recuperação, para ações de ong’s, e entregar os casarões para os pobres que não iriam mantê-los. Depois o Estado colocaria mais para nova reforma, e todos os demais continuariam trabalhando para sustentar o Estado, ong’s e seus miseráveis profissionais, de aluguel ou fictícios!

Recentemente a comunidade resolveu agir e organizou o primeiro encontro para discutir tais problemas e formar uma frente para dialogar com os poderes públicos. O encontro foi patrocinado pelo Conseg – Conselho de Segurança do Pelourinho – cujo presidente é o David Costa, e Acopelô – Associação dos Comerciantes do Pelourinho – dirigida pelo Lenner Cunha, ambos incansáveis, eficientes e prestigiados líderes comunitários. De cara, uma proposta: governo único, especializado e municipal do Centro Histórico, já que ele pertence à cidade, à comunidade envolvida com ele, que o conhece e sabe quais são suas necessidades e prioridades! Sem ingerências e sem parasitas sociais!

*José Queiroz é guia de turismo e diretor institucional da Astteba – Associação dos Transportadores Turísticos do Estado da Bahia

 

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