Prefeitura pode melhorar Carnaval e mobilidade para turistas em Salvador

*José Queiroz

 

O Carnaval na região Barra/Ondina completou 20 anos e, desde o início, empreendedores, gestores públicos e imprensa à serviço do evento, falam de milhares de turistas, empregos e dinheiro gerados pela festa. Os tais turistas não passam de foliões e não beneficiam toda a cadeia produtiva da atividade, muito menos os atrativos do entorno de Salvador, como o turismo regular. Os empregos de seis dias só servem para sobreviver outros seis, e o tal dinheiro beneficia apenas o seleto grupo de empresários de bandas, blocos e camarotes que ganham dinheiro em seis dias para o resto do ano!

O evento é tratado como o principal atrativo da cidade no verão, porém, além de afetar o turismo regular, já que muitas operadoras não vendem a cidade nesse período, o Turismo não tem tido o mesmo tratamento privilegiado de artistas e convidados, com trânsito livre e escolta policial. Este ano a Prefeitura simplesmente negou a autorização de trânsito livre para condutores autônomos do turismo, que poderiam ligar os hotéis dos outros bairros ao circuito, e deixou os turistas entregues à imprudência de moto taxis e à ganância dos taxistas que – nas barbas da fiscalização! – recusam corridas curtas e andam em alta velocidade. O acesso e mobilidade em todo o circuito de carnaval de Salvador tem se tornado cada vez mais penoso, perigoso e desanimador!

Há muito tempo o espaço público foi restringido e privatizado no Carnaval para usufruto de instituições privadas que não fazem nenhum benefício à sociedade, ao contrário, utilizam largamente dinheiro público através dos patrocínios diretos e indiretos, que são deduzidos de impostos que serviriam para a saúde, educação, segurança e geração de empregos. E ainda interferem nos negócios e no direito de ir e vir, principalmente para quem mora ou trabalha entre Rio Vermelho e Pelourinho, como o pessoal envolvido com o turismo da cidade. E baianos e turistas ainda são obrigados a beber o que os ‘donos da festa’ decidem. Falta pouco para eles decidirem o que comer!

O excesso e a qualidade das parcerias público/privado ainda estão provocando a descaracterização e o esvaziamento da festa – pelos próprios baianos! – que estão fugindo para praias ou criando carnaval em outros lugares, como no Nordeste de Amaralina, afinal, a qualidade das atrações e os valores exorbitantes de blocos e camarotes inviabilizam a festa para nativos e visitantes. E o pior: a imposição de ritmos, cantores e bandas completamente desconectados do espírito carnavalesco da Bahia está desviando muita gente para o Rio de Janeiro, Recife e até São Paulo, onde o carnaval de rua está crescendo! E o turista de lazer que viaja nessa época procura destinos mais baratos, já que companhias aéreas e hotéis usam e abusam da fama de Salvador.

Há profissionais de ponta que defendem a ‘reformatação’ do carnaval da cidade, um lugar que substitua o circuito Barra/Ondina, o retorno às origens, com prioridade e incentivo – aí, sim! – à música local, como fazem Rio de Janeiro e Recife. Afinal, Salvador e o Recôncavo Baiano têm muitos talentos e manifestações que tem sido substituídos por outros – locais e forasteiros! – que não estão agradando. Eles não representam a história, a memória e as tradições do povo baiano, muito mais abrangente, narrativa, educativa, poética e dançante. Não é com gritos de “sai do chão”, “levanta a mão”, ou “sou barril”, que o Carnaval agradará ao baiano e ao Brasil!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Atrativos, monumentos e obras de arte em ruína prejudicam turismo em Salvador
José Queiroz*

 

O Pelourinho é o principal atrativo da cidade e vinha sendo recuperado desde o início da década de 1990, mas a obra foi interrompida em 2007 e não há como esconder dos turistas a ruína física e social do lugar. A decadência visível vem sendo mantida com promessas, anúncios de projetos aleatórios, a maioria não concluídos, ou esdrúxulos, como Palco Móvel, e falsas informações, como a cidade ‘lotada’ de turistas, o que só acontece em dia de navios de cruzeiros, e apenas no verão. O governo de Jaques Wagner suspendeu a obra iniciada no governo anterior, gastou milhões em novo projeto que está engavetado, mas o governo atual promete ‘novidades’, entre elas, a iniciativa privada, que não tem responsabilidade cultural nem social com a cidade e o povo.

Lá se vão oito anos de interrupção da obra que estava dando certo para o turismo baiano, trazendo investidores, estudiosos e turistas, e fomentando o consumo da cultura e a economia local. Nesse meio tempo, o centro histórico de Salvador já perdeu vários casarões, outros se tornaram irrecuperáveis, e monumentos preciosos estão caminhando para o mesmo fim. O Convento de São Francisco de Assis precisa da mesma caridade que os gestores baianos oferecem diariamente ao pessoal da música, afinal, não se vive só de pão e circo. Salvador está perdendo um dos mais belos e preciosos conjuntos de painéis de azulejos do mundo!

IPHAN, Governo do estado e Prefeitura não se entendem sobre a necessidade de desocupar os casarões, limpar o Centro Histórico, iluminar, facilitar o acesso, e garantir a segurança, mas a cada dia criam mais festas, gastam como se elas fossem o principal atrativo da cidade. E não é! Carnaval fora de época? Afródromo? Quem ganha com isto? Não é o povo, a Cultura nem o Turismo! Enquanto isto, baianos e turistas que entram no Pelourinho, não são direcionados para o lugar onde viveram o Antonio Vieira, o Rui Barbosa ou o Castro Alves. Belíssimas obras como a pintura barroca na Igreja da Misericórdia ou os entalhes de Caribé, no Museu Afro-Brasileiro, estão escondidas por falta da sinalização que já consumiu tanto dinheiro público. A Casa da Música deveria estar no Pelourinho, o primeiro trio elétrico, etc.! O maravilhoso painel de Caribé, na Praça Castro Alves, precisa de cuidados, assim como a fachada da Ordem Terceira de São Francisco.

O candomblé tem seus símbolos explorados por gestores e músicos, inspira tanta gente, mas não tem apoio institucional, nem de nenhum artista, para a visitação e para usufruir dos benefícios do turismo. Nenhuma agência da cidade oferece qualquer programa regular envolvendo religião! Nem candomblé, nem Irmã Dulce, nem Mansão do Caminho! Poucos baianos e turistas conheceram o maravilhoso Museu de Arte Sacra, a missa com canto gregoriano, dos beneditinos, ou os concertos de música barroca, de órgão, na Catedral Basílica. A feira de São Joaquim, que consumiu tanto dinheiro do Turismo, envergonha a cidade. As obras do Mario Cravo, no Parque de Pituaçú estão abandonadas! E os gestores do turismo se comportam como se a cidade estivesse uma maravilha, precisando de mais festas. Mas o pessoal do turismo não tem nada para festejar, a não ser os ‘amigos do rei’, como a agência que monopoliza Costa de Sauípe e outra que recebe os cruzeiros!

Falta cultura, conhecimentos técnicos e dedicação exclusiva nos gestores do turismo de Salvador! A cidade poderia receber muito mais turistas diariamente, como os grandes centros turísticos do mundo, e melhorar seus índices econômicos e sociais. Mas é preciso que o próprio povo a conheça, respeite e preserve sua história, memória e tradições. Não é por causa de praia ou festa que Salvador recebe turistas, e sim por Jorge Amado e o Pelourinho, conhecidos mundialmente! Mas é preciso ter hotéis, cobrar a responsabilidade cultural de quem se propõe a ter agência de turismo receptivo – nenhuma agência está oferecendo a visita à casa do escritor, que está belíssima! – profissionalizar o atendimento de guias de turismo, principalmente no Centro Histórico, e reconhecer, estimular e proteger o transporte de turismo qualificado. A prefeitura oferece tanta festa, mas negou aos condutores autônomos o trânsito livre para conduzir turistas no Carnaval!

O Brasil está acompanhando estarrecido o desenrolar do escândalo da Petrobras, efeito da ingerência do Estado na economia, e, como já se sabe, em vários outros setores. No Turismo também! O governo e seus parceiros controlam com mão de ferro a atividade. Desde 2007, vários empréstimos foram tomados em nome do Pelourinho e da Baía de Todos os Santos, mas o turismo náutico é caótico, não há infra-estrutura turística em nenhuma praia da baía, nenhuma praia para oferecer em Salvador, e o turismo só diminui na cidade, em conseqüência da ruína e dos riscos dos seus principais atrativos, conhecido nos principais pólos emissores. Enquanto isto não for encarado com seriedade por gestores, empreendedores e profissionais do setor, a cidade continuará perdendo seu patrimônio, competitividade e turistas. O baiano pode ser enganado, a indústria turística, não!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Governo da Bahia não garante segurança de turistas no Pelourinho
José Queiroz*

 

O policiamento do Centro Histórico de Salvador foi drasticamente reduzido nos últimos oito anos, ao contrário da indigência e delinqüência que cresce a cada dia, contra baianos, turistas e o patrimônio cultural. E que escapa do controle da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, com seus efetivos diminuídos, falta de recursos, e falta de apoio concreto do estado e prefeitura para a proteção do lugar. Há muita propaganda oficial de segurança e pouca informação sobre a realidade local!

Aliás, infelizmente, a informação existe, e é passada boca a boca, como seria previsível num lugar como este, e ela têm afastado o morador da cidade e tirado o interesse das operadoras de turismo que venderiam o destino e incrementariam a economia do município, assim como de muitas pessoas que viajam por conta própria e tem vontade de conhecer a primeira capital do Brasil, a cidade do Jorge Amado e de outros grandes personagens conhecidos nacional e internacionalmente, além de seu povo e suas manifestações culturais. A violência é real, a droga está lá, e o roubo é diário!

Apesar do brilhante trabalho realizado pela Polícia Militar na Lavagem do Bonfim, ao prender uma quadrilha no Pelourinho, da presença constante e corajosa dos poucos policiais que garantem alguma segurança para quem trabalha e visita o lugar, e da inovadora interação do comandante atual do 18º Batalhão, Ten Cel Valter Menezes, com a comunidade – sem esquecer-se da presença e atuação da Polícia Civil e da própria Guarda Municipal – a situação é crítica e exige esforços de uma força tarefa para proteger um dos patrimônios da humanidade, confiado ao governo do estado da Bahia!

Há vários casos de ocorrências graves e fatais conhecidos da população, mas delitos como arrancar câmeras fotográficas, celulares e bolsas, não raro com agressões e ferimentos, são corriqueiros, difíceis de prever e combater diante do quadro social atual, e leva baianos de todo lado a desaconselhar a visita ao lugar. É triste admitir, mas o Pelourinho teve seu casario, suas instituições, seu acervo cultural e artístico, e sua segurança e tranqüilidade, seriamente comprometidos pela incompetência total dos últimos gestores da Cultura e do Turismo baiano, além das inúmeras instituições federais, estaduais e municipais com alguma responsabilidade sobre o lugar.

Por falta de efetivo e recursos, como as câmeras de segurança que estão quebradas e a falta do reforço da Operação Verão deste ano, corajosamente, o Cel Menezes pede aos profissionais de turismo e comerciantes que os turistas sejam alertados sobre o risco de abrir carteira, portar jóias, ou manusear celulares e câmeras no centro histórico de Salvador. É compreensível, mas é inadmissível que a segurança tenha chegado a esta situação! E a culpa não é da Polícia Militar ou Civil, ou da Guarda Municipal, e sim dos responsáveis por elas que gastam rios de dinheiro em campanhas eleitorais, negociatas e corrupção, excesso de cargos e altos salários, publicidade enganosa e festas, e negligenciam as obrigações com a sociedade. Não garantem nem a segurança dos contribuintes!

Há anos que partidos como o PT, PSB e PC do B exploram a ruína e a miséria do lugar! Há dezenas de ong’s montadas ou cooptadas para isto, e que sobrevivem graças à cooptação de instituições de defesa da sociedade. Há prédios condenados pela Justiça que já deveriam ter sido esvaziados e desocupados, e, se não recuperados, demolidos. Estão invadidos por indigentes e delinqüentes e o IPHAN sabe disto, os ministérios da Cultura, Cidades e Turismo também, as procuradorias de governo, tribunais, etc. E todos autorizam colocar mais dinheiro ali, ou ficam calados! Estão destruindo o lugar!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Quem fiscaliza equipamentos, logística e serviços de turismo em Salvador?
José Queiroz*

 

A gestão e fiscalização do turismo de Salvador estão completamente desconectadas da realidade e das necessidades do setor, apesar do bom trabalho que a prefeitura vem realizando na cidade. E a razão principal são as várias instituições responsáveis apenas por partes dessa atividade nas cidades do Brasil, sem um comando central, que seriam as secretarias de turismo de cada lugar, com apoio das secretarias estaduais e do Ministério do Turismo, e fiscalização de todos. E com a agravante de gestores leigos!

Qualquer soteropolitano sabe que o Turismo é importante para o município, milhares de pessoas ainda dependem dele, e muitos mais poderiam estar trabalhando, diminuindo o desemprego e a violência. Qualquer pessoa ligada à atividade sabe o que interessa ao turista, mas a gestão pública anda na contra mão desses interesses. O prefeito ACM Neto chegou a proibir o estacionamento no Mercado Modelo nos dias de show do réveillon mais longo do Brasil! Centenas de veículos de turismo que normalmente tem dificuldade para estacionar nos equipamentos e atrativos turísticos, e no centro da cidade, improvisaram suas paradas, e, não raro, em lugares nada seguros.

O Ministério do Turismo pertence a um partido, o governo do estado a outro, e a prefeitura a um terceiro! O aeroporto é do governo federal, o Pelourinho e o centro de convenções são do governo do estado, e o trânsito do município. Todos caóticos, e não há um responsável direto por eles. O único entendimento entre os governos é sobre as festas, que encontram parceiros, recursos e know how fácil. Porém, falta a manutenção dos atrativos, monumentos e obras de arte – como o Parque de Pituaçu – a instalação de banheiros civilizados, o controle dos vendedores ambulantes que agridem verbalmente baianos e turistas, a assistência social e segurança. Isto, sim, é o que o Turismo precisa!

O aeroporto da cidade está um caos! Obra inacabada, sem telefone nem balcão de informação, embarque e desembarque vergonhoso, e a Infraero cobra aluguéis escorchantes, encarecendo todos os serviços, principalmente o vexatório atendimento ao turista, feito por taxis que pagam e cobram caro, e proibido aos guias de turismo profissionais da cidade. No porto de Salvador há uma empresa que vende passeios sem guia de turismo, e a mesma cooperativa de taxi do aeroporto opera no porto e vende city tour, o que não é sua função. Mas as secretarias e o Ministério do Turismo não atuam para garantir profissionalismo, satisfação e o retorno do turista!

Há gente e dinheiro farto para explorar as festas, mas há anos não se constrói um hotel de lazer em Salvador, nem há fiscalização dos serviços que a maioria oferece, o que tem comprometido a viagem de muitas pessoas, o turismo e a imagem da cidade. Operadoras brasileiras forçaram uma brecha na lei que obriga a presença de guias nas excursões e agências de turismo atuam livremente nos aeroportos, portos, resorts e hotéis, improvisando ‘informantes’ e dificultando o contato do turista com os guias profissionais. Isto acontece porque os valores que as operadoras pagam às agências locais não cobrem seus custos e as empurram para o improviso, inclusive trabalhista e fiscal.

Transporte de turismo em Salvador não tem sindicato, regulamentação adequada, reconhecimento, apoio para renovação da frota, nem lugares para parar. Lobbies gananciosos de empresas de ônibus, cooperativas de taxis e algumas agências que pagam para explorar alguns equipamentos, impedem a atuação de guias de turismo motorizados e vans que atendam famílias e pequenos grupos. Sem fiscalização e sem regulamentação, se vende qualquer tipo de transporte na cidade, já que ônibus, taxis e agências não conseguem atender todas as demandas.

Há pessoas em contato direto com turistas que comprometem seriamente o trabalho dos próprios operadores e agentes de viagem locais, além de comprometerem os parcos investimentos públicos e os benefícios para a sociedade. É preciso urgentemente identificar e cobrar procedimentos dessas pessoas, fazer o trabalho de qualificação que não foi feito, definir o papel de cada um no turismo, e valorizar e respeitar os profissionais que efetivamente mantém e multiplicam o fluxo de visitantes.

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

Turismo da Bahia precisa de gestão técnica para auto sustentar-se

José Queiroz*

 

A sociedade brasileira já se deu conta da ineficiência e dos riscos da intervenção do Estado em setores e negócios da economia, geridos com mais interesse político e financeiro de partidos políticos e grupos econômicos, que com o interesse geral, principalmente social e cultural do país. As promissoras parcerias público/privado se revelaram nocivas em muitos casos, e as licitações, quando existem, são manipuladas acintosamente. No Turismo não é diferente, pois os recursos são utilizados de maneira aleatória, equivocada, sem fiscalização, sem controle de tribunais.

O país assistiu indignado ao assalto aos cofres públicos durante os preparativos para a Copa do Mundo, exatamente em nome do Turismo, que não mudou nada, ao contrário, poucos aeroportos do país, por exemplo, foram concluídos. O de Salvador está um caos! Nem serviço de informação tem, pois a empresa que explorava o serviço não renovou contrato com a caríssima Infraero que inviabiliza negócios pelo país afora. Embarque, desembarque e serviços turísticos em vários aeroportos refletem a falta de profissionalismo institucional. O desembarque internacional é arcaico, lento e desestimulador de novas visitas.

Os prometidos hotéis para o evento não foram construídos, e a mesma Salvador está com sua rede hoteleira inteiramente sucateada, com raras exceções, por falta de gestão e apoio institucional adequado, sendo esta uma das principais queixas de operadoras que vendem a cidade e o Brasil. Foram construídos hotéis, sim, para os cobiçados e manipulados eventos, em áreas que não interessam aos turistas de lazer, nem atendem aos seus interesses em matéria de comodidade e serviços. Algumas recepções se tornaram negócios exclusivos de gerentes, agências e cooperativas de taxis, à revelia de seus proprietários, indiferentes às necessidades da atividade e da sociedade.

A segurança é, sim, um dos maiores entraves para a recuperação do turismo em todos os centros turísticos da Bahia e do Brasil. Já não há dados e matérias oficiais que convençam alguém da segurança em passear no Brasil, e quem conhece os atrativos do país sabem como eles estão. Gestores públicos e seus parceiros privados se manifestam a esse respeito como se eles fossem sempre seguros como durante seus eventos! Salvador, Porto Seguro, Morro de São Paulo e outros atrativos, precisam de gestores competentes nesta área. A própria insegurança jurídica no Brasil atrapalha o Turismo, como no caso dos cruzeiros que estão se afastando do litoral brasileiro!

O secretário de Turismo indicado para administrar a atividade na Bahia, Nelson Pelegrino, PT, acaba de fazer um pronunciamento emblemático: ‘….prioridade é recuperar o Centro de Convenções….porque fixa… o turista…’. Não é verdade! Salvador não se inseriu na indústria turística nacional e mundial como praça de eventos, ao contrário, as empresas e operadoras direcionaram eventos para a cidade em função da sua história, atrativos, infra-estrutura e logística. Salvador é destino cultural e de lazer, e esse turista, sim, fica uma semana e fomenta outros negócios. A Chapada Diamantina, Península de Maraú, Mangue Seco, e outros, não vivem de eventos, precisam ter o acesso a eles facilitado, precisam de infra-estrutura, segurança e mão de obra. Há muito que fazer nestes lugares, e gestores indicados por partidos políticos, desconhecedores da atividade, não sabem, ou protegem outros interesses, através de falsos informes e ações.

Prioridade do Governo do estado em Salvador são, também, o aeroporto, hotéis, segurança e Centro de Convenções, nesta ordem, mas, primeiramente, o Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, a âncora do turismo da Bahia, que foi seriamente afetado pelo descaso da gestão atual, comprometendo o título, o Turismo e a economia do município, impunemente. O que não mais será aceitável, sob pena de Salvador perder o patrimônio e o potencial cultural e turístico, infelizmente, desconhecido do seu próprio povo, por ineficácia e omissão de gestores protegidos pela elite econômica, política, acadêmica, cultural e jornalística, com interesses imediatos e mesquinhos.

*José Queiroz, guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 06/12/2014

Boas notícias para o turismo de Salvador!

Boas notícias para o turismo de Salvador!

José Queiroz*

Turismo deixou de ser uma atividade ‘de época’, uma ocupação de férias para ‘grã finos’, um hobby, há muito tempo. E deixou de ser amador! Hoje é uma das principais atividades do homem, diretamente relacionada com a Cultura, e que necessita do apoio – ou seja, fomenta! – mais de 50 outros setores da economia. Em Salvador o turismo é impulsionado pela história e memória da cidade, formação do povo, religiosidade, cultura popular e clima, e, desde a criação do Pólo Petroquímico, ele se tornou vital para a sobrevivência de milhares de famílias, inclusive de outras cidades do seu entorno.

A pioneira tentativa de recuperar o Centro Histórico na década de 1990, que resultaria na adequação de toda a cidade para o Turismo, com infra-estrutura apropriada e profissionalização da mão de obra, estava no caminho certo, atraindo redes hoteleiras, operadoras, companhias aéreas, gerando outros negócios e trazendo profissionais que fatalmente tornariam Salvador um dos principais destinos turísticos do mundo. Potencial não falta! Afinal, esta é a cidade de Jorge Amado, o escritor que, infelizmente, não é tão conhecido aqui como no exterior, assim como outros baianos, como Teixeira de Freitas, Milton Santos e Juliano Moreira.

Esta cidade foi criada como ‘escala’ na Carreira da Índia, a rota comercial mais longa e duradoura da Idade Moderna, seguiu assim através da Idade Contemporânea, até a abertura do Canal de Suez, no Egito, em 1869, e se tornou o principal estaleiro, fornecedor de alimentos e água, e entreposto de comércio do Atlântico Sul, em função do escravo que chegava aqui, ficava, ou saía para outras regiões, do açúcar que seguia para a Europa, e do fumo que ia para a África. Ou seja, já nasceu ‘turística’! A fama do poderio econômico, da beleza natural, e da ‘gente misturada’ que vivia aqui, predominante negra, logo se espalhou, atraindo gente de todo tipo até os dias atuais.

Mas a obra foi interrompida em 2007 e o resultado é bem conhecido dos empreendedores e profissionais do setor: suspensão dos investimentos, fuga de turistas, ruína física, econômica, social e cultural do Pelourinho e do turismo receptivo de Salvador. Os gestores envolvidos com o governo atual priorizaram eventos e business hotéis, canalizando e desviando recursos que serviriam para fomentar o turismo de lazer e cultural na capital, concentrando-os em ações de captação de eventos para hotéis de negócios e resorts, como Costa de Sauípe, onde a Arena Sauípe recebe as grandes convenções que o sucateado Centro de Convenções da cidade não tem condições de receber. Ocorre que empresas, participantes de eventos e operadoras querem Salvador!

Por isto os hoteleiros e outros empreendedores da cidade se organizaram e criaram o Salvador Destination, e o entregaram ao comando de Paulo Gaudenzi, um dos maiores profissionais de turismo do Brasil. A associação já está trabalhando para resgatar não só os eventos, mas o interesse na cidade, os investimentos necessários, e o turista que, não raro, sai para outras localidades, como a própria Praia do Forte, Morro de São Paulo e Recôncavo Baiano, além de prestigiar as instituições culturais conhecidas mundialmente, gerando emprego, renda e benefícios culturais para toda a sociedade. Seguramente, já haverá eventos novos a partir de 2015, dentro das possibilidades, pois não há hotéis, equipamentos e serviços adequados para vôos maiores de imediato.

Por outro lado, o Governo do estado anuncia a chegada de vôos diários da Argentina a partir de janeiro de 2015, principal pólo emissor de turistas estrangeiros para a Bahia, que tem sido negligenciado nos últimos anos, assim como Chile e Portugal. Espera-se que a iniciativa tenha continuidade, para isto é preciso melhorar a rede hoteleira da cidade, a mão de obra – não há falantes de espanhol suficientes nas recepções de Salvador, tem que ser lei municipal! – e ainda transportes, principalmente serviço de taxis, e segurança. O horário ainda não é o adequado, diante da importância econômica que tem este mercado para Salvador e região: chegada aqui 1h40 e embarque 2h40, o que sacrifica demasiadamente crianças e famílias que circulariam nesse trecho. Mas, o vôo será, literalmente, ‘bien venido’!

Enquanto isto o Sindicato de Guias de Turismo da Bahia – Singtur Ba – movimenta-se para conseguir efetivar a fiscalização do serviço de guia, completamente desprestigiado pelas instâncias do turismo, que proíbem a presença dos profissionais no aeroporto, porto e hotéis da cidade, substituindo-os por agências e cooperativas de taxis que não atendem à todas as demandas, improvisam serviços, cobram caro, e são protegidos por gerentes e diretores que ganham dessas agências e cooperativas e ameaçam demitir recepcionistas que não concordam com estes procedimentos. O caso do aeroporto é emblemático! Turistas que descem em Salvador não têm a opção de contratar guias de turismo, pois estes são proibidos pela Secretaria de Turismo do estado! Por isto, o esvaziamento de lugares como o Recôncavo Baiano, e as instituições culturais, religiosas e artísticas. A Casa do Rio Vermelho já nasceu ameaçada por esta situação!

Salvador pode, e deve, aprimorar sua indústria turística, profissionalizá-la, para isto tem potencial, recursos e profissionais. E pode ajudar muito mais o seu entorno, se cuidar da sua principal âncora: o Pelourinho. Formação, informação e Cultura é o destino de qualquer Centro Histórico. A elite da cidade, dividida entre os herdeiros da colônia e os migrantes pós Pólo de Camaçarí, precisam saber ‘o que é que a Bahia tem’, precisam saber o que é que o turista vem fazer aqui – pergunta comum do povo baiano – e descobrir as benesses econômicas e culturais da atividade. Esta cidade não deve nada a nenhum dos principais centros turísticos do mundo, basta conhecê-la, gostar e cuidar!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

Aeroporto e hotéis de Salvador e Praia do Forte não oferecem Guias de Turismo

José Queiroz*

 

Guia de Turismo é o profissional que o turista espera encontrar em sua viagem de férias, principalmente em países de línguas diferentes. Pode ser em excursões coletivas, mas muitos viajantes preferem serviço personalizado, sem compromisso com horário ou limitações de roteiros, com guias de turismo credenciados e conhecedores do lugar, da história local, das pessoas, e da cultura regional, principalmente em grandes centros culturais como Salvador, infelizmente desconhecido de boa parte dos próprios envolvidos com a indústria turística.

Além disso, hoteleiros e outros empreendedores dependem do bom trabalho dos guias de turismo para satisfazer o visitante, manter o fluxo e a sustentabilidade da cadeia produtiva do setor, mas, contraditoriamente, as instâncias do turismo de Salvador e Praia do Forte isolaram o turista dos guias de turismo profissionais e autônomos, colocando-se como intermediário entre eles. Se o turista não aceitar as caríssimas condições desta intermediação, resta-lhes o serviço informal de motoristas, parentes e amigos de agentes de viagem, recepcionistas que são obrigados a vender cooperativas de taxis, ou recepcionistas que vendem qualquer coisa pela comissão, sem a menor responsabilidade com a atividade, com as instituições culturais, religiosas e artísticas, ou com a sociedade.

A própria Secretaria de Turismo do estado autorizou uma empresa a explorar os guias de turismo em grandes eventos, a Check List Soluções, que também criou o ‘Monitor de Turismo’, filhos e protegidos de membros das instâncias do turismo que tomam o lugar dos profissionais da cidade. E isto com o aval e parceria do Singtur Ba, Sindicato de Guias de Turismo da Bahia, que determina quem trabalha e quem não trabalha, deixando de cumprir com suas obrigações de fiscalizar e proteger o trabalho de todos os profissionais que pagam impostos, ajudam a manter o Estado, e são responsáveis por receber, conduzir, informar, despertar o interesse pelos demais atrativos da região, e fomentar o turismo.

As agências que dominam as recepções de hotéis de grandes redes hoteleiras, como Pestana, Othon, Sheraton, Deville, Vila Galé, Costa de Sauípe, Paladium, Iberostar, Tivoli, e outros pequenos e locais, como Monte Pascoal e Porto Belo, vendem serviços coletivos e limitados, como o Tour Panorâmico que mostra Salvador de 50 anos atrás. Agências de Salvador não levam o turista para passar um dia em Praia do Forte, em lugar nenhum se vende Recôncavo Baiano regularmente, e muito menos as instituições culturais da região, todas elas reclamando da falta de turistas, de incentivo, de ações das instâncias do turismo. Todos estes hotéis e o aeroporto da cidade proíbem a permanência e a oferta de serviços dos guias de turismo da região, mas autorizam cooperativas de taxis que passaram a considerarem-se os únicos autorizados e a hostilizar os guias profissionais e autônomos. Agências e taxis pagam comissões a gerentes que proíbem vender os guias de turismo!

O perfil da atividade mudou consideravelmente com o advento da internet e dos vôos econômicos, e muitas pessoas viajam por conta própria, mas, no aeroporto de Salvador, elas são obrigadas a andar de taxis! O posto de informação da Bahiatursa informa que é proibido indicar guias de turismo, conseqüência das altas taxas que as cooperativas de taxis pagam a Infraero, e que lhes dá o direito de monitorar o saguão do aeroporto e monopolizar a principal pista de embarque. Se uma pessoa faz uma escala em Salvador e quer um guia de turismo para passear, não tem, não pode! É muito amadorismo! Tem que haver espaço para taxis, sim, mas para guias de turismo com seus carros, e vans para famílias grandes e pequenos grupos, tanto no aeroporto como nos hotéis.

Nesse sentido, a maravilhosa recuperação da casa de Jorge Amado, transformada em museu e aberta ao público, já começa comprometida pelas limitadas excursões coletivas e pela limitação cultural de taxistas. No momento, é inimaginável as agências que dominam os resorts de Praia do Forte venderem esta possibilidade, assim como não vendem Cachoeira, Candomblé – que lhes empresta seus símbolos, mas é vítima do preconceito de evangélicos que trabalham no turismo! – a Mansão do Caminho, a Irmã Dulce, os maravilhosos museus, galerias de arte e antiquários da cidade, o Instituto Mauá, etc. Por causa dessa situação, Salvador tem perdido excelentes iniciativas culturais, como o Cinema 180’, e o espetáculo Som e Luz que era realizado na igreja de São Francisco.

Gestores públicos e privados prometem paraísos profissionais em Salvador e Praia do Forte, mas tratam turistas brasileiros e sul americanos como inferior, ignorando, principalmente, a língua espanhola, e a necessidade de atendimento profissional. Para esta gente, turista é quem fala inglês, francês, etc. Há oito anos o turismo de férias e o cultural, principais vocações de Salvador, cai no ranking nacional, o que afeta Praia do Forte, Morro de São Paulo e outros destinos, e há sérios problemas que levam a isto, mas as instâncias do turismo levam o governo, a mídia e a sociedade a acreditar que está tudo bem. Mas não está! A Bahia precisa voltar a explorar sua vocação turística.

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 09/11/2014

Reforma da casa de Jorge Amado reanima Turismo em Salvador

Reforma da casa de Jorge Amado reanima Turismo em Salvador

José Queiroz*

Parabéns, Prefeitura de Salvador, familiares e admiradores de Jorge Amado, Cultura e Turismo na capital e no estado da Bahia! Parabéns, Brasil! Finalmente uma notícia que repercutirá positivamente no país e no mundo. Há 12 anos o Brasil sofre com a má gestão do seu turismo interno, equivocadamente enaltecido pela maioria dos veículos de comunicação pelos negócios de venda de viagens, mas que omitem os atrativos vendidos que precisam de cuidados e profissionais para não perderem turistas e receitas.

A indústria turística da Bahia espera que o novo governo eleito administre o turismo do estado em parceria com as prefeituras dos vários municípios turísticos, como deve ser, sem ingerência de partidos e grupos empresariais, com profissionais competentes e objetivos claros e coletivos, com responsabilidade e geração de benefícios para baianos e turistas. Como acaba de fazer a Prefeitura de Salvador, ao reformar e entregar para a indústria cultural e turística do país um patrimônio valiosíssimo, que atenderá a interesses permanentes de pessoas e instituições de diferentes lugares e ideologias do mundo. Sem dúvida, a maior realização do turismo do Brasil nos últimos anos!

A recuperação da casa do escritor baiano, e sua abertura para o público a partir do dia 14 de novembro, inicialmente nos fins de semana, ao preço de R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia), é um acontecimento justo, histórico e oportuno para a Bahia. Jorge Amado faleceu em 2001, mas havia tomado precauções para preservar não apenas sua obra, mas a riquíssima contribuição que suas informações podem dar às gerações seguintes, principalmente sobre o cruzamento de culturas distintas e condições adversas que formaram o povo baiano, o mesmo que hoje se digladia influenciado por ideologias ultrapassadas e oportunistas, que, entre outras coisas, esnobam o caminhar e o peso da Cultura sobre as pessoas e a sociedade. É para festejar esta data!

É um feito oportuno para o agonizante turismo baiano, pessimamente gerido nos últimos anos, vítima de interesses de grupos diferentes que investem aleatoriamente, irresponsavelmente, sem planejamento e sem conseqüências para a ruína que causam por privilegiar resorts, cruzeiros e eventos, por abandonar o Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, por desperdiçar mais de 1000 quilômetros de praias, por negligenciar a assistência social e a segurança das cidades, desempregando milhares de baianos e afastando as operadoras que não vendem lugares que exponham seus clientes a riscos!

Os empresários e profissionais de Salvador ainda devem ao Turismo um ‘Roteiro Jorge Amado’, similar aos que existem em outros lugares do mundo, em homenagem a outras personalidades, assim como devem atualizar seus passeios, para fazer jus à concessão dada pelo Estado e ao inevitável aumento de fluxo gerado pela realização da reforma que, certamente, será tema por um bom tempo em todos os mais de 50 países onde o escritor foi publicado. Tour Panorâmico é comum em qualquer lugar do mundo, e deve ser atualizado sempre, mas as empresas de Salvador continuam mostrando a cidade de 50 anos atrás! A Secretaria de Turismo do estado tomou vários empréstimos em nome do Recôncavo Baiano e da Baía de Todos os Santos, mas o turismo na região é precaríssimo! Mangue Seco, um dos mais belos lugares revelados pelo escritor, é completamente ignorado pelas instâncias do turismo, e está sob domínio de um prefeito que proíbe a parceria entre as agências de fora e os comerciantes locais!

É preciso que haja união dos representantes do Turismo Receptivo com as prefeituras e o governo eleito, sem precisar de interferência da Justiça, para que se trabalhe para fazer valer esta obra e que se recupere o Turismo, que pode gerar muitos empregos, renda e intercâmbio cultural. A Prefeitura de Salvador precisa assumir a divulgação da cidade, pois a Bahiatursa apenas explora os símbolos locais para vender resorts, cruzeiros e atrair eventos. Há vários depoimentos e queixas de brasileiros, argentinos, chilenos e uruguaios, principais visitantes da cidade, sobre a ausência de publicidade, de ofertas, de pacotes para Salvador, nem há um voo regular direto de Buenos Aires ou Santiago para a capital baiana. E o turista que desce na cidade pode ir visitar outras!

O ponta pé inicial foi dado, o exemplo de disposição de trabalhar, a ação sem direcionamento, a retomada das iniciativas que realmente interessam ao setor! Mais uma vez, parabéns, Prefeitura! Agora é buscar condições para recuperar outro atrativo importante para o turista em Salvador: o Pelourinho! O lugar não suportará mais quatro anos de má gestão, precisa sobreviver, precisa dos negócios culturais que atraiam turistas e baianos, precisa estar livre de indigentes, e seguro, para as pessoas permanecerem ali! A prefeitura pode! Salvador pode! Cultura e leis podem!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 08/10/2014

Governo da Bahia precisa profissionalizar gestão do Turismo

Governo da Bahia precisa profissionalizar gestão do Turismo

José Queiroz*

Há muito tempo o turismo deixou de ser ‘coisa de ricos’, supérflua para a maioria dos cidadãos, ou sazonal. A indústria turística ocupa milhões de pessoas no mundo, sustenta cidades inteiras, e na Bahia não é diferente, pois Morro de São Paulo e Mangue Seco, por exemplo, dependem disto. Pelo menos 10% da população de Salvador é beneficiada através de emprego direto ou dos mais de 50 setores envolvidos com a atividade que mais cresce no mundo. Mas, para manter isto, é preciso profissionalismo e planejamento.

O profissionalismo que o Turismo precisa envolve amplos conhecimentos culturais e técnicos, por isto não pode ser feito por qualquer pessoa, como defendem articuladores de políticas nacionais para o setor, principalmente na Bahia, onde operadores que vendem viagens são consultados para a condução do Turismo Receptivo. E eles não são as pessoas indicadas! Outros operadores brasileiros reconhecem a defasagem, a ingerência política, a manipulação tendenciosa, e as necessidades e prioridades do turismo interno, vitais para a sobrevivência da indústria turística nacional, que empregaria milhões de pessoas, e que tem uma grande responsabilidade com a economia e a imagem do país.

A Bahia estava sendo preparada para ser um dos maiores centros turísticos da América Latina, atrativos e fama não falta, mas os projetos foram interrompidos nos últimos anos. A mão de obra qualificada foi substituída por outra que não atende aos interesses de turistas, empreendedores e sociedade. Foram feitos investimentos equivocados ou insuficientes, como em festas e eventos. Hotéis de turismo deram lugar a resorts e business hotéis, equipamentos e acessos não foram construídos ou reformados, como o Centro de Convenções da capital baiana, e atrativos internacionais como Morro de São Paulo, Mangue Seco, Chapada Diamantina, Itacaré e outros, carecem de investimentos.

A situação de Salvador é emblemática para o país! A falta de profissionalismo institucional e planejamento, o que inclui a falta de apoio nacional aos Turismólogos – as pessoas que estudaram o Turismo efetivamente, se prepararam para pensar, planejar, articular e executar serviços – levou o turismo de Salvador à mudança de perfil e desvio do fluxo interessado, que é o turista com interesse cultural e em busca de lazer, pois a degradação física e social do Pelourinho e das praias não convidam à visitação e permanência. Este público é mais numeroso e fica mais tempo, freqüenta todos os ambientes do circuito turístico e da cidade, mais exige profissionalismo e comodidade.

Há muitas instituições e pouco conhecimento! Gestores, empreendedores novatos e gerentes despreparados ignoram os atrativos que interessam aos turistas que vem a Salvador, primeira capital do Brasil, terra de Jorge Amado, banhada por uma baía famosíssima, mas com seu potencial de turismo náutico desperdiçado, entre outros atrativos. A má gestão e má utilização dos recursos disponíveis estão sacrificando outros atrativos como o Recôncavo Baiano, e instituições culturais, religiosas e artísticas. E a Bahia pode – e deve! – fazer turismo à altura de sua história e memória!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 14/09/2014

Gestores e ações políticas mudam perfil do turismo de Salvador

Gestores e ações políticas mudam perfil do turismo de Salvador

José Queiroz*

 

O que o ex secretário de turismo da Bahia, Domingos Leonelli, o atual secretário de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador, Guilherme Bellintani, e o presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado, têm a ver com o turismo receptivo de Salvador? Tecnicamente, nada, porém, politicamente, são responsáveis pelo retrocesso da atividade no município, causada por desconhecimento ou indiferença às necessidades do setor, por má gestão ou má fé, e por medidas esdrúxulas e lesivas à indústria turística.

Nenhum deles é do ramo, e se tornaram reféns do Conselho Baiano de Turismo, formado por várias instituições cooptadas por pessoas que dirigem algumas delas, mais interessadas em seus partidos, carreiras e negócios, que com o conjunto da atividade. Estes e outros gestores também são dependentes de financiadores de seus partidos, entre eles os empresários de blocos carnavalescos, bandas e festas, cujos projetos tem tido prioridade nos últimos oito anos, mesmo sem atrair um turista sequer. Carnaval, São João no Pelourinho, Stock Car, Parada Gay, nada! Participantes de festas esporádicas não sustentam a cadeia produtiva do Turismo Receptivo o ano inteiro!

Para manipular tudo isto, o dinheiro público paga a estrutura e pessoal das secretarias estadual e municipal de turismo, além das suas autarquias Bahiatursa e Saltur. Nos últimos anos a máquina e os gastos públicos com turismo aumentaram, mas o fluxo diminuiu, pois, apesar das secretarias novas, Salvador atualmente é apenas passagem para o Litoral Norte, dormitório para quem vai a Morro de São Paulo, praça de eventos, ou ‘destino gay’, como querem os gestores públicos que desconhecem a vocação da cidade e interesses reais dos turistas.

Qualquer gestor usa o turismo para barganhar interesses, como o vereador Henrique Carballal, que trocaria apoio ao projeto de desapropriação de terrenos, da prefeitura, por uma nova Lei do Silêncio, que aumentaria decibéis em festas, que beneficiaria o Turismo. Uma ova! Beneficiaria a ele, representante de empresários de festas, assim como muitos outros, que tem consumido dinheiro público em infra-estrutura e na contratação de organizadores e bandas. Neste momento o estado e o município estão gastando R$ 250 mil reais com a ‘festa protesto’ dos gays, durante uma semana, na III Semana da Diversidade e XI Parada Gay. Mas não há iniciativas em benefício do Turismo Cultural, Náutico ou de Lazer, as verdadeiras vocações da cidade. Turismo precisa de todos os segmentos da sociedade, integra todos, e deve beneficiar a todos!

O turismo receptivo de Salvador não necessita destas festas ‘para movimentar a cidade na baixa temporada’! Salvador não teria ‘baixa temporada’ se seu turismo fosse administrado com conhecimento, responsabilidade e fiscalização, pois é um nome consagrado, mas evitado neste momento, devido à indigência e violência do Centro, situação que é conhecida no país e no exterior, e que desvia turistas gays e héteros, boêmios, interessados na sua história e memória, ou em busca de praia e lazer. Tampouco há ‘alta temporada’ por aqui atualmente, pelo mesmo motivo. Muitos turistas que constam em estatísticas de governantes apenas descem em Salvador e seguem para outros destinos, e a revista Veja deste fim de semana desmente o número de turistas estrangeiros informado e certificado pela EMBRATUR, em 2013.

Nos anos 90, e até 2006, Salvador viveu seu boom graças ao início da reforma do Pelourinho, que atraiu grandes operadoras, companhias aéreas, redes hoteleiras e milhares de turistas, mas que foram embora com a suspensão da obra, por incompetência das instâncias do turismo local, e não por falta de atrativos. O turista virá se tiver tranqüilidade e segurança para visitar a cidade de Jorge Amado, se puder permanecer sem assédio no centro histórico da primeira capital do Brasil, se tiver barracas na praia, hotéis novos, equipamentos e mão de obra profissionalizados, roteiros novos e baratos, mobilidade e acessibilidade. Se não falar e fizer isto o gestor está enganando a sociedade, precisa ser investigado e responsabilizado, pois eles têm causado a ruína do turismo da cidade, de muitos negócios, desemprego, etc. Salvador já está muito atrás de outros centros turísticos do Brasil!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

 

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