Publicado por: José QUEIROZ | 10/08/2015

Pelourinho precisa livrar-se da miséria comercial e eleitoral

Pelourinho precisa livrar-se da miséria comercial e eleitoral

José Queiroz*

 

O Pelourinho sempre foi porto, centro comercial, frequentado por viajantes, marinheiros, aventureiros e malandros, mas nunca teve tanto desocupado, indigentes, alcoólatras, usuário de drogas, traficantes e ladrões como atualmente. É calamitosa a situação social de um dos bairros mais famosos do mundo, da primeira capital do Brasil, do bairro do Jorge Amado, justo depois de transformado em patrimônio da humanidade.

O lugar é manipulado por grupos que se especializaram em explorar ou criar a miséria social que sustenta dezenas de instituições e parceiros, não raro militantes, parentes ou amigos de partidos políticos, e que garante o voto, tornando a comunidade refém de um discurso e práticas que só tem arruinado a vida cultural, econômica e social do bairro. As polícias não tem como controlar os aproveitadores que são atraídos e mantidos por obras sociais e protegidos por direitos humanos que eles não respeitam nas outras pessoas. E partidos políticos e candidatos se aproveitam cínica e irresponsavelmente dessa situação, afinal, fica fácil o voto para representar ‘desassistidos’ no Pelourinho.

O bairro quer acreditar nos gestores públicos, mas estes não merecem mais créditos, quer ser otimista, mas a realidade se impõe, quer trabalhar, mas o gestor não facilita! A segurança no Centro Histórico não funciona por causa da recusa do Estado em desocupar e interditar os casarões, diante da recusa de utilizar os serviços e programas sociais, seja do governo ou da prefeitura, para identificar, realocar e atender essa gente, e diante da não utilização da força que tem direito. Os secretários municipais responsáveis pelo serviço social e serviços prestados ali tem que cumprir com suas obrigações e tem que usar as leis contra o Estado, que não cumpre as dele, e não pensar apenas em suas carreiras políticas, seus votos, ao evitar fazer o que tem que ser feito. Sem paternalismo, sem assistencialismo, sem o socialismo que enriquece gestores!

Pseudo humanistas e socialistas concentraram no Pelourinho um número absurdo de obras pseudo sociais e filantrópicas que atraíram uma parte considerável da miséria de Salvador que não tem nada a ver com o bairro, incluindo desempregados, traficantes e ladrões que sabem que as autoridades sofrem ‘pressão’ dessas instituições – conveniente para gestores maus intencionados e delinquentes – e não tem coragem ou recursos para detê-los. O problema fica para as policias e a sociedade! Emblematicamente, há meliantes que alegam que são nascidos e criados ali, quando são presos, como se isto os autorizasse a não estudar, vagabundar, traficar, roubar, tirar a tranquilidade de quem trabalha para manter empregos e gerar os impostos que sustentam os próprios gestores.

O autoritarismo do Estado brasileiro evoluiu nos últimos anos para a insana criação e imposição de grupos sociais vulneráveis, comportamentos, pensamento e decisão pela sociedade. Isto gerou a lucrativa e eleitoralmente bem sucedida ‘indústria da miséria’. Muita gente ganha para administrá-la ou já foi eleita por ela! O discurso falso, oportunista e irresponsável da delinquência gerada pela pobreza, já combatido no mundo inteiro, sobrevive ali graças a delinquência intelectual e política de partidos que tem suas sedes a milhares de quilômetros e são representados por membros sem a menor bagagem cultural para discutir, planejar e administrar um lugar como este!

Contraditoriamente, o lugar que poderia gerar e irradiar a formação de postos de trabalho e cultura para a cidade inteira, através do turismo bem feito, sofre as consequências da incompetência do Governo do estado e da Prefeitura para gerar empregos, e coloca a vagabundagem atrás do turista! Só o governo da Bahia, com a cumplicidade do município, extinguiu milhares de postos de trabalho nos equipamentos, nas praias e atrativos turísticos da cidade. O Pelourinho é responsabilidade do mesmo Estado que gastou quase R$ 2 bilhões na Fonte Nova e oferece paliativos para o patrimônio da humanidade que gera muito mais dinheiro e trabalho do que o futebol.

O Pelourinho assistiu estarrecido nos últimos anos às mentiras oficiais e desperdício de recursos que o bairro tem direito, por falta de projetos, falta de competência. Atualmente, o bairro vive uma sensação mista de esperança e preocupação com a exploração imobiliária, diante dos últimos anúncios de intenções de grupos conhecidos instalarem-se ali. Sim, claro, é o que se espera, mas, a intenção é cultural e turística ou puramente comercial? Quem vai dar o primeiro passo para desocupar os casarões e levar para bem longe os indigentes que inviabilizam qualquer negócio ali?

Não tem dinheiro? Faça-se uma auditoria nas ong’s, associações e outras dos gêneros, identifiquem-se os assistidos, exija-se prestação de contas, acabe-se com as inúteis, tirem a maioria do Centro Histórico! O bairro não pode arcar com o ônus da incompetência estatal, empreendedores locais têm encargos, precisa gerar trabalho, educação, formação e informação, atrair os turistas, os negócios e o crescimento cultural. Não pode ser laboratório de políticas sociais de partidos políticos, nem paraíso de marginais. Tem que ajudá-los com cursos e empregos, não sustentá-los!

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 02/08/2015

Pelourinho assume responsabilidades do Estado

Pelourinho assume responsabilidades do Estado

José Queiroz*

O Estado foi pensado, planejado e preparado para executar as tarefas que interessam à organização, manutenção e segurança da vida em sociedade. Porém, não é o que tem acontecido no   Brasil, onde, não raro, o cidadão é obrigado a deixar seus afazeres para cobrar ou executar o que milhões de pessoas ganham para fazer. Lugares protegidos ou tombados por leis, como parques naturais e o Pelourinho, são ainda mais difíceis de tê-los bem cuidados, pois envolvem muitas instituições e interesses, tem várias pessoas ordenando, mas ninguém governando o conjunto.

Gestores são funcionários públicos e muitos têm papel fiscalizador. Procuradores, por exemplo, ganham bem para isto, mas as cidades normalmente nem os conhecem. No caso do Pelourinho, dependente dos governos municipal, estadual e federal, desde 2007 o bairro não recebe cuidados coordenados como recebeu nos anos anteriores. Aliás, desde 2003 o lugar tem sido vítima da disputa mesquinha e irresponsável de partidos políticos que costumam boicotar os adversários impunemente no Brasil.

Mas, tanto a obra anterior, como a que se pretende para o lugar e outros pontos da cidade, como o Rio Vermelho, continuam envoltas em polêmicas por falta – outra vez! – de participação da sociedade. Salvador tem uma identidade? É preciso preservá-la, reinventá-la ou modernizá-la? Não há atualmente gestores preparados para discutir, planejar e executar intervenções relacionadas com a cultura e a vocação turística da cidade, tendo havido intervenções aleatórias e desconectadas, muitas influenciadas por parceiros e aproveitadores do Estado, que passam longe das soluções adequadas. A sociedade precisa participar desse processo!

A discussão em torno do que fazer com o Pelourinho é emblemática! Acaba, levanta edifícios modernos, ou recupera? Explora a cultura e o turismo ou entrega para a população de baixa renda? A gestão deve ser da Prefeitura ou continua com o Governo do estado? No caso do governo atual, a péssima gestão do lugar causou perdas de casarões e vidas que são irrecuperáveis, e as instituições gestoras do patrimônio da humanidade perderam completamente a credibilidade com a comunidade depois de anos, promessas e ações infrutíferas. Depois dos últimos e graves acontecimentos, moradores, empreendedores e interessados no bairro resolveram agir, cobrar a responsabilidade da Prefeitura pelos serviços que lhe cabe, pelo espaço urbano, e pela parte da economia do município que está ali, tudo dentro da cidade.

É contagiante e digno de nota a atuação da Acopelô, Associação dos Comerciantes do Pelourinho, do Conseg, Conselho de Segurança do Centro Histórico, de hoteleiros, agentes de viagem, proprietários de bares e restaurantes, artistas, profissionais de turismo e moradores. Falta muito! Faltam as dezenas de ong’s, associações e instituições como Fundação Casa de Jorge Amado, Projeto Axé, Olodum, Filhos de Ghandi e outras, que recebem dinheiro público para atuar, e que podem influenciar bastante nesse processo de ‘renascimento’ do Pelourinho. Falta principalmente a sociedade organizada de Salvador apoiar os arquitetos que denunciaram à UNESCO o descaso do governo com aquele lugar, e participar mais ativamente do destino da história e memória da cidade, visceralmente relacionadas com as suas próprias, para não passarem para esta mesma história como cúmplices do abandono e da destruição.

Mas, os protagonistas do ‘renascimento’ já deram outra cara ao bairro, conseguiram fazer a Prefeitura trabalhar, o Governo do estado reativar a Polícia Turística – digna de nota a parte com o excelente e inovador comando geral do Coronel Valter Menezes – e, mais recentemente, conseguiram da Prefeitura a reativação do projeto cultural Pelourinho Dia e Noite e a promessa de novas ações e mais segurança com o uso da Guarda Municipal. Eles vestiram a camisa literalmente, e logo a cidade e os turistas vão conhecer a campanha de valorização do bairro estampada em camisetas: Pelourinho, Coração da Bahia!

Porém, o Pelourinho sempre foi um lugar surpreendente e encantador para baianos e turistas, inclusive despertando a curiosidade dos visitantes para outros lugares, personagens e manifestações da cidade. Esse é o papel do turismo e o Pelourinho é o principal atrativo da cidade, é o que tem que ter uma mostra dos demais atrativos, é o deve estar bem cuidado e seguro para dar certeza de que os outros também são, é o que deve ter os melhores serviços para continuar atraindo. É a vitrine do turismo da Bahia! Vá, tem muita coisa para ‘compartilhar’, prestigie, participe, o Pelourinho é nosso!

*José Queiroz é guia de turismo

Indigência cultural e ganância da elite baiana atual destroem o Pelourinho

José Queiroz*

 

Não é preciso ser um sábio, um gênio ou um cientista para saber que lugares como o Pelourinho tem muita coisa para compartilhar ou contribuir com a sociedade humana. Mas a própria formação do lugar, e da elite baiana, levaram as pessoas que conduziram o processo à indiferença pelo destino das ‘casas velhas’, pelo que ‘sobrou’ de sociedade ali, por aquele bairro de ruas estreitas e enladeiradas.

O colonizador não veio para morar, veio para fazer dinheiro de qualquer maneira, e voltou para seu país ou foi morar em lugares maiores ou melhores, como os bairros de Nazaré ou Vitória, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, etc. Há mais de 200 anos aquilo é apenas porto, centro administrativo, lugar de aventureiros e malandros, apesar de moradores ilustres e feitos notáveis conhecidos mundialmente. Circular no meio da lama, da merda, dos escravos e dos indigentes sempre foi natural, havendo sempre pouco interesse, tempo e dinheiro para melhorar isto.

Os filhos dos colonizadores e nativos que ficaram na cidade foram estudar em outros países até pouco tempo atrás, e se especializaram em aproveitar o que sobrou:          terras, minas, petróleo, etc., incluindo o povo ignorante herdeiro do sistema escravagista. No Recôncavo Baiano tem gente trabalhando para comer e dormir em fazendas! O intrépido Antônio Carlos Magalhães conseguiu modernizar grande parte da Bahia, mas não conseguiu alterar o quadro dessa região, onde estão os herdeiros da colônia, agora do petróleo e gás, parte dos colonizadores atuais do Brasil. Sim, o Brasil está dividido em feudos da sua elite, controlados pelos partidos políticos e seus ‘capitães do mato’.

As famílias ricas e seus membros, os que financiam ou compõem a elite política, estiveram sempre ‘antenados’ no que acontece no mundo, óbvio, em seus negócios, nas possibilidades de investir, e desfrutar a vida longe daquele meio. Entretanto, a origem rude, aventureira e gananciosa passou de geração a geração e se refletiu sempre no alheamento às transformações culturais e sociais do mundo, condenando o Pelourinho ao ostracismo. Até a tentativa de reforma de 1991, que logo despertou o interesse e a cobiça dos ‘donos da terra’, que trataram de parar a obra e agora oferecem a vista mar, o melhor destino para o Pelourinho…segundo eles, avessos à cultura e ao trabalho!

Essa mesma elite deslumbrada com os lugares bonitos e desenvolvidos do mundo, modernos ou históricos, costuma se hospedar em hotéis maravilhosos, circula em ruas limpas e seguras, frequenta restaurantes finos, e vai a museus e espetáculos famosos. Mas, não conhece o seu país, sua história e suas qualidades, e nega a civilidade ao povo que lhes garante a riqueza e o luxo! Os jornalistas que fazem parte dessas famílias escondem o saque das minas de petróleo, nióbio, ferro, urânio, ouro, diamantes, etc. Recentemente encontraram escândio na Bahia, valiosíssimo, mas o PT de Jaques Wagner – parceiro da elite local – tratou logo de vender aos russos.

E o Pelourinho está correndo o risco de desaparecer, por ignorância e ganância! Seria preciso R$ 1,3 bilhão para recuperar todo o centro histórico de Salvador, muito menos do que se desviou da Petrobras, Eletrobrás, estádios, ferrovias, transposição, fundos de pensão, do que se gasta em campanhas eleitorais fraudulentas, publicidade, etc. Mas os responsáveis por esta área dizem que não tem! O que não dá para acreditar, nem esperar que eles resolvam o problema, afinal, os conchavos já devem ter sido feito, dinheiro antecipado, e compromissos assumidos. E não é demais lembrar que os benefícios culturais, econômicos e sociais que a Cultura e o Turismo podem dar, são imensuráveis!

A sociedade terá que tomar a frente desse processo, pois há muito se sabe da indiferença e negligência por qualidade de vida em Salvador, incluindo a relação com o Centro Histórico. Há uma divisão curiosa na população da cidade: nativos, técnicos, artistas e estudiosos que querem o Pelourinho, e o migrante que veio pelos negócios modernos, que vive nos condomínios, shoppings e aviões, mas gostaria de frequentar o lugar, só não tem as condições adequadas. Ou seja, como tem acontecido ultimamente no Brasil, é apenas uma minoria – a elite, seus gestores e empresários – que decide pela sociedade. E a minoria baiana decidiu se desfazer do Pelourinho!

*José Queiroz é guia de turismo

 

Publicado por: José QUEIROZ | 07/07/2015

IPHAN, IPAC e DIRCAS são responsáveis pela ruína do Pelourinho

IPHAN, IPAC e DIRCAS são responsáveis pela ruína do Pelourinho

José Queiroz*

 

O Estado agigantado, autoritário e incompetente do PT tem mantido três instituições desde 2007, supostamente responsáveis pelo Pelourinho: IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – que é federal, o IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – estadual, e o DIRCAS – Diretoria do Centro Antigo de Salvador – criação petista. Todos recebem salários pagos pelo contribuinte, mas não foram capazes de manter a obra que estava em andamento, opondo-se à campanha de desqualificação – falsa e criminosa! – nem de evitar a ruína física, cultural, econômica e social do lugar, além da perda de vidas, o que a sociedade tem testemunhado.

Ainda querem justificar o injustificável! A oposição ao governo idealizador da obra criou o fantasma da expulsão de moradores pelo Turismo, a maioria deles invasores, como nas ruínas atuais, e da transformação do lugar em shopping center. Incrivelmente, esta falácia ainda é sustentada hoje por gestores públicos, acadêmicos, artistas e jornalistas que freqüentam centros históricos de vários lugares do mundo, cuja função óbvia é cultura, turismo e comércio, inclusive para sustentar-se economicamente. Como fez Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Matos, em 2013, no seminário que festejava 20 anos da reforma que não se concluiu!

O governo que assumiu em 2007 convocou novo grupo para elaborar nova reforma, criou a ERCAS, atual DIRCAS, até hoje sob a responsabilidade de Beatriz Lima, gastou recursos públicos e elaborou um novo projeto – engavetado, especialidade do PT! – paga salários altos e em dia, mas o Centro Histórico de Salvador é o pior dos 19 patrimônios da humanidade no Brasil. Ainda assim, em várias ocasiões, gestores destas instituições alegaram que o problema é anterior à reforma, de responsabilidade de defuntos, e o pouco que foi feito, pasmem!, é obra do PT! Enquanto eles ganham bem, educam bem seus filhos, viajam pelo mundo, o Pelourinho perde seus monumentos, como os azulejos do São Francisco, e o turismo de Salvador definha.

Mas, Carlos Amorim, superintendente do IPHAN na Bahia, encontrou apoio em Patrícia Reis, coordenadora da UNESCO no Brasil, e ambos minimizam a denúncia de abandono do Centro Histórico, devastadora – leiam http://www.caubr.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/denuncia_Salvador.pdf – feita pelo Sindicato de Arquitetos da Bahia, Instituto de Arquitetos do Brasil e Conselho de Arquitetura e Urbanismo do país. Assim eles têm administrado o patrimônio da humanidade confiado a eles! Com publicações e dados manipulados, obras aleatórias e inúteis para a Cultura e o Turismo, e crimes como o da Vila Nova Esperança e o Palco Móvel.

O Centro Histórico de Salvador precisa da intervenção da sociedade, sim, urgente! Uma força tarefa especializada, multidisciplinar, e confiável, pois estas instituições já demonstraram impotência perante o governo que as manipula e incompetência para identificar o que realmente interessa à humanidade, à sociedade, à economia do município, aos baianos, aos profissionais da cultura e do turismo e, sobretudo, ao turista que traria dividendos. Muito mais do que os R$143 milhões anunciados através do PAC Cidades Históricas foram anunciados antes, mas o resultado é o que se conhece. Muitas das verbas foram devolvidas por falta de projetos! Ou será falta de competência?

*José Queiroz é guia de turismo

São João do Pelourinho foi bom para bandas e o povão, não para o Turismo

José Queiroz*

 

Foi uma ‘festa de arromba’ em um país de cofres arrombados! É com as verbas que o Turismo tem direito, ou gera em todos os seus segmentos, que se paga aos artistas, bandas e toda logística. É o dinheiro dos impostos que melhoraria saúde, educação, assistência social e segurança, que é repassado através de leis culturais, que paga os patrocínios. E muito mais caros!

É o show business, são os shows corporativos – aqueles que governantes e empresas contratam – caríssimos, muitos deles superfaturados e questionados na Justiça por muitos municípios, tribunais e Ministério Público. Empresários, artistas e gestores agem como se o dinheiro público não tivesse dono. São João no Pelourinho foi muito bom para quem produz e canta, para seus parceiros no governo, para o povo baiano, para alguns negócios do Pelourinho, mas não para o Turismo, como se alega há 10 anos.

Hotéis com baixíssima ocupação – inclusive no Centro Histórico! – igrejas e museus fechados por medida de segurança, restaurantes e lojas fechados ou com pouco movimento, carros e guias de turismo sem trabalho, etc. Esse tem sido o quadro do São João do Pelourinho que o Governo da Bahia insiste em impor como produto turístico, competindo com o tradicionalismo da festa no interior e em cidades consagradas como Caruaru e Campina Grande. O próprio baiano com melhor poder aquisitivo procura estes lugares! Tem sido ótimo para o soteropolitano, mas deveria ser em outro lugar, com acesso mais fácil, um dos empecilhos para os poucos turistas que vem à cidade.

O São João é apenas uma opção nessa época e o Pelourinho deveria ficar livre para a visitação plena e sem sobressaltos, como compete a um centro histórico e cultural. O aparato de segurança este ano foi magnífico, comandado pelo Coronel da PM Valtér Menezes com reforço da Polícia Turística reativada, da Polícia Civil e da Guarda Municipal, além da comunidade, que está organizada para vigiar o Centro Histórico, alertar, coibir, deter, etc. Mas isto não consegue eliminar os aproveitadores, os riscos, ocorrências e o medo natural das multidões. Somado à dificuldade de acesso, estacionamentos caros e insuficientes, e falta absoluta de estacionamento para veículos de turismo, poucos turistas apareceram por lá.

Além de tudo isto, não é o período de férias do centro sul nem dos países que venderiam Salvador – que começa em julho – e cujas operadoras priorizam praias no Nordeste, o que Salvador não tem, preparadas para o turismo. Nenhum operador imagina famílias ou grupos de turistas do sul do país voando para dançar forró em Salvador! Há nove anos a Secretaria de Turismo impõe uma agenda turística completamente incompatível com o perfil da cidade e dos seus pólos emissores, gastando recursos em publicidade, festas e eventos que não atraem ninguém, apenas enriquecem o show business que não vende mais discos, e encontrou no Turismo e no dinheiro público do país uma fonte de renda farta e fácil, pois ainda não é devidamente fiscalizada.

O São João no Pelourinho foi inteiramente contrastante com o momento que o país atravessa e com as necessidades e prioridades da indústria turística do município. Foi imposição do Governo do estado. Contraditoriamente, o governo atual busca dinheiro em diversas fontes, mas se recusa a cortar gastos ou gastar com o necessário. O governo do PT defende a taxação de grandes fortunas e quer a volta da CPMF, mas não consegue administrar os recursos que possui, como o potencial turístico do estado.

A Prefeitura precisa assumir a responsabilidade da atividade em Salvador, acionar os responsáveis de todos os segmentos e, juntos, criarem o conselho municipal de turismo, usarem os poucos recursos em ações que gerem ganhos permanentes para a cadeia produtiva e para a cidade. Pelourinho não comporta mega eventos, já é lei em outros centros históricos, que são destinos culturais. Música, sim, mas compatível com o perfil do lugar, que atraia baianos de todos os níveis, visitantes e consumidores, que gere negócios e rendas. Afinal, o povo também precisa de pão, não só de circo!

*José Queiroz é guia de turismo

Empresários e gestores do turismo da Bahia ignoram receptivo de Salvador

José Queiroz*

 

Se o turismo de Salvador dependesse apenas de eventos e negócios já teria parado há muito tempo! Ou existiria apenas para os empresários do setor e os gestores públicos. É emblemática a maneira como os detentores do dinheiro e das instituições maiores, e do poder, ignoram solenemente o conhecimento e as necessidades dos milhares de pequenos empreendedores e profissionais da cadeia do Turismo Receptivo, especializados em turismo de lazer e cultural, os quais têm sustentado o receptivo da cidade, principalmente nos últimos anos, já que não tem havido eventos em Salvador!

No último dia 11 de junho, o Conselho Baiano de Turismo organizou uma manifestação em defesa da permanência e recuperação do centro de convenções da cidade, com a presença de empresários, políticos do estado e do município, sindicalistas, agentes de viagens, guias de turismo, sindicalistas e imprensa. Mais uma vez, o Conselho que deveria trabalhar e proteger todos os segmentos do turismo no estado, e as peculiaridades de cada município, reiterou sua prioridade no turismo de eventos e de negócios, conceitos discutíveis, porque evento e negócio é trabalho, não é turismo!

Perguntem a um participante de evento se ele se sente turista! Não! Ele está longe da família, para ensinar ou aprender, sob pressão, por pouco tempo, e não gasta como um turista de férias por uma semana em todos os ambientes e locais ao redor da cidade. Por causa disto, as instituições culturais, por exemplo, estão vazias, negócios fechando. Lugares como Morro de São Paulo, Recôncavo Baiano, e a própria Praia do Forte que prometia ser o paraíso dos eventos, estão esvaziando, pois as pessoas que tem tempo de passear querem ir ao Pelourinho, ao Mercado Modelo, comer um acarajé, falar com baianos – não com organizadores de eventos! – ser chamado de ‘meu rei’, etc.!

Há uma indústria por trás dos eventos e negócios que gera muito dinheiro e rápido, desde a organização, inscrição e vendas de stands, passando pelo rico negócio das passagens, translados e hospedagens, até a propriedade de hotéis e centro de convenções. E o milionário negócio dos shows ‘corporativos’, que são mais caros para empresas e governo! Porém, do 1,035 bilhão de pessoas que viajaram pelo mundo em 2013, apenas 0,7% passaram pelo Brasil – número não confiável! – por falta de infra estrutura, segurança e conhecimento dos interesses do turista moderno. Quase 30% desses turistas estão entre França, Espanha, Estados Unidos e China. E o brasileiro que quer viajar no país fica prejudicado pela ausência de investimentos em turismo de férias, e são direcionados para viajar ao exterior, outro negócio monumental para operadoras.

Há alguns anos, iniciativas de empreendedores e profissionais do Pelourinho e do Turismo Receptivo vêm tentando sensibilizar o Conselho Baiano de Turismo e os governantes do estado e do município para as necessidades do setor, que não funciona apenas três meses no ano, como disse Luiz Leão, presidente do Conselho, não depende exclusivamente do centro de convenções, como disse José Alves, presidente da ABAV Bahia, nem foi negligenciado por governos passado, como disse o deputado estadual Alex Lima. O turismo baiano foi desvirtuado, sim, pelas instâncias do turismo e pelo governo do estado desde 2007! Salvador precisa do centro de convenções, mas precisa de outros cuidados, assim como as demais cidades turísticas do interior da Bahia.

Entretanto, a Prefeitura de Salvador finalmente se sensibilizou com a situação do turismo local, seriamente afetado pela falta de aeroporto, do centro de convenções e de segurança no Centro Histórico, atribuições do governo, e resolveu capitanear um verdadeiro mutirão de recuperação, cooptando o próprio Governo do estado que, por sua vez, está usando os recursos federais que dispõe. Está sendo feito um trabalho abrangente com o comércio de rua que incomoda baianos e turistas, e o Governo da Bahia reativou a Polícia Turística, com pessoal e equipamentos modernos. Melhorou sensivelmente! Mas, falta muito!

Falta, principalmente, o trade supostamente profissional e representativo, fazer o mesmo esforço pelo turismo de férias em toda a Bahia! Cuidar dos atrativos, preparar e fiscalizar a mão de obra, transporte de qualidade, segurança, publicidade, acesso, bons hotéis, etc. Na verdade, faltam empreendedores e profissionais, de cada município, organizarem-se e lutarem por seus negócios, e cobrar de gestores privados e públicos o retorno das taxas e impostos que eles pagam e só enriquecessem alguns!

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 31/05/2015

O uso, o abuso e a falácia do Turismo de Eventos

O uso, o abuso e a falácia do Turismo de Eventos

José Queiroz*

 

O Turismo de Eventos existe, funciona, é importante para muitas cidades do mundo, e para Salvador também. Mas não é a principal vocação da cidade, não foi assim que o turismo começou, nem foram eventos que encheram a cidade de turistas em passado recente. Ao contrário, foram os atrativos culturais e naturais, e ações corretas para divulgá-los, que despertaram o segmento de eventos e o interesse dos atores locais que fazem dinheiro fácil nessas ocasiões. Que precisam dos atrativos, mas não cuidam deles, e por isto muitas empresas não querem mais seus eventos em Salvador.

Nenhuma cidade é turística por causa de eventos, simplesmente porque é impossível mantê-los o ano inteiro em todas as cidades turísticas do mundo, não há empresas suficientes para tanto. Há, sim, muitos intermediários, muita insistência em criar eventos novos, e muitos recursos gerados pelo turismo regular sendo desviados para o aprimoramento das vendas das operadoras, que é caríssimo, e que envolve qualificação, novas ferramentas de vendas, publicidade, viagens de negócios, etc. Foi assim que se descobriu que operadores e os parceiros público/privado locais poderiam ter seus hotéis, sua rede de transporte e seus centros de convenções, como a Arena Sauípe, que custou o sacrifício do centro de convenções e do turismo cultural de Salvador.

Na década de 1980 Salvador recebia um número expressivo de turistas brasileiros, os argentinos vinham em peso conhecer a cidade do Jorge Amado, e os europeus também. Esse número caiu no final da década, mas explodiu de novo nos anos 1990 e se manteve até 2006. Nesse segundo momento, várias operadoras brasileiras e estrangeiras renomadas encheram a cidade de pessoas de todas as idades, principalmente jovens universitários, atraídos pela história, pelo povo e pela música. Ninguém vinha por eventos, que era apenas um complemento das atividades de empreendedores e profissionais. Mas, como se sabe, a reforma do Pelourinho não foi concluída, não houve tempo de aprimorá-la, e os investimentos na cidade cessaram completamente.

Turismo Cultural é a vocação natural de Salvador, e podem-se aproveitar suas praias, comida e música original. França, Espanha e Estados Unidos recebem mais de 50 milhões de turistas por ano e não é por eventos, nem praias, nem festas! Salvador é parte importantíssima da história do continente americano, tem um povo único e uma religiosidade particular. Basta colocar pessoas preparadas para gerir a atividade, como compete à indústria turística! Franceses, espanhóis e afros descendentes norte americanos há muito tempo descobriram as qualidades de Salvador e do seu povo, as quais sua elite e seus gestores não reconhecem.

Qualquer esforço para recuperar o turismo da cidade tem que envolver a melhoria imediata do aeroporto, acabar com a tirania dos taxistas e profissionalizar o atendimento ali e no porto. Os transportes precisam de apoio, renovação, espaço para circular e estacionamento. A Transalvador e a AGERBA são o terror do transporte de turismo! A primeira multa sem apelação, e a segunda está cobrando valores exorbitantes dos proprietários de vans, por exemplo, que pagam uma taxa para sair da cidade, além dos pedágios. Os hotéis precisam de ajuda para recuperação e a cidade precisa de novos hotéis de lazer que acomodem famílias, e não apenas participantes de eventos! Coloquem alguns quiosques no calçadão de Jaguaribe, Salvador precisa oferecer praia, e esta é uma das mais lindas do mundo!

A Prefeitura precisa ter coragem de ordenar e fiscalizar o insuportável comércio ambulante/móvel – conhecido mundialmente! – aquele que acompanha os turistas desde a hora que chegam ao atrativo até a hora de ir embora. Atenção Secretária Municipal de Ordem Pública, Rosemma Maluf: dia 23 de maio, um sujeito se aproximou de turistas para vender seu produto com um cigarro de maconha nos dedos, em plena Praça Municipal. E isto não é difícil de controlar, Salvador não pode continuar assim! Vocês têm que acabar também com a prostituição bizarra da Praça da Sé.

E não inventem nada, secretário municipal Érico Mendonça, e estadual Nelson Pelegrino, Salvador não precisa de ‘corredor religioso’, isto é função das agências, que precisam atualizar seus produtos. Triste do receptivo de Salvador se não fosse a Igreja do Bonfim que se visita desde 1754! É preciso, sim, apoiar não só a visitação à Irmã Dulce, mas aos terreiros de Candomblé e à Mansão do Caminho. Gastem seus esforços culturais no Pelourinho, incentivem a instalação de escolas, faculdades e cursos de história, letras, música, teatro, cinema, jornalismo. Dêem descontos para o baiano estudar, isto os levará a consumir e interagir com os turistas, que os querem conhecer. O Turismo precisa da produção cultural e musical autêntica da cidade! E, pelo amor de Deus! Salvem os azulejos do Convento de São Francisco!

*José Queiroz é guia de turismo
Publicado por: José QUEIROZ | 25/05/2015

Hotéis de Salvador fecham as portas por falta de turistas

Hotéis de Salvador fecham as portas por falta de turistas
José Queiroz*

 

A indústria turística de Salvador vive o seu pior momento desde que foi iniciada, e olha que houve ocasião em que a sensação era de que não sobreviveria, como no período da Guerra do Golfo Pérsico, entre 1990 e 1991. O estado deplorável em que se encontrava o Centro Histórico, o surgimento de novos destinos no Nordeste, e a baixa visitação, não animava investidores, proprietários e profissionais.

Entretanto, a reviravolta foi espetacular, graças à compreensão do fenômeno que é o Turismo, ao desprendimento e ao arrojo do governo do estado no período entre 1991 e 2006. Aproveitou-se o título dado ao Pelourinho, de Patrimônio da Humanidade, e os recursos disponíveis para reformá-lo, para promover a mais ousada onda de investimentos e captação de negócios na história do turismo interno do Brasil. O turismo em Porto Seguro, Chapada Diamantina, Morro de São Paulo e Litoral Norte, é fruto desse momento, que repercutiu no Brasil e no mundo, atraindo não só turistas, mas operadoras renomadas, redes hoteleiras, companhias aéreas e outros negócios.

Porém, a mudança de governo do Brasil em 2003, para grupos com interesses diferentes, e a mal explicada oposição à reforma do Pelourinho, culminou com a mudança de governo na Bahia também, e a suspensão da reforma no início de 2007. Ainda hoje há políticos responsáveis por este retrocesso em atividade, e que continua criticando o governo da época e a reforma. Em nome de um socialismo que só prejudicou as supostas vítimas da ‘malvadeza’, já que a ruína física e social é visível, o que também já repercutiu nacional e internacionalmente.

A Secretaria de Turismo anunciada por ACM Neto não correspondeu, não ouviu o trade da cidade, ignora solenemente os profissionais, é tocada por políticos e seus cargos são criados para acomodar apadrinhados que pagam comissão aos partidos, como acontece na Secretaria de Turismo do estado. Ou ocupados por parentes e políticos sem voto! Atualmente os partidos importam e exportam ‘profissionais’ ao bel prazer, comportam-se como donos das cidades, das atividades e dos destinos. A Saltur existe apenas para organizar o Carnaval de Salvador, ocasião que movimenta uma montanha de dinheiro –a maior parte do contribuinte! – e passa o resto do ano sem fazer nada!

Salvador não está entre as principais opções das operadoras brasileiras e estrangeiras que vendiam a cidade, pois está suja, trânsito caótico, violenta, desmoronando, sem praias, e sem vida noturna autêntica! O Conselho Baiano de Turismo dos últimos anos ignorou os interesses de quem procura a cidade, não cuidou do patrimônio histórico e cultural, insistiu em ações para vender pacotes e hotéis de eventos, resorts e cruzeiros. Usa os símbolos culturais para isto, mas canaliza os recursos para seus negócios. Esvaziou a cidade, que virou dormitório de Praia do Forte e Morro de São Paulo. E quebrou os hotéis de turismo e a cadeia produtiva de Salvador!

Os hotéis precisam de turistas para manter-se, sem eles estão em estado lastimável, com oferta de serviços precários, ou fechando as portas. O charmoso e super bem localizado Hotel Jaguaribe Praia está sendo fechado por falta de clientes e segurança naquela área, onde já fecharam o Hostel Jaguaribe, o Hotel Lazer Piatã, a Pousada Baiona em Itapoan, o Corsário Hotel da Boca do Rio, e o antigo Solar Diana, também. Tem gente fechando no Rio Vermelho! Em Ondina, o Salvador Praia Hotel fechou há muito tempo, mas o escombro continua lá, servindo a um bloco e à Saltur no Carnaval, e o Atlantic Towers deixou de ser hotel. Na Barra já fecharam o Hotel San Marino, o Hotel Porto Farol e o tradicional Albergue do Porto! E no Pelourinho, Pousadas Hilmar e Red Fish!

Quem assume a responsabilidade por isto? Turismo não é brinquedo, senhores, não é passatempo, não é para qualquer um, como pensa a academia brasileira! É coisa de gente grande, culta e honesta, se quiser sobreviver entre os cultos, honestos e trabalhadores da indústria turística mundial! Dêem ‘régua e compasso’ para os profissionais da cidade e, seguramente, ela pode ser uma das melhores do mundo! Não falta turista interessado e dinheiro!

*José Queiroz é Guia de Turismo

Pelourinho cobra ações da Prefeitura contra Governo do estado e Federal

José Queiroz*

 

Dia 10 de maio é o dia do padroeiro de Salvador e do guia de turismo no Brasil, mas, neste ano, os guias da cidade comemoraram sua data no dia seguinte, 11 de maio, participando da tradicional missa de São Francisco Xavier, pedindo a proteção e a ajuda de Deus, e luz para as mentes e corações dos gestores públicos de Salvador, da Bahia e do Brasil, responsáveis pelo Pelourinho e pelo turismo da cidade. Mas fizeram mais: se juntaram com outras instituições do Centro Histórico e protestaram contra o abandono e a violência do lugar, que arruinaram a indústria turística do município!

Sindicato de Guias, Associação dos Comerciantes, Conselho de Segurança, Núcleo Hoteleiro da ABIH e Clube de Diretores Lojistas, foram algumas das instituições presentes no ato na Praça Municipal, que protestou contra a ruína física e social do centro da cidade, que afetou a cadeia produtiva do Turismo Receptivo e, obviamente, a economia do município. As ruínas, a indigência, o assédio de vendedores, a prostituição na Praça da Sé, os roubos, agressões e mortes, falta de estacionamento, limpeza, iluminação, etc. A lista é longa e urge fazer alguma coisa!

O objetivo do manifesto foi cobrar ações da Prefeitura, já que ela é responsável pelo solo, patrimônio, povo e economia do município, contra a ingerência e negligência do Governo do estado e Governo Federal, responsáveis pela guarda e manutenção do Pelourinho, Patrimônio da Humanidade, os quais não têm cumprido com suas obrigações. Desde 2007 vários projetos foram apresentados e não concluídos, tornando desacreditados os pronunciamentos oficiais, como os que foram feitos nesta semana, pelo secretário da Sedur, Carlos Martins, que alega que recuperou 756 imóveis, e de Beatriz Lima, titular da Dircas, que já prometeu vários Pelourinhos novos, além de todos tentarem assumir a paternidade da obra do governo anterior ao PT. O IPHAN tem que ser cobrado por co-responsabilidade e omissão no processo de destruição do lugar!

Qualquer cidadão que transite pelo Centro de Salvador está vendo a ruína, a violência está nos jornais, mas a situação é ainda pior! O Pelourinho é o principal atrativo para operadoras, empresas de eventos, turistas individuais, etc. A falta dele têm afetado os negócios com os centros emissores de turistas para a cidade, causando o cancelamento de programas entre operadores e agências, suspensão de vôos, esvaziamento dos hotéis e falta de investimentos nesse setor, além do fechamento de agências, hotéis, lojas e restaurantes. E o conseqüente desemprego, inadimplência e delinqüência! É caos mesmo, encoberto pelas anúncios oficiais enganosos, veiculados há oito anos!

As suspeitíssimas ruína do centro de Convenções e obra do aeroporto que não termina nunca, e hotelaria sucateada, são outros fatores que fizeram Salvador sumir da lista das 10 cidades mais visitadas do Brasil há muito tempo! Os profissionais do Turismo Receptivo alegam que os interlocutores do Governo do estado não são os mais indicados para falar de turismo em Salvador, pois são operadores, empresários e sindicalistas que direcionam os recursos do setor para negócios de seus interesses, como vendas de resorts e cruzeiros, eventos, festas, etc. Muitos recursos dos contribuintes foram desviados para projetos estranhos ao turismo, como feiras livre, stock car e passeata gay!

O Pelourinho e o Turismo empregam muito mais pessoas do que se imagina, pois o conjunto do Turismo Receptivo é formado pelos trabalhadores das companhias aéreas, do aeroporto, agências, hotéis, transportes, turismólogos – estes já estão completamente esquecidos no Brasil! – guias de turismo, atrativos, lojas, restaurantes, etc. É um percentual expressivo da população de Salvador! E todo esse pessoal, simplesmente, não tem quem os represente e defenda, está à mercê de oportunistas disfarçados de ‘conselheiros’, gestores, profissionais, etc., que vem dando desculpas estapafúrdias para incompetência e desonestidade. Agora, é caso de briga mesmo, literalmente, pela sobrevivência física e profissional!

*José Queiroz é guia de turismo

Turismo de Salvador precisa apenas de acesso, limpeza, hotéis e segurança

*José Queiroz

A insatisfação dos empreendedores e profissionais de turismo com o baixo número de visitantes em Salvador é geral, e as causas são conhecidas, mas não solucionadas pelas instituições responsáveis: Ministério do Turismo, Ministério da Cultura, Ministério das Cidades, Governo da Bahia e Prefeitura de Salvador. E por um motivo muito simples: no Brasil, não há uma instituição voltada exclusivamente para o ‘desconhecido’ Turismo Receptivo. O turismo interno ainda não é reconhecido como uma atividade de peso econômico e constante, que fomenta outras, e é administrado por políticos leigos que apenas ocupam cargos, e defendem outros interesses de seus financiadores e partidos políticos.

Cabe ao Ministério do Turismo coordenar políticas públicas que envolvam a atividade, fiscalizar os investimentos e os resultados. O Ministério da Cultura é o responsável pelos patrimônios da humanidade, o Pelourinho também recebe dinheiro do Ministério das Cidades, e o governo da Bahia é o responsável local, principalmente pela sua manutenção e segurança. À Prefeitura cabe manter a acessibilidade, limpeza, a organização do comércio ambulante, etc. Em Salvador, a Secretaria de Turismo é a responsável pelo setor, que é parte da economia do município. Deveria pôr a Guarda Municipal para trabalhar no Centro Histórico e nas praias!

Na verdade, ninguém está trabalhando para recuperar o decadente turismo da cidade! Gestores públicos não conhecem a realidade do setor, pois são assessorados por operadores locais ou agentes de viagem do receptivo local que se tornaram operadores, e que ganham dinheiro vendendo os resorts do Litoral Norte, Morro de São Paulo e outros destinos. Ou ganham ocupando cargos públicos! Estes não são afetados pela baixíssima freqüência de turistas na capital, algo em torno de 50% nos feriados, e muito menos durante a semana, o que não sustenta a cadeia produtiva. Os grandes eventos que haviam sido captados para Salvador – até 2018! – estão sendo cancelados!

É claro que precisamos de aeroporto e centro de convenções, mas sem Pelourinho, hotéis e segurança, ninguém vem! Os organizadores de eventos precisam de um atrativo, e seguro! A desinformação geral sobre a importância do Centro Histórico para a cidade é vergonhosa, principalmente porque sua elite econômica, acadêmica, política e cultural, incluindo jornalistas, freqüentam cidades antigas ao redor do mundo. No entanto, se calam ante a destruição desse lugar e da atividade turística, outrora intensa e responsável pela geração de milhares de emprego, renda e crescimento cultural. Aliás, o Pelourinho, como está, reflete bem o nível político, cultural e técnico da gestão pública no Brasil!

O turismo da cidade precisa de mais trabalho de seus gestores e menos disputas políticas! Uma desgraça no país! O governo do PT suspendeu a obra que estava em andamento porque foi iniciativa do partido anterior, inventou uma nova reforma para beneficiar seus apadrinhados, mas nem isto fez! Abandonou o lugar que é o principal atrativo da região e condenou centenas de empreendedores e milhares de trabalhadores à ruína, com o afastamento de baianos e turistas. A gestão de João Henrique na prefeitura foi conivente e omissa, e a atual, de ACM Neto, não consegue trabalhar, assumir a responsabilidade e a manutenção do Patrimônio da Humanidade, prerrogativas do Governo da Bahia. Que não faz nem deixa fazer!

*José Queiroz é guia de turismo

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