Festas e eventos em vias públicas de Salvador prejudicam o turismo

José Queiroz*

 

Sexta feira, 28 de março de 2014, 18hs, Centro de Salvador, véspera do 465º aniversário da cidade, sexto dia de festa. Patrocinados pelo dinheiro do contribuinte, artistas, gestores públicos e seus parceiros da iniciativa privada, mídia, e familiares ‘apaixonados’ pela cidade, saltitam alegres no espaço preparado para eles, mas que, no dia a dia, está arruinado, perigoso e vergonhoso para a cidade, para quem trabalha ali, para profissionais do turismo e turistas que, por causa da festa, são obrigados a buscar transportes longe dali, sem proteção, pois a ‘segurança’ só existe na área do evento.

Em pleno dia de trabalho para empresas que precisam produzir ou vender para pagar seus escorchantes impostos, e para trabalhadores que ganham pouco para suas necessidades, o Centro de Salvador estava fechado para o trânsito de veículos. Quem quisesse que procurasse transporte, pois é impressionante – e emblemática! – a eficiência da truculenta, incompetente, e eterna grevista Transalvador, nestes momentos. Contrariando à desculpa da festa para atração de turistas, ela não reconhece nem respeita transporte de turismo! Em nenhum atrativo famoso de Salvador há estacionamento adequado para carros de turismo. Muito menos nas festas! O Farol da Barra está fora do circuito turístico da cidade por falta de estacionamento.

Este problema é antigo em Salvador, porém se agravou desde a gestão de Domingos Leonelli, PSB, na Secretaria de Turismo da Bahia – 2007 a dez/2013 – manipulado pela ganância e irresponsabilidade de gestores públicos, empresários artísticos e produtores de eventos sedentos pelo dinheiro público, principalmente agora que cantores, por exemplo, vendem poucos discos por causa da internet e pirataria, e a permissiva Lei Rouanet garante dinheiro do contribuinte para qualquer coisa em nome da Cultura, mesmo com documentações irregulares, que não são raras.

O Carnaval inviabiliza completamente o turismo de férias de Salvador no período, pois os hotéis ficam mais caros, é impossível circular entre Ondina e Pelourinho, e muitos atrativos e equipamentos necessários, em outros pontos da cidade, têm seu funcionamento comprometido pela festa. Corridas de Rua, Maratonas, etc., na orla da cidade, fecham áreas enormes para o trânsito de carros, sem maiores avisos e orientações, dificultando o acesso a muitos hotéis, atrasando ou inviabilizando a saída de turistas em excursões, e prejudicando o funcionamento das agências que pagam impostos que também são utilizados no patrocínio de eventos. As festas no Farol da Barra e Jardim de Alah são corriqueiras, arbitrárias e prejudiciais à mobilidade do turismo da cidade!

Mas, atualmente, a exploração das festas e eventos passou dos limites em Salvador, já é tema do sofrido povo da cidade em qualquer lugar, em qualquer esquina, pois não há tanto o que comemorar, e é visível o empenho e o gasto da prefeitura em iniciativas que não são básicas para a cidade e sua população. Quatro dias de réveillon infernizou o fim de tarde no Centro da cidade, com palcos no meio da rua, trânsito proibido, e delinqüentes à solta, como no aniversário da cidade. E vem mais festa para a Páscoa! Perguntem aos profissionais de turismo e ao povo se eles querem Carnaval em junho!

É revoltante o descaso da Prefeitura da cidade com o Turismo Receptivo! O Pelourinho está ‘levantado’, quer ser ouvido e atendido em suas justas reivindicações, amparadas no direito à contrapartida dos impostos e aluguéis de edifícios públicos arrecadados ali, e pelas necessidades e prioridades reais do lugar – que não é festa! – e sim gestão séria e competente do Patrimônio da Humanidade que gera trabalho, renda e crescimento cultural para a cidade e o estado. O turismo de Salvador precisa ainda de novos hotéis, mobilidade e segurança, e para isto a Prefeitura não tem feito nada.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 25/03/2014

A importância do ‘Bate e Volta’ para a indústria turística

A importância do ‘Bate e Volta’ para a indústria turística

José Queiroz*

Tecnicamente eles são chamados de Full Day – Dia Completo – ou Day Use, que é a mesma coisa. Porém, no diferente – e bom! – português do Brasil, é Bate e Volta. Há mais ‘tours’, ‘excursões’, ou ‘passeios turísticos’ deste tipo do que se pode imaginar. E no mundo inteiro! Em Roma, por exemplo, brasileiros lotam ônibus às seis horas da manhã para ir à Pompéia. E no Brasil são muitas as saídas de cidade a cidade para passear, conhecer, aproveitar as férias, a ocasião, o tempo e os recursos disponíveis.

Mas, a falta de profissionais nos órgãos gestores do turismo criou uma imagem destes passeios completamente diferente da que os interessados têm deles. Quem vai ao Rio de Janeiro, por exemplo, quer conhecer Angra dos Reis e Parati, de um lado, Búzios, de outro, e Petrópolis também! Acontece que estes lugares não estão dentro da cidade do Rio de Janeiro, e ninguém pode impedir o visitante de conhecê-los. Mas, se depender dos gestores do turismo brasileiro, lugares como estes e outros, não serão visitados.

Dois atrativos baianos sofrem as conseqüências desta postura: Mangue Seco e Morro de São Paulo! O primeiro, absurdamente, ainda não tem acesso para carros comuns, não tem um porto à altura da sua fama e do razoável número de visitantes diários que chegam ali, procedentes de Salvador ou Aracaju, e tem desestimulado as agências que vendem o atrativo devido as interferências arbitrárias da prefeitura de Jandaíra, sem fiscalização do Ministério do Turismo e ministérios públicos, pois o prefeito Roberto Leite, PMDB, proibiu até a iniciativa privada de formar parcerias. O local é uma APA – Área de Proteção Ambiental – famoso pela obra de Jorge Amado, atrai pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo, e poderia oferecer turismo ecológico e de aventura com qualidade, e cobrar taxa de visitação, como outros atrativos naturais.

Morro de São Paulo é um dos lugares mais bonitos do mundo, porém o acesso ao lugar é precaríssimo. Não há vôos para a região, os barcos que saem de Salvador direto para o lugar estão obsoletos – as heróicas companhias que se propuseram a ligar o atrativo a capital baiana precisam de ajuda para modernizar suas frotas – e a maneira mais utilizada, via Itaparica e rodovia BA 001, se tornou vergonhosa devido a falta de espaço adequado e barco turístico para atravessar a Baía de Todos os Santos, a impressionante quantidade de lixo que se vê na estrada, dentro da ilha, os buracos e os riscos no trecho entre Nazaré das Farinhas e Valença, e a falta de porto moderno em Morro de São Paulo, devido a queda de braço entre o governo do estado e a prefeitura de Cairú. Tudo isto por falta de atuação dos órgãos e gestores do turismo da Bahia!

Gestores em geral estão ligados à elite econômica de cada região e aos partidos políticos que determinam investimentos, e muitos deles são completamente despreparados para determinadas atividades. No caso do Turismo, há lugares onde grupos e gestores têm seus próprios interesses e planos, isolando ou desperdiçando verdadeiros paraísos de férias, ou confundem tours profissionais, mesmo o ‘Bate e Volta’, com excursões improvisadas e mal conduzidas, supostamente predadoras ou perturbadoras da ordem.

Porém, em todos os lugares aonde chegam estas excursões, elas fomentam a economia deles, em muitos casos turistas pagam taxas de visitação que ficam com diferentes órgãos públicos, como os R$ 15,00 para preservação ambiental que se paga na entrada de Morro de São Paulo – são 200 pessoas, em média, diariamente! – ou os R$ 42,00 diários em Fernando de Noronha, entre outros. Turistas contratam pequenos serviços nestes lugares, consomem nos restaurantes e compram lembranças nas lojas, sustentando empregos e gerando renda para famílias e impostos para governantes, e, principalmente, são os mais eficientes instrumentos de propaganda deles!

Gestores sonham em lotar estes lugares, e prometem isto aos pequenos investidores que são obrigados a pagar impostos, mesmo sem terem clientes. Eles acreditam que a publicidade é bastante, para tanto gastam rios de dinheiro em medidas inócuas, e esquecem dos pólos emissores, São Paulo, Buenos Aires, Europa, etc., seus padrões de vida e expectativas, como acessibilidade, limpeza, serviços, e segurança. A própria Salvador está penando com esta falta de profissionalismo, com o arruinamento, a insegurança e o descaso com a principal âncora de toda a região, que é o Pelourinho e a obra do Jorge Amado, e está esvaziando, desestimulando a vinda de pessoas que sairiam em ‘Bate e Volta’ para Mangue Seco, Morro de São Paulo ou Cachoeira.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 16/03/2014

Prefeitura de Salvador gasta recursos do Turismo com festas

 

 

Prefeitura de Salvador gasta recursos do Turismo com festas desnecessárias

José Queiroz*

 

Festas não atraem turistas! Nem mesmo o Carnaval, evento que prejudica sensivelmente a indústria turística do município, por causa da alta de preços e falta de mobilidade e segurança em toda a cidade. Durante os dias da festa o que se vê são carros de turismo vazios e agentes de viagem sem clientes, mas com contas para pagar. Quem ganha dinheiro são transportadores, camarotes, blocos e cervejarias, a maioria parceiros privados da secretaria de Turismo do estado e da própria Prefeitura, através da Saltur.

O prefeito ACM Neto tem recebido críticas e tem tentado justificar com a alegação de ‘patrocínios’, mas esse dinheiro é deduzido de impostos através das leis de incentivo fiscais, e desfalca as necessidades básicas do contribuinte, sim, que não usufrui do lucro gerado pela generosidade de gestores públicos e seus parceiros. No caso do Turismo, governantes tem usado e abusado da desculpa de que isto atrai visitantes, e não é verdade, ao contrário, além de afastá-los, os recursos gastos ao longo dos últimos anos serviriam para recuperar o Centro da cidade – que é o que o Turismo precisa! – especialmente desde 2013, na gestão de Guilherme Belintani, titular da Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador, que também é empresário da noite.

O último Reveillon foi uma autêntica demonstração de improbidade administrativa! 4 dias, mais de R$ 6 milhões! Como se o Centro da cidade não tivesse outras necessidades e prioridades, e Salvador tivesse tanto o que comemorar, pois além de ter o próprio Centro arruinado física e socialmente, não tem serviço de praia para baianos e turistas, e é a terceira cidade mais violenta do país. R$ 28 milhões foi o anunciado para os 8 dias de carnaval, mas se for investigado, seguramente, a cifra é bem maior! E o prefeito ACM Neto vai patrocinar para seus parceiros mais um absurdo carnaval em junho! Porém, o que despertou a indignação de boa parte da cidade, e da maior parte da indústria turística – aquela que não é parceira do Estado ou da Prefeitura – especialmente a comunidade do Pelourinho, é a farra com dinheiro público que vai ser feita durante 8 dias, por conta do aniversário da cidade! E ainda haverá mais festa na Páscoa!

O turismo de Salvador precisa do Centro Histórico, serviço de praia e segurança! O prefeito ACM Neto não tem cumprido as promessas que fez ao Pelourinho quando precisou de apoio para eleger-se, não teve coragem, ou seu partido não tem interesse, de concluir a reforma do bairro, rodeado por ruínas de prédios e ruínas humanas que espantaram baianos e turistas. O descaso com o Patrimônio da Humanidade repercutiu até fora do país! E não adianta inventar atrativos, o turista quer o bairro de Jorge Amado, quer curtir praia, quer hotéis bons, mobilidade, serviços profissionais e segurança! O resto é conversa fiada, é mentira oficial, é incompetência, é desvio dos muitos recursos que são gerados ali e outros que o bairro tem direito por diversas vias, nacionais e internacionais. Instituições públicas e civis se beneficiam e se omitem com o que está acontecendo no Pelourinho. A gota d’água para os defensores do Centro Histórico foi o anúncio da venda de mais 300 casarões, que foi feita no último Natal!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Publicado por: José QUEIROZ | 13/02/2014

Turismo no Recôncavo Baiano

Turismo é a terceira chance de desenvolvimento do Recôncavo Baiano

José Queiroz*

 

   

Originalmente, o termo recôncavo designa o conjunto de terras ao redor de qualquer baía, mas nenhum se tornou tão conhecido mundialmente como o Recôncavo Baiano, formado por 33 municípios, 11.000 km², e cerca de 750 mil habitantes, ao redor da Baía de Todos os Santos, ou dependente dela. O que o caracterizou inicialmente foi a cadeia produtiva do açúcar, onde alguns lugares o produziram e outros se encarregaram de fornecer alimentos, carne, madeiras, barcos e artefatos necessários ao negócio.

Uma produção pouco conhecida do baiano, que sobrevive até os dias atuais e se tornou uma atração turística, é a produção de fumo – que foi uma moeda importante no comércio com a África – e charutos de várias cidades, como Cachoeira, Cruz das Almas, São Gonçalo e São Félix, onde está a mais famosa fábrica, a Dannemann, fundada em 1873, criadora do Centro Cultural Dannemamm, e uma das idealizadoras da Bienal de Artes do Recôncavo. Este mesmo grupo tem uma grande plantação de fumo na região, onde recebe turistas e mantém um projeto de reflorestamento. Muito pouco dessa produção fica no Brasil, pois o fumo baiano é um dos mais apreciados no mundo.

Toda esta engrenagem se beneficiou da natureza privilegiada ao redor da Baía de Todos os Santos, onde deságuam rios que cortam a região e fertilizam as terras ao redor do autêntico ‘mar mediterrâneo’, com cerca de 200 km de orla, infelizmente, muito mal explorados. Ela foi generosa com os primeiros proprietários e seus herdeiros atuais que, entretanto, não o foram com índios, escravos e trabalhadores comuns, apesar da imensa riqueza que gerou por três séculos, incluindo a formação de profissionais, artistas e líderes que se destacaram no Brasil e no mundo, que ajudaram a aprimorar a sociedade humana, mas não a do Recôncavo Baiano.

A região parou e empobreceu por mais de 50 anos com o fim da escravidão, muitas pessoas migraram para Salvador ou outros lugares do Brasil, mas, outra vez, a natureza presenteou o Recôncavo. O petróleo jorrou na metade do século 20, o que originou a Refinaria Landulfo Alves, uma das maiores do Brasil, além do Pólo Petroquímico de Camaçari, a desconhecida produção de Taquipe, em São Sebastião do Passé, e o futuro estaleiro que está sendo construído em São Roque do Paraguaçu, para construção de plataformas e navios petroleiros. Mas, os abundantes recursos, os partidos políticos, e as faculdades da região, não conseguem atrair formação, desenvolvimento e renda para as pessoas. O desemprego e o subemprego continuam causando migração e violência.

De qualquer maneira, todo este trânsito de empreendedores desde o século XVI, tornou o Recôncavo Baiano conhecido mundialmente, freqüentado por navios de carga inicialmente, e pelos cruzeiros desde o começo do século passado, pois muitas pessoas, famílias e grupos econômicos têm laços seculares com este lugar e ajudam a divulgar, além das iniciativas na área de turismo que, lamentavelmente, tem sido poucas e isoladas. Culturalmente, a região é, simplesmente, uma das mais importantes das Américas, e pode oferecer para o turismo, história, povo autêntico, manifestações populares únicas, praias belíssimas, muita música e festa!

A visitação à Cachoeira, monumento nacional, porto colonial estratégico para o fumo e os minerais da Chapada Diamantina, passando por Santo Amaro, do açúcar, – precisa ser incluída São Francisco do Conde! – ainda é muito tímida, não tem recebida a devida atenção dos gestores do turismo, a maioria despreparada culturalmente e tecnicamente para a atividade. É preciso que se aprimore a ligação de São Félix com a BA 001 para facilitar o deslocamento na região, assim como é preciso movimentar o aeroporto de Valença, outra cidade de relevante importância histórica, econômica e turística, e que tem recebido muita gente em Guaibim, que poderia ser ligada a Caixa Pregos por uma ponte, e assim recuperar o turismo em Itaparica, abandonada pelo governo atual.

Morro de São Paulo é o carro chefe do turismo no Recôncavo Baiano! É preciso aproveitar esse interesse mundial e divulgar outros atrativos da região, mas eles têm que ser preparados. Não basta o lugar ser bonito e famoso, ele tem que ser acessível, seguro e oferecer bons serviços, que incluem o conhecimento da história, da indústria turística, do perfil dos visitantes, e da região. Morro precisa de um porto à sua altura, de disciplinamento do serviço de carregadores de mala, precisa conter a infiltração de aventureiros no turismo e, principalmente, manter a limpeza das praias. A terceira praia precisa de um trabalho especializado de contenção da maré e circulação das pessoas.

A prefeitura de Cairú e o governo da Bahia têm um grande negócio e uma grande responsabilidade em suas mãos, pois não há outras opções de emprego na região, e Morro de São Paulo acaba atraindo gente demais em busca de trabalho. É preciso controlar a entrada de aventureiros e de turistas, como acontece em outros atrativos do mundo, pois o limite são os leitos disponíveis. Não é demais lembrar que turistas não se plantam, como a cana de açúcar, ou se extrai, como o petróleo, é gente que precisa ser atraída, que vê, pensa, critica, recomenda, ou não. A cana durou 300 anos, o petróleo já tem 60, e o turismo pode durar mais de 2000 anos, como na Grécia e na Itália. Ou não!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

 

 

Prefeitura de Cairú não reinveste o que arrecada em Morro de São Paulo

José Queiroz*

 

O pagamento da Taxa de Preservação Ambiental é obrigatório para quem entra em Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, município de Cairú, na Bahia, e custa R$ 15,00. Cerca de 500 pessoas entram diariamente na famosa localidade, e o número dobra em vários momentos durante o ano, o que significa que a prefeitura arrecada, aproximadamente, R$ 3 milhões. É verdade que não é muito dinheiro, e a taxa ainda vai completar um ano em março, mas a prefeitura já cobrava Taxa de Turismo desde 2006.

Há um aeroporto no município de Valença para facilitar o acesso à Morro de São Paulo, mas subutilizado, pois não há vôos regulares, e há uma única companhia aérea com pequeníssimos aviões pousando em Morro, o que não atende a demanda. Também entram pessoas por Valença, que vem de carro, do sul ou do centro do país. Mas, Morro de São Paulo depende mesmo é de Salvador, por mar, ou por mar e terra! E o acesso é precaríssimo, desde a saída da capital até o cais do vilarejo, que já não comporta o fluxo de embarcações, causando demora de até 40 minutos para atracar um barco, além de estar constantemente congestionado por carregadores de malas e seus ‘taxis’, como são chamados os carrinhos de mão em Morro de São Paulo. O ambiente é caótico, ruidoso e temeroso, pois muitos ‘taxistas’ se aproximam perigosamente das pessoas, muitas vezes com gritos deseducados.

Cairú foi um dos municípios mais prestigiado pela gestão de Domingos Leonelli, que esteve à frente da secretaria de turismo da Bahia por sete anos, até dezembro de 2013, mas os tais cursos de qualificação foram muito superficiais, como em todo o Brasil, e os recursos disponíveis para a Copa do Mundo não foram utilizados para modernizar o turismo náutico no lugar. Não há nenhum porto turístico adequado na Baía de Todos os Santos ou no Arquipélago de Tinharé, apesar de todos os anúncios de captação de verbas e investimentos nesse segmento, feitos pelo ex secretário de turismo da Bahia. Cairú também arrecada muito com o royaltie do gás natural explorado em seu litoral, mas não foi capaz de recompor o píer flutuante da Gamboa, outra localidade na mesma Ilha de Tinharé, e que afundou há alguns meses!

O Terminal Turístico de Salvador foi ‘concedido’ no ano passado para um grupo que não é do ramo turístico, e a empresa limitou-se a pintar o edifício, que não tem ar condicionado, tem péssimos e fétidos banheiros, e passou a cobrar mais das empresas para atracar seus barcos, o que já fez subir em mais de 20% a passagem para Mar Grande, cujo salão de embarque é horrível: pequeno, quente e sujo. O terminal aquaviário de Mar Grande é constrangedor, pequeno para a demanda, sem teto de cobertura, de difícil circulação de veículos, e com uma obra que se arrasta indefinidamente. E ainda tem os transtornos causados pela maré baixa, quando as lanchas são desviadas para um desembarque precaríssimo em Bom Despacho, cujo entorno do terminal está completamente arruinado.

Não há espaço nestes portos nem barcos apropriados para turistas cruzarem a Baía de Todos os Santos, pois as lanchas e os ferries são desconfortáveis e lentos. Todas as operadoras e agências da cidade estão buscando este caminho para ir à Morro de São Paulo e voltar no mesmo dia, evitando o barco por mar aberto e o mal estar de alguns passageiros. São passeios comuns em muitas cidades do mundo, e que também incrementam a economia destes lugares. Porém, os transtornos são muitos! A Ilha de Itaparica foi completamente abandonada pelas prefeituras de seus dois municípios, Vera Cruz e Itaparica. Há, por exemplo, uma montanha de lixo nas margens da rodovia BA 001, no trecho Bom Despacho/entrada de Cacha Pregos – os condomínios Aruá e Pasárgada, entre outros, depositam seus lixos entre sua entrada e a rodovia, a céu aberto – e em Valença, na Ponta do Curral, uma obra gera lixo que está sendo depositado nas margens da estrada, em plena natureza, num lugar paradisíaco.

A viagem que poderia durar duas horas está durando três horas e meia, pois além dos portos deficientes, a passagem por Nazaré das Farinhas é demorada e vergonhosa, por causa do piso inteiramente danificado. O trecho da BA 001 entre Nazaré e Valença continua esburacado, mas com máquinas ganhando dinheiro público para manter os buracos trafegáveis. O porto de Ponta do Curral, onde ficam as lanchas rápidas e outros barcos que complementam a viagem, também já está superado, está pequeno. O reflexo de tudo isto é Morro de São Paulo com leitos vazios em pleno verão, pois não basta ser bonito. E não é para evitar super lotação, pois esta pode ser controlada, como em Fernando de Noronha e Bonito, no Mato Grosso.

Preservação Ambiental pressupõe manter o ambiente atrativo, e isto inclui acessibilidade e boa receptividade por vários meios. A região precisa de um trabalho conjunto do governo do estado, governo federal, e das prefeituras de Salvador, Vera Cruz, Itaparica, Jaguaripe, Nazaré, Aratuípe, Valença e Cairú. O simples trânsito de turistas acompanhados por guias de turismo desperta o interesse pela cultura, economia e visitação dos lugares. Itaparica tem praias lindas, mas muito mal cuidadas, como a Praia da Penha, uma das mais bonitas da Bahia, onde turistas poderiam voltar, e Guaibim, em Valença, também está aparecendo para o turismo. O potencial de negócios relacionados com terras e produção agro industrial não é desprezível. A cerâmica de Maragojipinho precisa ser vista! E as possibilidades relacionadas com o mar, a pesca e os esportes, são muitas. Mas tudo isto precisa ser acessível, cômodo, seguro, e mostrado com profissionalismo.

José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Publicado por: José QUEIROZ | 21/01/2014

Turistas em situação de risco na esburacada rodovia BA 001

Turistas em situação de risco na esburacada rodovia BA 001

José Queiroz*

Todos os dias se vêem publicidade do governo de Jaques Wagner, PT, principalmente de supostos 7000 km de estradas recuperadas ou construídas. Mas, faltaram 40 km – entre outros, na verdade! – vitais para o turismo e a economia do baixo sul da Bahia: trata-se da estratégica estrada estadual que liga Nazaré das Farinhas a Valença, construída no governo anterior e destruída no atual. Na situação que está, com crateras ao longo de 15 km, ela está expondo moradores, baianos veranistas, e turistas brasileiros e estrangeiros a acidentes e assaltos. Há meses o governo ‘mantém’ as crateras trafegáveis através de máquinas que, certamente, recebem dinheiro público.

São quatro prefeituras diretamente interessadas: Nazaré das Farinhas, Aratuípe, Jaguaripe e Valença, e outras quatro beneficiadas: Salvador, Itaparica, Vera Cruz e Cairú, pois o fluxo de transporte coletivo e rodoviário de passageiros, mercadorias e turistas é intensíssimo nessa região. Cairú está incluída porque a maioria dos turistas que circulam aí se dirigem a Morro de São Paulo, onde a prefeitura arrecada muito dinheiro através da taxa de preservação ambiental, que custa R$ 15,00 por pessoa, e gera cerca de R$ 1 milhão por mês. Mas, todas as prefeituras entre Valença e Ilhéus também devem ser incluídas na lista da negligência administrativa, já que muitos veranistas e turistas circulam na região e fomentam suas economias. Entretanto, o Governo do estado é o principal responsável!

Curiosamente, há pouco mais de um ano, foi recuperado o trecho entre Jaguaribe – a partir da ponte que liga Itaparica ao continente – e Nazaré das Farinhas, facilitando o trânsito de quem busca a BR 101 ou Salvador através do ferry boat, mas o acesso à Valença, que era bom, se deteriorou perigosamente nesse meio tempo. A própria passagem por Nazaré das Farinhas em direção àquela região é vergonhosa, reflete o descaso do governo da Bahia pelo turismo de lazer, no caso, de praias. Para quem não conhece, este acesso é feito por ruas com buracos atípicos: o asfalto que existiu em algum tempo foi colocado sobre paralelepípedos, mas perdeu pedaços, deixando o piso inteiramente irregular. Além disso, passa-se entre casas de moradias, num ziguezague perigoso e incompreensível para os dias de hoje.

Há uma opção para evitar tudo isto, um caminho aberto que poderia ser aprimorado, porém, as más gestões da prefeitura de Nazaré das Farinhas e do governo da Bahia o ignoram, comprometendo lamentavelmente a indústria turística que poderia gerar muitos benefícios para a região. São várias empresas de turismo circulando aí diariamente, já que elas não querem utilizar barcos diretos para Morro de São Paulo, devido aos balanços dos barcos e mau estar de passageiros, e mesmo a instabilidade de alguns períodos do ano, quando é impossível navegar. Mas algumas já estão desistindo, pois está cada vez mais difícil, dispendioso e perigoso trafegar por esta estrada.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Arbitrariedades e obras paradas comprometem turismo em Mangue Seco

José Queiroz*

Mangue Seco é a ponta de uma península que pertence ao município de Jandaíra, Bahia, no extremo norte do litoral baiano, a 250 km de Salvador. E que está isolado de sua prefeitura, tanto pelo estuário do Rio Real, como pela falta de ligação terrestre com a sede administrativa, e, por isto, se relaciona muito mais com Estância, em Sergipe, berço da família Amado. Assistência médica, formação profissional e gêneros de todo tipo, vem daí. Mangue Seco recebe muito mais turistas de Sergipe que da Bahia!

A primeira tentativa de facilitar o acesso de turistas provenientes de Salvador aconteceu na década de 1990, com a construção da Linha Verde que, entretanto, passou a 30 km do povoado, ficando a ligação entre Costa Azul – também pertencente a Jandaíra – e Mangue Seco, para a posteridade. Porém, mais de 20 anos depois, quem sai de Salvador para a famosa praia continua dependendo de Sergipe, pois a estrada começou a ser construída, mas a obra está parada. E pior, a prefeitura impôs medidas que prejudicaram os principais atrativos e tornaram a visita ao lugar caótica, frustrante e desaconselhável.

Quem vai a Mangue Seco quer passear de buggy nas dunas, ver a igreja, e a casa onde filmaram cenas da novela e do filme, mantida da mesma maneira por dona Flora, prima de segundo grau do escritor Jorge Amado. O povoado sempre recebeu veranistas no fim de semana, mesmo antes da novela, mas isto aumentou inegavelmente, inclusive durante a semana. Porém, o turismo profissional de agências e operadoras de turismo dispostas a investir no lugar é o que garante turistas, trabalho, renda, impostos e benefícios para todos. O ano inteiro, já que não há outra atividade!

Mas a prefeitura de Jandaíra resolveu interferir e participar do negócio, e de maneira atabalhoada. O prefeito Roberto Leite foi reeleito em 2012, e seu sobrinho, Adilson Leite, ex bugueiro, foi eleito vereador nesse pleito. Esta gestão começou a construção de um muro, ou quebra mar – também passarela, e com porto – na frente do povoado voltada para o estuário, e onde todas as pessoas desembarcam. Para isto proibiu atracadouros particulares, e a circulação de buggy na praça principal, onde estão a casa e a igreja. Porém, a medida mais arbitrária, inconstitucional, e lesiva ao Turismo, foi a proibição de negócios entre proprietários de buggies de Mangue Seco e agências de turismo.

É isto mesmo que você leu: a prefeitura de Jandaíra proíbe a iniciativa privada de fazer parceria em Mangue Seco. Ela criou uma cooperativa de bugueiros e obrigou os proprietários a fazer parte dela, se quiser trabalhar, arbitrando taxa de inscrição e pagamento de R$ 5,00 por passeio. São cerca de 60 buggies que fazem uma média de 4 passeios por dia, o que equivale a R$ 36 mil mensais. O pretexto do pagamento é aprimorar as instalações da cooperativa que até a presente data não tem banheiro para os turistas que desembarcam em Mangue Seco na lama do estuário, por falta de porto.

Alguns agentes de viagem pensaram ser boa a iniciativa, porque encontravam buggies á vontade na baixa temporada, mesmo em estado precário, sem oferecer apoio aos profissionais de turismo, sem garantias de substituição em caso de pane, e sem aceitar cartão de crédito, como é normal na atividade turística. Estes deveriam levar seus turistas agora, na alta temporada, e submetê-los a espera de mais de uma hora sob o sol e a ira de particulares descontentes porque guias de turismo contratam 10 ou mais buggies de uma vez. E ainda ter que mandar seus turistas pouco a pouco, sozinhos, sem guia, porque não se pode reservar. Nem os membros da cooperativa estão satisfeitos!

Mangue Seco tinha dois locais para contratar buggies, e proprietários podiam atender qualquer pessoa ou agência quando procurados, como é normal em turismo. Porém, um único grupo dava apoio integral ao turismo, inclusive disponibilizando cais, banheiros e carros para inspeção de agências – que a cooperativa não dá! – era o grupo Asa Branca, que foi obrigado a dividir seus clientes com os cooperativados. O Ministério do Turismo precisa interferir nessa situação e colocar ordem no turismo de um dos legados de Jorge Amado, Mangue Seco, além de garantir a livre iniciativa e a geração de emprego e renda para todos. E que este caso sirva de alerta para o que acontece em outras localidades turísticas do Brasil!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

 

 

Publicado por: José QUEIROZ | 29/12/2013

Mexeu com o Pelourinho, mexeu comigo!

 

Mexeu com o Pelourinho, mexeu comigo!

José Queiroz*

A Secretaria de Turismo da Bahia, na gestão de Domingos Leonelli, PSB, finalizada nesse fim de ano de 2013, concentrou esforços e recursos em eventos, festas e shows, que são segmentos do turismo, efetivamente, mas não são as principais atrações do estado, muito menos de Salvador. O carnaval da cidade, por exemplo, é um dos principais atrativos, mas não sustenta a cadeia produtiva do turismo o ano inteiro, como o Pelourinho, principal atração e âncora da região. Apenas o que se gasta em um ano no Carnaval, direta e indiretamente, daria para concluir a reforma do Centro Histórico e reaquecer a indústria turística do município por muito tempo.

A prefeitura atual, através da recém criada Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, chefiada por Guilherme Bellintani, segue o mesmo modelo, e já anunciou 93 eventos até 2017, 30 por ano, e até um segundo carnaval! Os gestores do turismo baiano dos últimos sete anos insistem em mudar o perfil turístico da cidade, gastando um volume de recursos que poderia ser utilizado para deixar a cidade exatamente como baianos e turistas querem: limpa, iluminada, segura, acessível, bem equipada, com bons hotéis, boa mão de obra, e atrações autênticas.

Turistas não viajam apenas por shows, senhor Bellintani! E os profissionais de turismo da cidade sabem disso. Ao contrário, eles têm horror à ‘muvuca’ do carnaval, e assim como os baianos, estão com medo de ir ao Pelourinho, não suportam a indigência e o assédio constrangedores, e não estão seguros à noite. E não há atrações locais como mostra a propaganda do governo, pois o dinheiro que poderia garanti-las está comprometido com grandes festas e cachês absurdos. A prefeitura precisa incentivar a instalação de faculdades e escolas de música no Pelourinho, de percussão, atrair outras, oferecer as praças como laboratório e vitrines para estudantes baianos, brasileiros e estrangeiros. Isto interessa a muitas pessoas, à indústria turística do Brasil e do mundo!

Nenhuma das agências da cidade oferece as festas populares de Salvador, mundialmente conhecidas, apesar da beleza ímpar do cortejo do Bonfim, ou da belíssima procissão de Yemanjá, que turistas podem acompanhá-las. O que se vê entre a celebração ecumênica na Conceição e a Lavagem do Bonfim, e entre o porto de Salvador e o Rio Vermelho – e durante as procissões! – é único, indescritível. Mas falta instalação portuária decente, estacionamento, apoio às companhias de barco, e publicidade para isto. A festa de Santa Bárbara é encantadora, exatamente pelo lugar onde acontece: no Pelourinho enfeitado de vermelho e branco. Prefeitura, produtores e artistas exploram os signos do candomblé sem dar nada em troca, a não ser assistencialismo que só beneficia supostos líderes. Profissionalize-se essa relação – como a música! – pois isto interessa ao turista.

O Réveillon de Salvador 2013/2014 – 04 dias – extrapolou todos os limites! É recorde de festa do gênero para sua sofrida e insegura população, e para o Brasil. E com dinheiro público, sim! Deduzido de recursos das necessidades básicas dos cidadãos, manipulados por empresários, artistas e gestores através da Lei Rouanet, a Lei 8.313, de incentivo à Cultura, que garante dedução para empresas e particulares que queiram ‘patrocinar’ eventos, festas e shows. A lei garante acesso, trabalho e cultura para o cidadão comum, porém, na maioria dos casos, as festas públicas têm os mesmos atrativos, ou são feitas em ambientes fechados, cujo lucro é privado.

Réveillon! Não se fala em outra coisa na imprensa baiana! Nem mesmo na suspeita desapropriação de 364 casarões do Pelourinho, publicada no Diário Oficial no dia 14/12, um dia depois do anúncio do Governo do estado de investimento de R$ 430 milhões no Centro Histórico. A Conder não fez nenhuma vistoria, mas considerou os casarões em ruínas, em ‘péssimo estado de conservação’, sem cumprir suas funções sociais, mas alguns casarões estão muito bem, como o nº 1 da Rua Conselheiro Lafaiete, cuja proprietária Silvia Nuñez alega ter gasto R$ 100 mil reais em recente reforma. O governo vai vender os prédios para a iniciativa privada e colocar o dinheiro em fundo de investimento! Situação parecida com a tentativa da Câmara de Vereadores de aprovar o irregular PDDU em pleno recesso de Natal do ano passado. Câmaras, Assembléias e Congresso vivem tempos de aprovar o que lhes interessa, não à sociedade!

Artistas e gestores pseudos socialistas, preocupados muito mais com a diversão do povo que com sua saúde, educação, segurança, formação e trabalho, não hesitam em explorar o dinheiro do contribuinte para ganhar em um dia o que o cidadão comum ganharia em 100 anos. Roberto Carlos foi sensato e pulou fora! Mas, Flora Gil e Paula Lavigne precisam ganhar bem, pois seus artistas já não ganham com gravadoras, nem ganhariam com bilheterias, principalmente depois do apoio dado a tentativa de ganhar dinheiro com biografias ou impedir que elas revelem como se capta dinheiro público para shows. E ainda o apoio aos Black bocks que expulsaram o povo das ruas!  Caetano Veloso poderia retribuir a generosidade do município e levantar a mesma bandeira que levantou no Rio, onde mora: Mexeu com o Pelourinho, mexeu comigo!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

Publicado por: José QUEIROZ | 20/12/2013

Pelourinho tem 280 instituições recebendo verbas públicas

Pelourinho tem 280 instituições recebendo verbas públicas

José Queiroz*

 

O Centro Histórico de Salvador foi loteado por partidos políticos nos últimos anos e dividido em 280 instituições, entre associações, fundações, ong’s, centros, sindicatos, etc. Da mais famosa, Fundação Casa de Jorge Amado, ao recente e desconhecido DIRCAS, antigo ERCAS, Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador, criado em 2007 para administrar a execução do Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador, elaborado e não concretizado pelo governo atual. E todos recebem alguma verba pública, incluindo a Prefeitura, Câmara de Vereadores e várias secretarias!

Um vespeiro! Ninguém ousa meter a mão, denunciar, averiguar o desempenho delas, eliminar a maioria, uma auditoria, nada. O que faria sobrar muito dinheiro que, junto com aluguéis cobrados pelo IPAC, impostos arrecadados, menos shows inúteis para a maioria dos ramos de negócio, e apenas um (01) carnaval em 2014, daria para a recuperação total do Centro da cidade, o que traria muitos mais e duradouros benefícios para Salvador, sua economia e sua cultura. Está em vigor o entendimento que a miséria é necessária para gerar dinheiro e votos, por isto tanta ojeriza a qualquer tentativa de conclusão da obra.

São milhares de gestores em 7 km² que não conseguem se entender e admitir a necessidade da recuperação do lugar, principalmente pelo fato de ser Patrimônio da Humanidade, apesar da responsabilidade que assumiram e dos recursos que dispõem. Nesse sentido a própria UNESCO tem responsabilidade na perda de vários casarões, e o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – esteve omisso todo esse tempo, e deveria ser responsabilizado judicialmente. O recente anúncio de reforma não convence, já que não há diálogo efetivo com quem conhece a realidade do lugar, e que não são os políticos ou militantes que ocupam cargos comissionados, que não entendem nada de cultura, patrimônios históricos e turismo. E nem o Pelourinho nem Salvador querem mais taxas futuras, impostos ou dívidas que os sacrifiquem mais!

A ruína e a indigência do Centro Histórico de Salvador já são conhecidas dentro e fora do Brasil, pois foi agravada terrivelmente nos últimos anos pelo descaso com os casarões, pelo uso do crack, e pela política assistencialista em andamento no país. Os edifícios que estavam sendo desocupados e recuperados foram abandonados com a suspensão da reforma em 2007, foram invadidos outra vez, e mais de 100 deles estão em situação de risco – muitos estão escorados com barras de ferro – e vários já desmoronaram. Desde 2007 que o governo alimenta a mentira da reforma da 7ª etapa, da Vila Nova Esperança e, recentemente, do Palco Móvel. E nenhuma instituição de defesa da sociedade é capaz de averiguar. A Procuradoria do município não funciona!

O Pelourinho recebeu a visita da ONG World Fund Monuments em setembro de 2012 e foi considerado o centro histórico do Brasil em pior situação de risco, por falta de investimento público e ação da natureza. A elite econômica, acadêmica e cultural de Salvador tem grande responsabilidade na perda desse patrimônio também! Até hoje ainda é comum escutar gestores maus intencionados, ou despreparados mesmo, acusarem gestões antigas de prejudicar negros e pobres, o que não é verdade, pois esta população está em situação muito pior sem os negócios e sem a presença de baianos e turistas. Qualquer centro histórico do mundo bem administrado gera riquezas e cultura!

A situação é ainda mais preocupante porque não há um debate mais amplo sobre o Pelourinho, os interlocutores do governo não são os mais indicados e ele avalia e decide na maioria das vezes pelo que não interessa ao Centro Histórico, como o excesso de festas. E a ausência de oposição efetiva na política e na imprensa agrava a situação. Há dois meses os comerciantes esperam o chefe do executivo, o prefeito ACM Neto, conforme ele havia prometido, para conversar sobre seus problemas. E nada até agora!

Pelourinho não é um bairro comum! Não é um lugar para um líder comunitário qualquer, tem problemas, necessidades e prioridades que requerem conhecimentos específicos, para isto ele tem acesso a um volume de recursos maior que o de pequenas cidades do Brasil. Ele é um centro gerador de aprendizado, cultura, negócios e rendas, sua vocação é cultural, e o turismo é uma conseqüência natural e enriquecedora. Porém, para isto, precisa de administração adequada, culta, técnica e honesta.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Publicado por: José QUEIROZ | 08/12/2013

Copa do Mundo não deixará legado para o turismo do Brasil

Copa do Mundo não deixará legado para o turismo do Brasil

José Queiroz*

Os principais legados que a sociedade brasileira poderia esperar da Copa do Mundo realizada no país seriam: a publicidade natural e gratuita através dos veículos de comunicação do mundo inteiro; a melhoria da infra-estrutura das cidades sedes e outras turísticas, que continuariam recebendo visitantes brasileiros e estrangeiros; e a discussão e profissionalização do Turismo Receptivo do país, tornando-o competitivo e consolidando a atividade, o que beneficiaria milhões de brasileiros, devido a relação do setor com vários outros, públicos e privados.

O Brasil tem um potencial indiscutível, é o 1º em potencial natural e o 23º em potencial cultural no mundo, além de ser um destino atraente para o turismo de lazer – praias, festas, aventuras, esportes, etc. – mas é apenas o 51º entre 140 países, segundo o Fórum Econômico Mundial, edição de 2013, posição definida pela péssima mobilidade, entre as piores do mundo, preços exorbitantes de taxas públicas e insegurança jurídica. Tudo que não pode acontecer em países que pretendem explorar o turismo!

Some-se a isto o descaso do governo pelos profissionais do setor, os turismólogos, as pessoas que estudam para conhecer, pensar, planejar, administrar e desenvolver a atividade, completamente ignorados no país, apesar de pagarem faculdades que geram empregos e impostos. E ainda a escandalosa intromissão do Estado na atividade, desde os postos de trabalho ocupados por políticos ou militantes despreparados, que pagam comissão aos partidos, até a manipulação dos negócios através das perniciosas parcerias público privado, que usam recursos públicos mas não investem nos interesses coletivos, principalmente do mais interessado, o turista. E o mundo sabe disso!

Há uma velha, e sempre atual, discussão na academia brasileira sobre o turismo ser ciência ou técnica. Operadores e governantes brasileiros simplesmente a esnobam, conduzindo a atividade como se fosse um simples negócio, que se resolve com treinamentos rápidos e circunstanciais, como as qualificações inúteis que enriqueceram um monte de gente e empobreceram o turismo. Temos excelentes guias de turismo no país, mas não são suficientes para atenderem a momentos de pico como no Carnaval de Salvador ou Rio de Janeiro, altas temporadas, ou em grandes eventos. E ninguém vive de trabalho esporádico, de bico!

Contraditoriamente, a imagem do país se deteriorou durante o processo de preparação para a Copa, devido as manifestações de junho que despertaram o mundo para os problemas brasileiros, que são manchetes diárias nos pólos emissores de turistas para as cidades sedes e outras do país, fazendo com que muitos brasileiros e estrangeiros os analisassem com mais profundidade e entendessem a origem da mundialmente conhecida violência urbana, extensão da também mundialmente conhecida corrupção do Brasil, que faz perder a confiança nas instituições, assusta, e afasta o turista! E lá vai o governo da Bahia, por exemplo, viajar pelo mundo, gastar com publicidade e amigos, para mostrar atrativos conhecidos e o serviço que não tem. A internet não deixa mentir!

Estádio não é legado, é dívida para o cidadão! Em Salvador, por exemplo, o moderníssimo estádio da Fonte Nova custou R$ 689,4 milhões, e o governo assumiu uma incompreendida ‘contrapartida’ ao consórcio, de R$ 103 milhões anuais, por 15 anos, como se eles tivessem tirado dinheiro do bolso para a construção. Com muito menos se concluiria a reforma completa do Centro Histórico de Salvador, orçada em pouco menos de R$ 600 milhões, e se resolveriam os problemas crônicos de indigência e violência conseqüente, o que traria muito mais turistas, daria muito mais empregos, impostos para outras necessidades da cidade, e benefícios culturais ao povo.

Nenhum hotel de lazer e turismo foi construído nesses últimos anos na capital baiana, apenas de negócios, que tem características diferentes e menos luxo, pois o grupo e o lobby de parceiros privados do governo da Bahia priorizam o turismo de eventos, não o natural ou cultural. Praias é um negócio fabuloso em vários locais do mundo, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, DEM, anunciou R$ 111,6 milhões de investimento na orla da cidade, porém, as barracas não serão tão modernas, confortáveis e atraentes como o estádio, pois não terão banheiros, duchas e comida! Serão móveis, meros toldos com duas caixas de isopor, com cadeiras e sombreiros insuficientes para proteger do sol, e tudo isto rodeado de ambulantes. Ficou mantida a favelização da orla da cidade!

Nenhuma obra anunciada ou começada em Salvador pela Secretaria de Turismo da Bahia, nas duas gestões do secretário Domingos Leonelli, PSB, em nome da Copa ou do Turismo, foi concluída. Pelourinho, terminal turístico de barcos para Itaparica, Baía de Todos os Santos e Morro de São Paulo, Feira de São Joaquim e Ceasa do Rio Vermelho – estranhamente, pois não interessam à turistas! – Praça Irmã Dulce, mobilidade, nada! A Ilha de Itaparica foi inteiramente abandonada pelas instâncias do turismo, que poderiam ter aproveitado a oportunidade para revitalizar o turismo de uma das ilhas mais famosas da América Latina! O terminal de barcos de Mar Grande e o de Bom Despacho, além do caótico ferry boat, refletem o descaso desse governo com a indústria turística.

Até o serviço de guias de turismo foi abocanhado pelo Estado! Há uma parceria que já se mantém há algum tempo entre o Sindicato de Guias de Turismo e Governo da Bahia, por exemplo, coordenada por Cássia Magalhães, superintendente de Serviços Turísticos da Secretaria de Turismo do estado, e operada por uma empresa privada que passou a intermediar, cobrar e ganhar pelos serviços dos guias de turismo profissionais no Carnaval, desde 2008, na Copa das Confederações, em 2013, e vai atuar na Copa de 2014.

Estes profissionais, legalmente, são autônomos, credenciados pelo Ministério do Turismo – M Tur – pagam ISS, INSS, Contribuição Sindical, e deveriam ter seus serviços protegidos pelo sindicato. Além do mais, qualquer fiscalização do Ministério do Turismo ou do Trabalho vai encontrar pessoas não credenciadas pelo M Tur exercendo a função, o que é proibido por lei, enquanto outros profissionais credenciados ficam de fora, sem trabalho, por não aceitarem essa intermediação. Este foi o artifício criado para suprir a mão de obra que o país não tem! Não é de estranhar, já que a indústria turística do Brasil burla acintosamente várias legislações, desde o Código de Ética Mundial, da OMT – Organização Mundial do Turismo – do qual o país é signatário, até a Constituição de 88. Ambos obrigam o país a cuidar do seu Turismo Receptivo, ou Turismo Interno. O problema é, quem fiscaliza o Ministério do Turismo?

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Older Posts »

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 704 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: