Publicado por: José QUEIROZ | 08/10/2014

Governo da Bahia precisa profissionalizar gestão do Turismo

Governo da Bahia precisa profissionalizar gestão do Turismo

José Queiroz*

Há muito tempo o turismo deixou de ser ‘coisa de ricos’, supérflua para a maioria dos cidadãos, ou sazonal. A indústria turística ocupa milhões de pessoas no mundo, sustenta cidades inteiras, e na Bahia não é diferente, pois Morro de São Paulo e Mangue Seco, por exemplo, dependem disto. Pelo menos 10% da população de Salvador é beneficiada através de emprego direto ou dos mais de 50 setores envolvidos com a atividade que mais cresce no mundo. Mas, para manter isto, é preciso profissionalismo e planejamento.

O profissionalismo que o Turismo precisa envolve amplos conhecimentos culturais e técnicos, por isto não pode ser feito por qualquer pessoa, como defendem articuladores de políticas nacionais para o setor, principalmente na Bahia, onde operadores que vendem viagens são consultados para a condução do Turismo Receptivo. E eles não são as pessoas indicadas! Outros operadores brasileiros reconhecem a defasagem, a ingerência política, a manipulação tendenciosa, e as necessidades e prioridades do turismo interno, vitais para a sobrevivência da indústria turística nacional, que empregaria milhões de pessoas, e que tem uma grande responsabilidade com a economia e a imagem do país.

A Bahia estava sendo preparada para ser um dos maiores centros turísticos da América Latina, atrativos e fama não falta, mas os projetos foram interrompidos nos últimos anos. A mão de obra qualificada foi substituída por outra que não atende aos interesses de turistas, empreendedores e sociedade. Foram feitos investimentos equivocados ou insuficientes, como em festas e eventos. Hotéis de turismo deram lugar a resorts e business hotéis, equipamentos e acessos não foram construídos ou reformados, como o Centro de Convenções da capital baiana, e atrativos internacionais como Morro de São Paulo, Mangue Seco, Chapada Diamantina, Itacaré e outros, carecem de investimentos.

A situação de Salvador é emblemática para o país! A falta de profissionalismo institucional e planejamento, o que inclui a falta de apoio nacional aos Turismólogos – as pessoas que estudaram o Turismo efetivamente, se prepararam para pensar, planejar, articular e executar serviços – levou o turismo de Salvador à mudança de perfil e desvio do fluxo interessado, que é o turista com interesse cultural e em busca de lazer, pois a degradação física e social do Pelourinho e das praias não convidam à visitação e permanência. Este público é mais numeroso e fica mais tempo, freqüenta todos os ambientes do circuito turístico e da cidade, mais exige profissionalismo e comodidade.

Há muitas instituições e pouco conhecimento! Gestores, empreendedores novatos e gerentes despreparados ignoram os atrativos que interessam aos turistas que vem a Salvador, primeira capital do Brasil, terra de Jorge Amado, banhada por uma baía famosíssima, mas com seu potencial de turismo náutico desperdiçado, entre outros atrativos. A má gestão e má utilização dos recursos disponíveis estão sacrificando outros atrativos como o Recôncavo Baiano, e instituições culturais, religiosas e artísticas. E a Bahia pode – e deve! – fazer turismo à altura de sua história e memória!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 14/09/2014

Gestores e ações políticas mudam perfil do turismo de Salvador

Gestores e ações políticas mudam perfil do turismo de Salvador

José Queiroz*

 

O que o ex secretário de turismo da Bahia, Domingos Leonelli, o atual secretário de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador, Guilherme Bellintani, e o presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado, têm a ver com o turismo receptivo de Salvador? Tecnicamente, nada, porém, politicamente, são responsáveis pelo retrocesso da atividade no município, causada por desconhecimento ou indiferença às necessidades do setor, por má gestão ou má fé, e por medidas esdrúxulas e lesivas à indústria turística.

Nenhum deles é do ramo, e se tornaram reféns do Conselho Baiano de Turismo, formado por várias instituições cooptadas por pessoas que dirigem algumas delas, mais interessadas em seus partidos, carreiras e negócios, que com o conjunto da atividade. Estes e outros gestores também são dependentes de financiadores de seus partidos, entre eles os empresários de blocos carnavalescos, bandas e festas, cujos projetos tem tido prioridade nos últimos oito anos, mesmo sem atrair um turista sequer. Carnaval, São João no Pelourinho, Stock Car, Parada Gay, nada! Participantes de festas esporádicas não sustentam a cadeia produtiva do Turismo Receptivo o ano inteiro!

Para manipular tudo isto, o dinheiro público paga a estrutura e pessoal das secretarias estadual e municipal de turismo, além das suas autarquias Bahiatursa e Saltur. Nos últimos anos a máquina e os gastos públicos com turismo aumentaram, mas o fluxo diminuiu, pois, apesar das secretarias novas, Salvador atualmente é apenas passagem para o Litoral Norte, dormitório para quem vai a Morro de São Paulo, praça de eventos, ou ‘destino gay’, como querem os gestores públicos que desconhecem a vocação da cidade e interesses reais dos turistas.

Qualquer gestor usa o turismo para barganhar interesses, como o vereador Henrique Carballal, que trocaria apoio ao projeto de desapropriação de terrenos, da prefeitura, por uma nova Lei do Silêncio, que aumentaria decibéis em festas, que beneficiaria o Turismo. Uma ova! Beneficiaria a ele, representante de empresários de festas, assim como muitos outros, que tem consumido dinheiro público em infra-estrutura e na contratação de organizadores e bandas. Neste momento o estado e o município estão gastando R$ 250 mil reais com a ‘festa protesto’ dos gays, durante uma semana, na III Semana da Diversidade e XI Parada Gay. Mas não há iniciativas em benefício do Turismo Cultural, Náutico ou de Lazer, as verdadeiras vocações da cidade. Turismo precisa de todos os segmentos da sociedade, integra todos, e deve beneficiar a todos!

O turismo receptivo de Salvador não necessita destas festas ‘para movimentar a cidade na baixa temporada’! Salvador não teria ‘baixa temporada’ se seu turismo fosse administrado com conhecimento, responsabilidade e fiscalização, pois é um nome consagrado, mas evitado neste momento, devido à indigência e violência do Centro, situação que é conhecida no país e no exterior, e que desvia turistas gays e héteros, boêmios, interessados na sua história e memória, ou em busca de praia e lazer. Tampouco há ‘alta temporada’ por aqui atualmente, pelo mesmo motivo. Muitos turistas que constam em estatísticas de governantes apenas descem em Salvador e seguem para outros destinos, e a revista Veja deste fim de semana desmente o número de turistas estrangeiros informado e certificado pela EMBRATUR, em 2013.

Nos anos 90, e até 2006, Salvador viveu seu boom graças ao início da reforma do Pelourinho, que atraiu grandes operadoras, companhias aéreas, redes hoteleiras e milhares de turistas, mas que foram embora com a suspensão da obra, por incompetência das instâncias do turismo local, e não por falta de atrativos. O turista virá se tiver tranqüilidade e segurança para visitar a cidade de Jorge Amado, se puder permanecer sem assédio no centro histórico da primeira capital do Brasil, se tiver barracas na praia, hotéis novos, equipamentos e mão de obra profissionalizados, roteiros novos e baratos, mobilidade e acessibilidade. Se não falar e fizer isto o gestor está enganando a sociedade, precisa ser investigado e responsabilizado, pois eles têm causado a ruína do turismo da cidade, de muitos negócios, desemprego, etc. Salvador já está muito atrás de outros centros turísticos do Brasil!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

 

 

Prefeitura ignora necessidades e prioridades do Turismo em Salvador
José Queiroz*

 

 

A indústria turística dos países é composta de Turismo Exportativo, que vende viagens, no que o Brasil é muito bom, e Turismo Receptivo, que recebe quem compra viagens, no que o Brasil é muito ruim! Os gargalos são: violência urbana, preços, infra-estrutura, e serviços, nessa ordem, ou seja, há profissionais, mas não há gestores preparados para atender as expectativas de turistas e operadores. Muitas pessoas insistem em conhecer o Brasil, ou Salvador, mas operadores experientes os desviam para lugares mais seguros e agradáveis, que não comprometam seus negócios!

Há muito tempo que jornais dos principais pólos emissores de turistas para Salvador, nacionais e internacionais, comentam as conseqüências da má gestão do turismo da cidade: mobilidade; hotelaria obsoleta; serviços arcaicos, caros e ruins; interrupção da reforma do Centro Histórico e a invasão, o assédio e o roubo de indigentes, dependentes e delinqüentes; e a falta do serviço de praia. E a internet se encarrega de desmentir o que jornais locais e especializados publicam mediante pagamento! Basta uma rápida pesquisa para constatar: “Salvador é suja”, “os vendedores de rua são insuportáveis”, “a cidade é violenta”, “é caríssima”, “não tem vida noturna”, “os taxis correm muito, não fazem corrida curta, nem querem usar o taxímetro”, etc.

Como se nota, seria preciso gestores profissionais para administrar os interesses de turistas e baianos, já que o visitante gera muito emprego nas agências e nos hotéis, nos transportes, nos monumentos, praias e outros atrativos, nas lojas e restaurantes. O que diminui a desocupação e a violência conseqüente, gera renda que aumenta o consumo das pessoas, fomenta o comércio, diminui a inadimplência, e gera recursos para outras necessidades do município. São milhares de empregos, e seriam milhares de voto!

Porém, o descontentamento do setor é geral! Por alguma razão inconfessável, ACM Neto, chefe do Executivo do município, o mesmo que acionou a Justiça para resolver outros problemas da cidade, evita o Pelourinho como o Diabo evita a cruz! E olha que tudo acontece nas barbas do Prefeito, vereadores, secretários e procuradores! O principal atrativo da região entre Mangue Seco, Recôncavo Baiano e Morro de São Paulo – todos esvaziados pela ruína física e social do Patrimônio da Humanidade – está desfigurado, irreconhecível, evitado pelos próprios baianos, que dariam votos a qualquer um que cuidasse do lugar, que serve para o trabalho, formação e lazer do povo.

O Pelourinho esperou pacientemente pela Copa, que trouxe alguns turistas, é verdade, mas não as obras que o lugar e o turismo da cidade precisavam para auto sustentar-se e continuar recebendo os visitantes. Agora está esperando pelo resultado da eleição! O desfile de candidatos, publicitários, TVs e correligionários é constante, como o da última 6ª feira, dia 29, quando Dilma Roussef, candidata à reeleição, apareceu bem na foto, na Igreja da N S do Rosário dos Pretos, e tocando tambores. Bem em frente à antiga Praça do Reggae, onde o governador Jaques Wagner, do seu partido, prometeu a instalação de um Palco Móvel, teve várias verbas liberadas, e lá só há um matagal!

Foi criada uma secretaria dita de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, cujo titular não é do ramo, e que tem se empenhado apenas em festas, que não atraem turistas nem geram desenvolvimento, além de gastar muito dinheiro público, como no Carnaval. A obra da Barra é bem vinda, como qualquer melhoria na cidade, mas a prefeitura isolou o Farol da Barra dos turistas que se hospedam em outros bairros, sendo impossível estacionar por ali. O Farol é apenas uma parte dos principais atrativos de Salvador, constando em dois roteiros regulares e em qualquer roteiro personalizado, por isto, a visitação é intensa e serve aos interesses da cadeia produtiva do Turismo de Salvador.

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo
Publicado por: José QUEIROZ | 03/08/2014

Assaltos impedem passeios de turistas nas praias de Salvador

Assaltos impedem passeios de turistas nas praias de Salvador

José Queiroz*

 

A orla marítima de Salvador se tornou perigosa para baianos e turistas nos últimos anos, devido ao desemprego e deficiências na segurança da cidade, problema comum em todo o Brasil. Porém, para os visitantes com perfil diferente da população da cidade, desinformados sobre os lugares mais vulneráveis, desprotegidos pela ausência de policiais ou da Guarda Municipal, e interessados em desfrutar de praias tropicais, o risco é ainda maior. O problema é grave e precisa de atenção dos gestores responsáveis!

Praia é um negócio fabuloso para várias cidades e países, desejadas e rentáveis, tanto que foi criado o Programa Bandeira Azul, em 1987, na Europa, que logo se espalhou pelo mundo, existindo mais de mil praias marítimas e fluviais, ou marinas, credenciadas e apoiadas para manterem-se adequadas à visitação. Mais de 300 estão em Portugal, e apenas quatro no Brasil: Praia do Tombo, no Guarujá, e Prainha, no Rio de Janeiro, além das marinas Costabella, em Angra dos Reis, e Marinas Nacionais, Guarujá. Um dos requisitos para ser credenciada é justamente o da segurança!

A praia de Amaralina é uma das mais famosas de Salvador, cantada e descrita por Dorival Caymmi, Jorge Amado, Clara Nunes, Gilberto Gil, etc., mas é também uma das mais perigosas da cidade, sendo constantes e violentos os assaltos, como este https://www.youtube.com/watch?v=nNDmnKtqQC8. Os marginais infernizam a vida de quem freqüenta o lugar, baianos e turistas, já que existem oito hotéis por ali, além das pessoas que se hospedam no Rio Vermelho e Pituba e procuram aquela praia.

Ninguém pode se aventurar a caminhar pela praia entre Stela Mares e Itapuan – esta uma das mais famosas do Brasil, que atrai brasileiros e estrangeiros de diferentes lugares –   pois, seguramente, será assaltado. Piatã e Jaguaribe são conhecidas pela ocorrência dos assaltos na praia, e o trecho entre Ondina e Barra também. O Porto da Barra precisa de policiamento ostensivo, e delinqüentes impedem qualquer cidadão desfrutar da vista mar do Comércio! Tudo isto ainda é agravado pelo assédio, agressões verbais ou extorsões de alguns vendedores ambulantes e exploradores do péssimo serviço de praia!

Proprietários e administradores de hotéis e agências de turismo da cidade precisam de apoio da prefeitura, dos gestores do turismo da cidade e do aparato de segurança pública, para manter seus negócios que geram milhares de empregos diretos e indiretos. Eles precisam, pelo menos, da contra partida dos impostos que pagam e sustentam outras necessidades da cidade, além de salários de gestores públicos e campanhas políticas.

Há anos que a indústria turística de Salvador vem definhando por falta de ações de gestores despreparados ou interessados em outros setores da economia, sendo que o Turismo é uma vocação natural de Salvador. Milhares de pessoas foram desempregadas nos últimos oito anos, por causa da retirada das barracas de praia e suspensão da reforma do Centro Histórico, e hoje engrossam as estatísticas de inadimplência e violência.

A prefeitura alega que segurança, por exemplo, é assunto do estado, mas os impostos do Turismo também sustentam a Guarda Municipal, e para quê? Para exibir em solenidades e publicidade? O Turismo esperou pela Copa, agora terá que esperar pela eleição? Nesse meio tempo os salários dos gestores responsáveis saem pontualmente e sempre altíssimos, enquanto o pessoal do Turismo vê seus anos de trabalho, sua dedicação, seus investimentos, seu patrimônio e seu sustento, ‘morrerem na praia’!

*José Queiroz é guia de turismo especializado em Turismo Receptivo

A Copa foi um sucesso, mas não deixou legado para o turismo da Bahia

José Queiroz*

A Copa do Mundo foi bem sucedida, como se esperava, afinal, o Brasil já havia dado mostras de sua competência para organizar grandes eventos, principalmente em São Paulo, com o automobilismo e shows, Rio de Janeiro, com o Rock in Rio e os Jogos Pan Americanos, e Salvador, com o Carnaval, que mobiliza mais de 20 estádios lotados em cada um de seus seis dias, com 20 mil policiais fazendo a proteção de foliões e de um contingente também gigantesco de prestadores de serviços, famosos e autoridades.

O esquema de segurança afastou o risco de maiores tumultos causados por manifestações, e as que houveram não foram suficientes para estragar a festa, desanimar o brasileiro, impedi-lo de ir aos estádios, torcer, cantar, gritar – chorar algumas vezes, paciência – mas contagiar o mundo outra vez com sua conhecida, querida e incomparável simpatia. Salvador, com sua vocação festeira, que é um dos atrativos da cidade, foi brindada com inesquecíveis partidas, gols, personagens, e uma mistura de povos estrangeiros, brasileiros e baianos que não se via há muito tempo!

A cada partida, cerca de 100 mil pessoas circularam entre o Estádio, Farol da Barra, Pelourinho, Rio Vermelho e Imbuí, cuja noite precisa ser integrada ao circuito turístico da cidade! E a Bahia pode continuar recebendo a mesma quantidade de pessoas em muitos outros momentos do ano, de diferentes lugares, propiciando o intercâmbio de culturas através do convívio nesses lugares e em outros, como as praias, Chapada Diamantina, etc. São muitos os atrativos no estado, alguns conhecidos internacionalmente, e muitos os interessados!

Mas, para isto é preciso que haja profissionalismo institucional também, técnicos que possam auxiliar gestores a identificar as atrações e os serviços que interessam ao turista, que conheçam o perfil dos povos que procuram Salvador – brasileiros, argentinos, chilenos, portugueses, espanhóis, franceses, italianos, alemães, holandeses, norte americanos, judeus, etc. – que possam indicar o que poderia mantê-los mais tempo na cidade, e auxiliar no planejamento, administração e fiscalização dos serviços. Tudo o que não houve na Copa!

O atendimento no Brasil foi literalmente improvisado! Os turismólogos não foram aproveitados e a tal qualificação de profissionais foi pura falácia! A experiência de agentes de viagens, hoteleiros e guias de turismo veteranos garantiu a boa recepção, apesar de manipulada, em parte, pela própria FIFA, que tem sua operadora e fez parcerias que acabou deixando muitos profissionais do país sem trabalho. Em Salvador, a Bahiatursa e o Sindicato de Guias de Turismo da Bahia passaram a intermediar o trabalho de guias – que são autônomos! – em grandes eventos, como o Carnaval, através de uma empresa criada para isto, a Check List Soluções, que pagou R$ 2.000,00 por um mês de trabalho na Copa, enquanto as agências de receptivo tradicionais pagaram até R$ 500,00 por um dia! O Sindicato, que depende da Contribuição Sindical de todos os profissionais do estado, não garante o trabalho para todos eles nesses eventos, infringe a Lei 8.623, no Art 2º, que obriga o profissional a ser credenciado no Min. Turismo, aceitando ‘monitores’, pessoas não credenciadas, inexperientes, que são os indicados e protegidos de pessoas ligadas ao Turismo, que tiram as poucas opções dos profissionais.

O principal atrativo da cidade, o Pelourinho, a âncora que atrai turistas que também vão à Mangue Seco, Praia do Forte, Recôncavo Baiano, Morro de São Paulo, Chapada Diamamntina, etc., foi abandonado no governo de Jaques Wagner, do PT, é o mais deteriorado dos patrimônios da humanidade no Brasil, e nem os recursos abundantes para a Copa foi capaz de sensibilizar gestores e convencê-los a concluir a reforma! Atualmente o lugar é evitado pelos próprios baianos, e a agressão ao americano em pleno evento não foi um caso isolado. O próximo governante terá muito trabalho para desocupar casarões ameaçados de desmoronamento, realocar indigentes e delinqüentes que infernizam o Centro da cidade, e garantir o acesso, segurança e bons serviços. A divulgação dos demais atrativos do estado também depende do bom atendimento no Centro Histórico.

Nenhum hotel novo foi construído em Salvador para esta Copa! Mas, apesar destas e outras deficiências no receptivo da cidade, como mobilidade, estacionamento, banheiros públicos, etc., perfeitamente corrigíveis, Salvador continua sendo uma cidade atraente, desejada por pessoas de vários lugares, e importante para a indústria turística mundial, que a venderia muito mais, caso ela estivesse em melhores condições, e garantisse bom atendimento, comodidade, e segurança para quem quer vir. Poucas cidades do mundo, inclusive entre as mais visitadas – Londres, Paris, Nova Iorque, Barcelona, Tóquio, etc. – tem identidade tão definida e tantos atrativos como Salvador: 50 km de praias ensolaradas o ano inteiro, uma baía imensa na sua frente, história, memória, comida, música, arte e povo! A Copa mostrou tudo isto, só é preciso profissionais que criem as condições para receber turistas sempre, e que colaborem com a economia e a cultura da Bahia. Não são apenas a beleza e a fama que atraem mais de 80 milhões de turistas por ano à França, 60 milhões aos EE UU, 50 milhões à Espanha ou à China. É trabalho com profissionalismo!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

Incentivos fiscais para festas em Salvador lesam Turismo e economia da cidade

José Queiroz*

 

 

O Tribunal de Contas da União estima em R$ 203,7 bilhões o prejuízo à sociedade em 2013, com as desonerações, como IPI e folha de pagamento, e renúncias e incentivos fiscais, como a Lei Federal de Incentivo à Cultura 8.313, de dez/1991, conhecida como Lei Rouanet. Através desta lei empresas e pessoas podem investir em cultura, mas ela vem sendo mal aplicada e, por isto, poderá ser substituída pela Lei 6.772, que instituirá o PROCULTURA, já em tramitação. Atualmente a Lei Rouanet examina mais de seis mil projetos por ano no Brasil, e o governo deixa de arrecadar em média R$ 1,2 bilhão, com os contemplados. As empresas que mais a utilizam são: Petrobras, Vale, BNDES e Banco do Brasil.

A lei foi criada para incentivar a produção cultural do país, proteger o patrimônio artístico cultural, e facilitar o acesso do povo à cultura. Porém, gestores públicos têm aprovado desde reforma de pontes até festa de torcida organizada, inclusive a infinidade de shows de cantores e bandas Brasil afora! Em 2011 o projeto do blog de Maria Bethânia foi simplesmente de R$ 1,3 milhão, e recentemente a lei foi questionada por causa da liberação feita pela Ministra da Cultura, Marta Suplicy, de R$ 2,8 milhões para um desfile de moda em Paris. Há quem acuse a lei de fazer o papel de Robin Hood ao contrário, tirando dos pobres para dar aos ricos!

Em Salvador a lei tem sido usada largamente, devido a sua musicalidade peculiar, e resultou na parceria da Secretaria de Cultura com a Secretaria de Turismo. Os primeiros produtos turísticos da Secretaria de Turismo da Bahia foram Turismo Étnico, Turismo Náutico e São João no Pelourinho. Mas apenas o São João tem certa visibilidade, e isto por causa da mídia e das muitas atrações durante vários dias, apesar de não atrair nenhum turista! O Carnaval é outra farra desnecessária ao turismo e nefasta aos cofres públicos. Mas os gestores do Turismo e da Cultura não tem tido fiscalização e, arbitrariamente, insistem em que festas são atrativos turísticos, e cada vez maiores, como o réveillon que durou quatro dias e o aniversário da cidade que durou oito dias em 2014!

E o que não falta são problemas, prejuízos e processos causados pela má aplicação da lei no Brasil, e em Salvador não é diferente. De documentos forjados para aquisição dos recursos à invasão de espaço público, como tem acontecido com o Camarote Salvador, que foi acionado pela Defensoria Pública este ano, passando pelo mais grave de todos os problemas: excesso de festas públicas que não incrementam a economia, recursos para festas privadas, como camarotes de artistas, e festas que cobram bilheteria, onde o contribuinte não tem acesso às mesmas, nem aos lucros.

A maioria em nome do Turismo! Mas o turismo de Salvador só encolheu desde 2007, ano de criação da Secretaria de Turismo da Bahia que, estranhamente, decide o que fazer na capital, com as verbas do turismo, com o Pelourinho, etc. O secretário Guilherme Bellintani, da recém criada Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, do município, está festejando o orçamento da Saltur de R$ 19,1 milhões para este ano. Para que servirá? Desde que tomou posse o secretário só se envolve com festas, já anunciou a realização de 93 eventos públicos até 2017, e permanece indiferente à ruína física e social do Centro Histórico, principal atrativo da cidade, não incentivou a construção de novos hotéis com os recursos disponíveis para a Copa, nem se abala com os problemas do transporte de turismo na região.

O Turismo de Salvador não precisa de Carnaval da Copa, de Fan Fest, nem de São João no Pelourinho! Com este dinheiro e outros recursos pode-se fazer uma boa limpeza no Centro Histórico, desocupar os casarões invadidos por indigentes e delinqüentes que expulsaram baianos e turistas, e aproveitar o Minha Casa Minha Vida e acomodar esse pessoal, dar assistência social, médica, tratamento para dependentes, reintegração, etc. E ainda para solucionar o grave problema da infiltração de delinqüentes no serviço de guia de turismo no Centro Histórico e acabar com o assédio e hostilidades de vendedores ambulantes nos pontos turísticos da cidade. Daria também para limpar e equipar as praias de Salvador com padrão FIFA, absurdamente abandonadas por gestores que não as utilizam, mais que são vitais para baianos, turistas e para a economia da cidade.

Isto, sim, secretário, traria milhares de turistas que tem interesse em Salvador, mas é no Pelourinho, na história, memória e cultura popular do seu povo, na obra de Jorge Amado, etc. Com este dinheiro o prefeito ACM Neto pode cumprir efetivamente sua promessa de recuperar a casa do escritor, no Rio Vermelho, promessa feita em campanha e reforçada em janeiro último, sem deixar mais dívidas para o município. Isto, sim, senhor prefeito, trará turistas que fomentarão a economia da cidade, com geração de negócios e empregos permanentes, impostos e cultura, para isto o elegeram. E a cidade não está preparada para um fluxo grande e de bom nível, nem seus gestores!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

 

Publicado por: José QUEIROZ | 22/05/2014

Entrevista para o Diário do Turismo – SP

Guia de Turismo de Salvador denuncia descaso e abandono do Pelourinho

Redação do DIÁRIO

José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo
Foto: divulgação

HÁ algum tempo o DIÁRIO vem recebendo denúncias de que o patrimônio público de monumentos históricos de várias cidades brasileiras foram deixados à sorte e os governos tanto municipais quanto estaduais pouco se mobilizam para reverter a situação com programas de preservação e valorização da memória. Considerados atrativos fundamentais para o fluxo turístico, as construções seicentistas integram o rico acerco cultural de nossa terra, mas perde terreno para a indústria imobiliária e interesses políticos que vão além da imaginação. Nesse sentido, o DT abre espaço para o guia de turismo soteropolitano José Queiroz, que vem, de uns anos para cá, apresentando de maneira profissional e embasada, denúncias sobre a dilapidação do Pelourinho. O DIÁRIO o entrevistou, acompanhe:

DIÁRIO – O senhor é um crítico sistemático do governo da Bahia, em especial à BahiaTursa. Quais são os motivos?

JOSÉ QUEIROZ – Jaques Wagner (PT), assumiu o governo da Bahia em 2007 e suspendeu a reforma do Pelourinho que estava em andamento, na 7ª etapa, e estava dando certo, atraindo outros negócios e muitos turistas. Não houve justificativa técnica ou financeira, e sim social, desde a campanha eleitoral dele e da candidata a senadora Lídice da Mata, PSB, que alegaram que o Turismo expulsaria negros e pobres do Pelourinho, cuja maioria era invasora ou oportunista. Ela indicou Domingos Leonelli para a nova Secretaria de Turismo, e passou a integrar o Conselho Baiano de Turismo, embora os dois nada tivessem a ver com a atividade. Desde então a Bahiatursa passou a promover o estado e suas possibilidades, porém, priorizando eventos, festas e shows, abandonando completamente o turismo cultural e de lazer, principalmente o náutico. Não tem um porto decente na Baía de Todos os Santos, na Ilha de Itaparica, Valença, nem em Morro de São Paulo! E o pior, direcionando os negócios para seus parceiros privados, como a Grou Turismo, exclusiva em Costa do Sauípe – onde ninguém pode oferecer serviços! – e que recentemente assumiu o receptivo da CVC em Salvador. O Convention Bureau da cidade foi questionado pelo trade da hotelaria por usar a room tax e a proximidade com o governo para levar eventos para o Litoral Norte, principalmente Costa do Sauípe, onde foi construída a Arena Sauípe para o sorteio da Copa do Mundo de 2014, mas que continuará recebendo eventos e shows, por causa da situação deplorável em que se encontra o Centro de Convenções da Bahia. O turista de eventos não fica e não gasta nas cidades como o turista de férias, e promover eventos constantemente gasta muitos recursos públicos, não mantém os atrativos e infra estrutura, e não sustenta a cadeia produtiva, no caso de Salvador, voltada para o turismo cultural e de lazer. Não foi construído nenhum hotel de turismo nos últimos anos na cidade, apenas business hotéis, como a reforma do antigo Tropical da Bahia para a instalação da bandeira Sheraton, de Guilherme Paulus, fruto da parceria do governo com a CVC. Os interesses destes grupos também extinguiram completamente o já precário serviço de praia da cidade, forçando turistas e operadoras a procurar outros destinos.

DIÁRIO – Dentre os problemas que Salvador apresenta, o senhor dá destaque ao Pelourinho. É tão lamentável assim a situação do logradouro e destino turístico? O que falta lá?

JOSÉ QUEIROZ – A situação do Pelourinho é gravíssima! E causa estranheza e indignação a omissão dos Ministérios da Cultura, do Turismo, e das Cidades, assim como das procuradorias municipal, estadual e federal, além da própria UNESCO. O governo do PT cancelou e indenizou contratos públicos, gastou com novo projeto de reforma que não saiu do papel, e manipulou informações e dados nestes últimos sete anos. Nenhuma obra anunciada, mesmo com contratos assinados e recursos liberados, foi concluída! O Pelourinho foi abandonado literalmente, e invadido outra vez por indigentes e delinqüentes. São pessoas que ocupam a maioria dos casarões do Centro Histórico que estão no entorno do Pelourinho, desconhecidos da sociedade, e que procuram sustento onde circulam baianos e turistas, causando desconforto, constrangimento e medo, o que já repercutiu nacional e internacionalmente. Por isto, baianos, turistas e operadoras evitam o lugar! O Pelourinho não tem uma instituição responsável por ele, pela Cultura e pelo Turismo, em conjunto. O que há é uma miscelânea de instituições de todas as esferas que cuida de partes do Centro Histórico, que recebe verbas separadamente, que culpam-se mutuamente pelos problemas, e que arruinaram criminosamente o Patrimônio da Humanidade, considerado o que está em pior situação no Brasil, por falta de manutenção e pela ação do tempo. A recém criada Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura de Salvador, ocupada por Guilherme Belintani, segue a cartilha de Domingos Leonelli e não investe em outra coisa que não seja festa e show, como o orgiático réveillon de 04 dias que custou R$ 6,5 milhões aos contribuintes e um absurdo segundo Carnaval por conta da Copa. Por fim, como eu suspeitava, o governo da Bahia anunciou em dezembro de 2013, em pleno recesso de Natal, de maneira suspeitíssima, a venda de 364 casarões do Centro Histórico de Salvador, para a iniciativa privada, alguns em perfeitas condições, cujo dinheiro irá para nebulosos fundos de investimentos. Falta, portanto, fiscalização de órgãos nacionais e internacionais; recuperação e cuidado com os casarões; retirada de indigentes e delinqüentes das ruas; acessibilidade, iluminação, limpeza, estacionamento e segurança para baianos e turistas; aproveitamento adequado dos espaços e da vocação natural do lugar; e agenda cultural autêntica e econômica, compatível para todos.

DIÁRIO – Os órgãos que representam a sociedade civil, as ONGs não se posicionam, ou não propõem o diálogo?

JOSÉ QUEIROZ – São poucas e desconectadas as instituições civis, ou oficiais, voltadas para o turismo interno do Brasil, e poucas cidades têm uma secretaria de turismo ocupada por um profissional da área. Salvador, por exemplo, não tem. Os ministérios públicos estaduais e o federal não têm promotorias especializadas! Os conselhos estaduais são formados por empreendedores, majoritariamente, e as poucas instituições representativas de classe, como sindicatos de guias e associações de turismólogos, além de não reconhecerem a responsabilidade pelo conjunto do Turismo Receptivo, acabam vencidas pela maioria. O Brasil precisa de uma associação de agentes de viagem e outros atores do turismo receptivo, pois a ABAV e outras associações de operadores, apesar de manipular a maior parte das verbas disponíveis com novas ferramentas de vendas, treinamento, viagens de inspeção, feiras e publicidade, não cuidam dos atrativos que vendem, e quer vender os atrativos que estiverem bem. Os interlocutores do governo em Salvador são sempre os mesmos.

DIÁRIO – O senhor como guia de turismo e agente de viagem poderia apontar quais são os principais gargalos do turismo receptivo de Salvador?

JOSÉ QUEIROZ – O principal é o Centro Histórico, arruinado física, social e culturalmente, pois a maioria das pessoas que vem a Salvador quer ficar mais tempo e à vontade no Pelourinho, em segurança, o que não tem sido possível, e isto tem reflexo em toda a região entre Mangue Seco, Recôncavo Baiano e Morro de São Paulo, que tem tido apenas picos de grande fluxo, o que já causou a desistência de muitos empreendedores e profissionais, a precariedade de equipamentos, e informalidade de mão de obra. Hotelaria obsoleta, insuficiente e com serviços precários – são raros os falantes de língua espanhola nas recepções, que são dominadas por agenciadores de serviços que nem sempre oferece o que o turista quer, ou explora os profissionais da cidade. Ausência de serviço de praia em quase 70 km de orla da cidade, um absurdo que já dura cinco anos e que será minimizado pelo improviso da prefeitura atual, que liberou toldos e caixas de isopor nas praias, sem banheiro, sem duchas e sem comida. Mobilidade, agravada pela tirânica intervenção da AGERBA – Agência de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte e Comunicações da Bahia – sobre o transporte de turismo, que cobra licença de viagem para vans, micros e ônibus ao saírem da cidade, mesmo entre Salvador e Praia do Forte, que depende do nosso aeroporto, e que arbitra multas e punições absurdas, além de não colaborar para a infra-estrutura de vias, estradas e estacionamentos. Ela mesmo é responsável pelo transporte náutico, o terminal do Ferry Boat em Itaparica está inteiramente sucateado, como os portos, e a principal ligação rodoviária entre Salvador e Morro de São Paulo, que começa no terminal do ferry, a BA 001, está destruída, colocando em risco a segurança de turistas! E acabo de ouvir do secretário de transporte de Salvador que o município não vai conceder estacionamento para turismo nos atrativos e equipamentos vitais para o setor. Falta, ainda, assistência social e segurança no Centro da cidade e nas praias.

DIÁRIO – É possível apontar algum avanço na política pública do turismo em Salvador?

JOSÉ QUEIROZ – O último grande avanço foi a decisão de recuperar o Centro Histórico, infelizmente, abortada, e justamente por políticos leigos na atividade que ocupam cargos técnicos, facilmente manipulados pela iniciativa privada de alguns, e a ganância de outros. Houve, recentemente, uma tímida tentativa de regulamentar o transporte de turismo do município, mas que exige mais do que oferece, e não resolveu os problemas crônicos desse setor, como falta de apoio para atualização da frota, excesso de burocracia e documentação de veículos, isenção de taxas, estacionamento e acesso à hotéis para oferecer serviços. Ao contrário, o retrocesso é, talvez, um dos mais graves, históricos e emblemáticos do Brasil, uma mostra real do que não se deve fazer com o Turismo. Os gestores da atividade dos últimos anos insistem em mudar o perfil turístico do município, priorizando eventos e festas idênticos a outros do país ou de fora, esporádicos, lesivos aos cofres públicos e à cadeia produtiva. Os órgãos fiscalizadores não atuam, a imprensa ganha para anunciar o que interessa ao governo e seus parceiros, e a sociedade não conhece a realidade do setor, refletida no desemprego e no aumento da criminalidade. Infelizmente, o turismo de Salvador está irreconhecível.

DIÁRIO – Qual a atuação do Ministério do Turismo em Salvador?

JOSÉ QUEIROZ – O Ministério do Turismo, em Salvador, não cumpre sua obrigação constitucional de fiscalizar, fomentar e promover o turismo local, não interfere nos problemas do setor, desdenha suas necessidades e prioridades, e ignora as sugestões, solicitações, e queixas do trade do Receptivo. Como em todo o Brasil, operadores e hoteleiros são parceiros preferenciais e mais influentes, embora o turismo receptivo empregue muito mais pessoas, pague muitos impostos, e seja o verdadeiro consolidador dos negócios daqueles, cujos profissionais se especializam em perfis, em recepcionar, em multiplicar. Eventos, shows, resorts e cruzeiros não sobrevivem sem os conhecedores dos lugares, de suas histórias, cultura, personagens e curiosidades. Não é tarefa para qualquer um, como pregam alguns articuladores de política para o turismo no país. Estes profissionais conhecem seus atrativos e o interesse das pessoas, sabem o que todos precisam, e sabem como transformar isto em benefício coletivo. Já passou da hora de Salvador e todo o Brasil reconhecerem os méritos e as possibilidades do Turismo Receptivo.

 

Publicado por: José QUEIROZ | 19/05/2014

Autoritarismo e má utilização dos recursos do turismo da Bahia

Autoritarismo e má utilização dos recursos do turismo da Bahia

José Queiroz*

 

 Da mesma maneira que acontece no Brasil, o turismo da Bahia tem sido gerido com o autoritarismo característico do PT, com a agravante do partido não ter experiência, técnicos e conhecimentos, deixando a atividade por conta de operadores de viagem e cargos comissionados divididos entre partidos políticos, sendo que estes últimos têm decidido o destino do setor, ignorando completamente os profissionais do turismo receptivo envolvidos com as instituições de governo, na maioria das vezes direcionando os negócios para seus parceiros privados, como Costa de Sauípe e o receptivo da CVC em Salvador, exclusivos da Grou Turismo, a agência oficial do Governo da Bahia.

O Brasil já tinha a EMBRATUR desde 1966, e continuou com ela e com o novo Ministério do Turismo, criado em 2003, que foi esnobado por partidos políticos no início, por considerá-lo inexpressivo, e a Bahia tinha a BAHIATURSA desde 1968, mas ‘ganhou’ a Secretaria de Turismo em 2007, para acomodar mais correligionários do PT e seus aliados. Mesmo com tantos gestores pensando juntos, decidiu-se suspender a obra de reforma do Pelourinho, medida que só foi possível com a aplicação de uma das mais perversas mentiras do turismo do país: a reforma expulsaria negros e pobres do Centro Histórico. A senadora Lídice da Mata, PSB, usou bastante dessa alegação. É que o Patrimônio da Humanidade em ruína garante verbas de muitas fontes!

O conjunto Baía de Todos os Santos e Recôncavo Baiano é outro motivo para captação, o que foi incrementado neste governo, porém, a famosa Itaparica foi abandonada, o turismo náutico é precário, as estradas são carroçáveis e insuficientes para conectar a região, não há mão de obra qualificada, etc. O que há é projeto, projeto e mais projeto, outra fonte de captação de recursos para partidos políticos. Cachoeira, um dos principais atrativos da região, não tem visitação regular, e Morro de São Paulo precisa de um porto à altura, limpeza constante, e combate à invasão de aventureiros e à violência. É que os gestores do turismo da Bahia são contra ‘Bate e Volta’!

Nesse sentido, Mangue Seco é o mais prejudicado, pois nem acesso para carros comuns tem, dentro do estado da Bahia, sendo preciso entrar em Sergipe para alcançar a famosa praia. Porto Seguro e Ilhéus também precisam de cuidados profissionais, Itacaré precisa de infra estrutura, a Península de Maraú, com as belas praias de Barra Grande e Taipus de Fora, deveria ser mais bem integrada ao turismo da região, e a estrada que liga Ilhéus à Itaparica, via Valença, deveria estar à altura do turismo baiano e da propaganda de governo. Não há ligação regular nem incentivo ao turismo na Chapada Diamantina, e poucos baianos conhecem o Enoturismo, no Vale do São Francisco, em terras baianas. É que operadores de turismo lucram mais vendendo resorts, cruzeiros e Europa!

Salvador também é responsabilidade das quatro instituições gestoras do turismo do estado, e mais a Saltur, e a atual Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura do município. Seis instituições, centenas de gestores, muita verba pública e privada, nacional e internacional, mas ninguém reconhece a necessidade de recuperar física e socialmente o Centro Histórico da cidade, a carência de hotéis, o aproveitamento dos muitos quilômetros de praias bonitas e famosas, mobilidade e segurança. As duas instituições municipais não fazem outra coisa além de planos, promessas e festa, Festa, FESTA!!!! É que muitos gestores públicos não precisam trabalhar para ter dinheiro e gastar em festas!

Vem aí o Carnaval da Copa e o São João do Pelourinho, que nenhum profissional do Turismo Receptivo pediria, nem isto trará nenhum turista! Nenhuma das principais instituições foi dirigida por um profissional deste setor. E são elas que decidem o que fazer – como a recente e arbitrária substituição do presidente da Bahiatursa – e onde gastar os recursos da atividade. Nos últimos anos foram: patrocínio de Stock Car, Paradas Gays, recuperação de feiras livres, como a Ceasinha, recuperação de monumentos que estão fora do circuito turístico, e muita festa. Até parece que a cidade está uma maravilha e o dinheiro sobrando! É que gestores de turismo não conhecem nem sabem quais são as necessidades e prioridades do setor!

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

Descaso da Prefeitura de Salvador coloca em risco transporte de turismo

José Queiroz*

Os condutores de transportes de turismo de Salvador denunciam mais uma vez a negligência do governo municipal com o setor, que é vital para a indústria turística de qualquer cidade. O Decreto 24.106 de 02/08/2013, que regulamenta a atividade no município, exige 11 documentos para os veículos, impõe comprovação do contrato de cada serviço e identificação de passageiros, e muitas exigências para os condutores, entretanto, não oferece nada em troca.

O serviço continua a ser tratado como ‘clandestino’, por influência de cooperativas de taxis que pagam à Infraero para explorar o serviço e sindicatos de taxistas, além do concessionário do estacionamento, que se aproveitam do despreparo da TRANSALVADOR, órgão responsável pelo controle do serviço, que tem sido extremamente intolerante com as necessidades do transporte de turismo e trata grosseiramente os profissionais do setor, muitas vezes diante do turista, multando-os sem chance de explicação.

No aeroporto não há vaga reservada para carros de turismo, e uma simples parada para embarque ou desembarque pode resultar em multas, como aconteceu com Roberto Paolo, sócio proprietário da RNB Turismo, que registrou em vídeo. Sua sócia Norma Paolo denuncia a perseguição sistemática aos carros de turismo feita pelo agente Paim, conhecido como ‘Cabeça Branca’. Todos os carros da frota da RNB já foram multados, e apenas um deles tem 14 multas!

Os Parágrafos 1º e 2º do dito regulamento delegam à TRANSALVADOR o fornecimento de alvarás e selos, respectivamente, o que os formalizam, e o Artigo 10 obriga o órgão a designar local de estacionamento. Porém, não há espaço nos atrativos e equipamentos turísticos de Salvador, como Pelourinho e Terminal Turístico (porto), muito menos no aeroporto, onde mais de 50 taxis permanecem parados o dia inteiro, enquanto os carros de turismo estacionam num posto de gasolina ao lado, na pista de acesso em frente, ou no Bambuzal. Sem conforto – banheiro, água, comida – e sem segurança para enfrentar as longas esperas por desembarque ou vôo atrasado.

A Secretaria de Desenvolvimento, Cultura e Turismo de Salvador é a instituição que deve regulamentar e fiscalizar os serviços da atividade, porém, precisa conhecê-los, apoiá-los e dar o mesmo tratamento que tem dado a indústria das festas, erroneamente entendida como a principal necessidade dos turistas. Turista quer mobilidade, também, o que vai ser dado para seleções, autoridades, patrocinadores, etc., mas que deve ser constante, para a viabilidade do turismo e geração de empregos, renda e impostos.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

 

Publicado por: José QUEIROZ | 05/05/2014

Crise no turismo da Bahia

Crise na Bahia expõe principal gargalo do turismo interno do Brasil

José Queiroz*

Ingerência política e arbitrária! Por um mísero minuto na propaganda eleitoral da TV, o governador da Bahia, Jaques Wagner, PT, destituiu do comando da Bahiatursa um profissional experiente e conhecido, o Fernando Ferrero, e empossou Diogo Medrado, estudante, 26 anos, completamente desconhecido e inexperiente na atividade, filho de um político local filiado ao Partido Solidariedade. O trade baiano não gostou e protestou através de carta aberta, leiam http://www.bahianegocios.com.br/turismo/carta-aberta-do-trade-do-turismo-condena-o-fisiologismo-e-abandono-do-segmento-na-bahia/

É assim que se administra o turismo interno do país desde a criação do Ministério do Turismo em 2003, que deixou o Brasil com duas instituições – Min Tur e Embratur – e da Secretaria de Turismo da Bahia, em 2007, também com duas, Setur e Bahiatursa. São centenas de cargos comissionados em todo o país que deveriam ser ocupados por técnicos, porém os partidos políticos os lotearam entre si, deixando pouco espaço para os profissionais da atividade. A falta de profissionalismo institucional gerou a ruína de atrativos como o Pelourinho, e o êxodo do turista estrangeiro do Brasil.

Estes ‘estranhos e inexperientes’ gestores costumam direcionar os negócios do setor para seus parceiros, muitas vezes desviando recursos do turismo para empreendimentos e ações que não interessam ao trade, ignorando-o solenemente, como acontece em outras atividades, o que fez com que o turismo receptivo de Salvador, por exemplo, retrocedesse completamente, causando a maior crise da sua história. O Brasil é apenas o 37º país mais visitado, com cinco milhões de turistas, dados manipulados pelo Min Tur, pois São Paulo é o estado que mais recebe, porém ali se conta todos que entram: por trabalho, esporte, visita a família, etc. A França recebe 79,1 milhões, Espanha 58,5, EEUU 51,1 e Portugal, 11 milhões. Na América Latina, o México recebe 21,4 milhões.

Na era do PT foram criadas instituições e empossados leigos, e a gestão do turismo continua a mesma, prestigiando o rico Turismo Exportativo, o setor de venda de viagens, hotéis, pacotes, etc., representado pela ABAV e outras associações de operadores, que manipulam os recursos disponíveis e direcionam o turista para onde querem, principalmente para o exterior. Por isto foram inaugurados tantos resorts e criados tantos eventos e festas nos últimos anos, o que contribuiu para a diminuição do fluxo estrangeiro. Contraditoriamente desprestigiando o trade do Turismo Receptivo nacional, setor que cuida dos atrativos e recebe os turistas que compram as viagens vendidas pelo Exportativo. Quem quer viajar dentro do país tem que se submeter aos gargalos conhecidos: mobilidade, hotelaria, segurança e serviços.

Em Salvador, os problemas começaram em 2007, com a posse de Domingos Leonelli, PSB, na recém criada Secretaria de Turismo da Bahia, que suspendeu a reforma do Centro Histórico, e desperdiçou dinheiro público com indenizações e contratação de novo grupo para elaborar nova reforma, que não saiu da gaveta, apesar de consumir mais de R$ 50 milhões e gerar protestos ao longo do tempo. A extinção do serviço de praia, as reformas e construções inacabadas, e os sucessivos prefeitos absurdamente alheios à indigência social do Centro e à violência da cidade, afastaram de vez o turista.

O fluxo atual de visitantes em Salvador não tem nada a ver com os números apresentados pelo presidente do Conselho Baiano de Turismo, Silvio Pessoa, pois, na prática, centenas de negócios e profissionais da cidade se desligaram da atividade, por falta de profissionais nas instituições de governo, de política adequada, incentivos, e falta de turistas. O prefeito ACM Neto criou a Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura em 2013, porém a entregou a outro estranho e inexperiente, o secretário Guilherme Bellintani, que não conseguiu fazer nenhuma melhoria na cidade com os recursos disponíveis para a Copa, assim como não começou a trabalhar por onde deveria: no Centro Histórico. Lugar que qualquer profissional de turismo, qualquer turista, qualquer cidadão, sabe que é a âncora do turismo da região.

*José Queiroz é guia de turismo e agente de viagem especializado em Turismo Receptivo

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